Mês: Janeiro 2015

(Lisboa) Apresentado esta sexta-feira filme sobre os acontecimentos de 1946 em Cambedo da Raia


sessão

Esta sexta-feira, dia 30 de Janeiro, na Torre do Tombo (sala de conferências) será exibido pelas 17 horas o filme “O Silêncio”, de António Loja Neves e José Manuel Alves Pereira. Segue-se um debate em que participa Paula Godinho, investigadora do Instituo de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.

Sobre “A Batalha de Cambedo da Raia” ver aqui: http://www.jornalmapa.pt/2014/06/18/da-guerra-civil-na-galiza-a-batalha-do-cambedo-da-raia/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/08/17/memoria-a-batalha-de-cambedo-tras-os-montes-20-de-dezembro-de-1946/

(memória libertária) Um sindicalista rural eborense: José Sebastião Cebola


Capturar

 Há uns anos atrás, como forma de homenagear a memória deste anarquista que ainda perdurava na freguesia, foi dado o nome de José Sebastião Cebola a uma rua dos Canaviais (Évora). Mas a “discrição” ou a má-fé dos autarcas de então foi tal que nem uma pequena inscrição, com a data do nascimento e morte (1877-1920) ou em que qualidade José Sebastião se distinguiu, a placa mereceu. Bastava terem posto anarcosindicalista, sindicalista revolucionário, anarquista, sindicalista rural, militante da CGT ou o que se lembrassem para que quem mora naquela rua ou quem por ali passa tivesse a mínima ideia de quem se trata. Numa cidade onde qualquer militante  comunista, por mais modesto que seja, tem essa qualidade inscrita na placa de rua, José Sebastião Cebola ali continua anónimo, como se por esse facto se conseguisse apagar a memória das causas pelas quais lutou. (Portal Anarquista)

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(mais…)

Black Block, o filme


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de Carlo A. Bachschmidt

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(Italia, 2011) 77 minutos, legendas em português
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A obra parte de imagens reais das mobilizações durante a cimeira do G-8 em Génova em 2001 e, particularmente, de alguns testemunhos representativos de pessoas que sobreviveram ao assalto de uma escola cedida pelo município de Génova ao Forum Social para albergar manifestantes. Muli, Lena, Neils, Mina, Michael, Daniel y Chabi, deixam, entre memórias, uma mensagem de denúncia sobre a instrumentalização da violência e o uso da tortura moderna.

Chomsky: ‘American Sniper’ reflecte a campanha terrorista de Obama


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O linguista, filósofo e anarquista Noam Chomsky considera que o filme “American Sniper”, que retrata a vida (alegadamente com base num caso verídico) de um soldado norte-americano no Iraque e que obteve este ano 7 nomeações para os óscares, reflecte a campanha terrorista levada a cabo pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a maior na história moderna, segundo Chomsky.

Noam Chomsky comentava um artigo do “The New York Times” dedicado ao filme “American Sniper” no qual se afirma que a película apresenta uma imagem patriótica e “pró-familiar” dos serviços de espionagem norte-americanos. “Qual é essa película patriótica e pró-familiar que encantou os norte-americanos?”, pergunta Chomsky. “Trata-se do franco-atirador mais letal na história dos Estados Unidos, um homem chamado Chris Kyle, que afirma ter usado todas as suas competências para matar várias centenas de pessoas no Iraque”, comenta.

Segundo o activista, a imagem do franco-atirador que se tornou popular no país ajuda a entender porque é tão fácil ignorar a maior campanha terrorista da história moderna, “a campanha global de assassinato” levada a cabo por Obama. Chomsky denuncia que esta campanha tem por objectivo matar pessoas que são “suspeitas de planearem um dia talvez fazerem-nos mal”.

a partir das agências

http://www.truth-out.org/news/item/28764-noam-chomsky-blasts-american-sniper-an

 

Rua Francisco Ferrer na Cova da Piedade


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Em meados de Outubro (de 2014) foi recolocada a placa toponímica da rua Francisco Ferrer. Agora uma placa descritiva, com alguns dados sobre o grande pedagogo e pensador anarquista catalão. Decorriam 105 anos sobre o seu fuzilamento em Montjuich.

O companheiro Manuel Vieira foi o promotor desta alteração. Dando voz ao desejo de inúmeros companheiros contactou em Junho a Câmara de Almada e desde então manteve persistentemente esse contacto na procecussão desse objectivo.

Logo após a implantação da República, por iniciativa de um grupo de cidadãos ligados à Associação do Registo Civil, a Câmara Municipal de Almada atribuiu o nome de Ferrer a uma rua da Cova da Piedade. De resto, nesse período, muitas cidades do País colocaram o nome do professor catalão na sua toponímia local (Évora, Guimarães, Fafe, Guarda, Lisboa, Tavira, Torres Vedras e até Lourenço Marques). Interessante foi o caso da Câmara de Lisboa (cuja composição era à data maioritariamente republicana) que na sessão de 21 de Outubro de 1909 aceitou os pedidos de várias representações (Comissão paroquial republicana do Campo Grande, Junta paroquial da Ajuda, Grémio da Mocidade Liberal e diversos na qualidade de munícipes) e deliberou dar a uma rua o nome de «Francisco Ferrer». Esse propósito acabou por ser rejeitado pelo Governo Civil, em 24 de Novembro, suscitando grande polémica. Só a 4 de Setembro de 1913 esse propósito foi concretizado. Com o advento do Estado Novo o nome de Ferrer foi banido de todas as ruas do país.

Tanto quanto julgamos saber de imediato, após o 25 de Abril, a Câmara de Almada, por iniciativa de um grupo de cidadãos, repôs a toponímia republicana, mas sem menção ao pensamento que esteve na base do seu prestígio como pedagogo

Recentemente também a Câmara Municipal de Lisboa voltou atribuir a uma rua no Alto dos Moinhos o topónimo «Rua Francisco Ferrer», mas com uma inscrição algo controversa – (Pedagogo e Político) acrescido do ano de nascimento e morte (1859 – 1909).

(Publicado no jornal “A Batalha”, nº 262, Novembro/Dezembro de 2014)

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A Rua Francisco Ferrer, na Cova da Piedade, inicia-se no Largo 5 de Outubro e termina no Largo da Romeira.

AUSCHWITZ, por León Felipe


Auschwitz (1)

(A todos os judeus do mundo, meus amigos, meus irmãos)

Esses poetas infernais
Dante, Blake, Rimbaud…
Que falem mais baixo…
Que toquem mais baixo…
Que se calem!
Hoje
qualquer habitante da terra
sabe muito mais do inferno
do que esses três poetas juntos.
Já sei que Dante toca muito bem violino..
Oh, o grande virtuoso!…
Mas que não pretenda agora
com os seus tercetos maravilhosos
e os seus endecassílabos perfeitos
assustar essa criança judia
que está aí, separada dos pais….
E só.
Só!
Aguardando a sua vez
nos fornos crematórios de Auschwitz.
Dante… tu baixaste aos infernos
pela mão de Virgilio
(Virgilio, “grande cicerone”)
e aquela vossa Divina Comédia
foi uma aventura divertida
de música e turismo.
Isto é outra coisa… outra coisa…
Como é que te posso explicar
se não tens imaginação!?
Tu, Dante, não tens imaginação.
Recorda que no teu “Inferno”
não há uma criança sequer…
E essa que aí vês…
está só.
Só! Sem cicerone
esperando que se abram as portas dum inferno
que tu, pobre florentino!,
não pudeste sequer imaginar
Isto é outra coisa… como dizer-te?
Olha! Este é um lugar onde não se pode tocar violino.
Aqui partem-se as cordas de todos
os violinos do mundo.
Compreendem o que vos digo, poetas infernais?
Virgilio, Dante, Blake, Rimbaud…
Falem mais baixo!…
Toquem mais baixo… Chiu!…
Calai-vos!
Eu também sou um grande violinista…
e toquei muitas vezes no inferno…
Mas agora aqui
quebro o meu violino… e calo-me.

León Felipe

(tradução Portal Anarquista)

original em castelhano: http://trianarts.com/auschwitz-y-leon-felipe/

sobre León Felipe: http://periodicoellibertario.blogspot.pt/2014/07/leon-felipe-poeta-de-la-resistencia-y.html

sugestão de Xiao Roel

(70 anos) Auchwitz nunca mais!


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27 de Janeiro. Madrugada. No chão, a infame confusão de membros ressequidos, a coisa Sómogyi.

Há trabalhos mais urgentes; não podemos lavar-nos e, por isso, só podemos mexer nele depois de termos cozinhado e comido. E, além disso, «…rien de si degoûtant que les debordements», diz justamente Charles; é preciso esvaziar o balde. Começámos a trabalhar como todos os dias.

Os russos chegaram enquanto Charles e eu levávamos Sómogyi para um lugar pouco afastado. Estava muito leve. Virámos a maca na neve cinzenta.

Charles tirou o boné. Tive pena de não ter boné.

Dos onze da Infektionsabteilung, apenas Sómogyi morreu durante os dez dias. Sertelet, Cagnolati, Towarowski, Lakmaker e Dorget (deste último, não falei ainda: era um industrial francês que, depois de ter sido operado a uma peritonite, adoeceu de difeteria nasal), morreram algumas semanas mais tarde na enfermaria russa provisória de Auschwitz. Encontrei em Katowice, em Abril, Schenck e Alcalai de boa saúde. Arthur regressou felizmente à sua família, e Charles retomou a sua profissão de professor primário, trocámos longas cartas e espero reencontrá-lo um dia.”

arbeit1É com estas palavras que termina o livro “Se isto é um homem”, de Primo Levi sobre a sua permanência durante cerca de um ano em Auschwitz, de Fevereiro de 1944 até finais de Janeiro de 1945.

A 27 de Janeiro de 1945 – faz hoje 70 anos – chegam aos portões de Auschwitz os soldados russos e deparam com a tragédia que durante a guerra ali se viveu. Uma tragédia que desconheciam e para a qual não estavam preparados.

Em Auschwitz terão morrido mais de um milhão e meio de pessoas, gaseadas ou vítimas de doença, dos maus tratos, da dureza do trabalho, da falta de alimentação ou do frio.

A inscrição sobre o portão “Arbeit Macht Frei” (o trabalho liberta) mostra até que ponto chegava a hipocrisia nazi tão cruamente relatada no livro de Primo Levi.

Hoje, 70 anos depois, ao fim de um século de enormes atropelos e violações à dignidade e à liberdade humanas – e ao seu direito à vida -, e numa altura em que existem, de novo, vozes que insinuam novas ditaduras e novos totalitarismos, recordar Auschwitz é também recordar até que ponto pode chegar a baixeza e a o horror de um regime que fez do genocídio uma das traves mestras do seu programa político.

Entre os mortos de Auschwitz e de outros campos de concentração  alemães estiveram também muitos anarquistas e outros combatentes anti-fascistas, a maioria refugiados da guerra civil espanhola, que integraram os diversos grupos de resistência em França e noutros países.  Mas estiveram sobretudo milhões de seres humanos perseguidos pela besta fascista que, no momento da morte, não escolheu entre judeus, ciganos, anarquistas, comunistas ou quem quer que fosse. A todos pretendeu aniquilar com sanha e raiva, destruindo-os naquilo que cada ser humano tem de mais precioso: a sua individualidade.

Auschwitz