(Lisboa) Duas sugestões para esta sexta-feira: conferência sobre ‘anarquia queer’ e novo livro de Rui Eduardo Paes


queer

“No Church in the Wild’: A Estética da Anarquia”, com Jack Halberstam

Na Culturgest (Lisboa) , hoje às 18,30H

Conferência | Organização António Fernando Cascais e Mónica Guerreiro | Entrada gratuita | Em inglês, sem tradução

Nos últimos três anos, com a emergência de novos movimentos de protesto no contexto da falência do sistema financeiro, da erosão do Estado-nação e da afirmação da soberania empresarial, assistimos a formas de protesto que fundem arte e criatividade para contornar as táticas policiais de controlo de multidões durante manifestações (como o kettling), e escapar às narrativas mediáticas que confinam a energia indómita do motim numa asseada história de saque e ganância. A busca de tais alternativas assume diferentes formas – de cultura de elite e de cultura popular, da cultura de museu à cultura de rua – como arte participativa, festas efémeras, reciclagem imaginativa, relações novas entre objetos, economias e o ambiente.

Na sua pintura das Pussy Riot, a artista berlinense Kerstin Drechsel capta o carácter queer deste nosso tempo de tumulto e revolta. O poderoso retrato da banda punk feminista (presa em 2012 pelo protesto na Catedral de Cristo Salvador em Moscovo, no qual se criticava o apoio da hierarquia da Igreja Ortodoxa à campanha presidencial de Putin) relembra-nos de quão frequentemente a anarquia assumiu a forma de uma rejeição punk feminina, mais do que a de um violento levantamento masculinista. O exemplo das Pussy Riot – o grupo, a pintura, a ação e as suas recriações em todo o mundo – aponta para o surgimento de formas estéticas nestas manifestações altamente mediatizadas de desgaste político e indignação. Poderemos identificar no seio da anarquia uma estética que rejeite a lógica do “capitalismo punk”? Qual a economia erótica de tal trabalho?

Jack Halberstam é Professor de Estudos Americanos e Etnicidade, Estudos de Género e Literatura Comparada na University of Southern California. Publicou Gothic Horror and the Technology of Monsters (1995); Female Masculinity (1998); In A Queer Time and Place (2005); The Queer Art of Failure (2011) e Gaga Feminism: Sex, Gender, and the End of Normal (2012). Uma das mais destacadas vozes da teoria queer, Halberstam prepara um novo livro, The Wild, sobre anarquia queer, performance e cultura de protesto.

https://www.facebook.com/events/1019567321406061/

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livro

Lançamento do livro Bestiário Ilustríssimo II / Bala, de Rui Eduardo Paes
na Casa dos Amigos do Minho, Intendente | 06FEV | 21:30

Uma edição da Chili Com Carne na colecção THISCOvery CCChannel, com ilustrações e grafismo de Joana Pires e David Campos e apoio do Instituto Português da Juventude e do Desporto
Apresentações: Gonçalo Falcão (designer,músico,crítico de música) e Gil Dionísio (músico,performer,crítico de cinema)
Concerto: Gil Dionísio & Os Rapazes Futuristas
Os Rapazes Futuristas são: Sara Ribeiro//Francisco Andrade//Vasco Furtado//Gil Gonçalves//Yuri Antunes//João Marques//Sandro Felix//Abuka//Matthieu Ehrlacher//

Bestiário Ilustríssimo II / Bala é a continuação de Bestiário Ilustríssimo, “(anti-)enciclopédia” de Rui Eduardo Paes sobre as músicas criativas editada em 2012 e reeditada em 2014 com nova capa e novas ilustrações de Joana Pires. Como esse primeiro livro, está dividido em 50 capítulos, cada um dedicado a uma figura ou conjunto de figuras. Desta feita, porém, a 50ª parte autonomiza-se e constitui como que um outro livro. Trata-se, pois, de dois livros num só volume, um novamente ilustrado por Joana Pires, o outro por David de Campos.

O jazz criativo, a música livremente improvisada, o rock alternativo e os experimentalismos sem rótulo possível voltam a ser as áreas cobertas, sempre associando os temas com questões da filosofia, da sociologia e da teoria política, num trabalho de análise e desmontagem das ideias por detrás dos sons ou das implicações destes numa realidade complexa. Os textos reenviam-se entre si gerando temáticas que vão sendo detectadas pelo próprio leitor, mas diferentemente de Bestiário Ilustríssimo há um tema geral nesta nova obra de Paes: o tempo.

O livro tem prefácios de Marco Scarassatti (compositor, artista sonoro e professor da Universidade de Minas Gerais, Brasil) e Gil Dionísio (músico), ilustrações de Joana Pires (lado BI) e David de Campos (lado Bala) e design de Joana Pires e baseado no de Ecletricks (lado BI). 336p. duas cores (Preto e vermelho),

Rui Eduardo Paes publicou há menos de um ano um outro livro – “a” maiúsculo com círculo à volta – em que relaciona as músicas de hoje (jazz, improvisação, pop-rock, noise, electrónica experimental, música contemporânea) com as novas tendências do pensamento libertário, descobrindo analogias mas também desmistificando ideias feitas. Daniel Carter, Lê Quan Ninh, John Cage, Fela Kuti, Frank Zappa, Thom York (Radiohead) e Nicolas Collins são algumas das figuras retratadas pela escrita analítica e de dimensão filosófica, mas não raro com humor e alcance provocatório, do ensaísta e editor da revista “online” jazz.pt. Entre os temas percorridos ao longo dos 10 capítulos amplamente ilustrados estão o ocultismo, a espiritualidade, a ciência, a ficção científica, a tecnologia, o amor e o sexo, com referência a autores como Robert Anton Wilson, Hakim Bey, Murray Bookchin, Starhawk e Ursula K. Le Guin.

https://www.facebook.com/events/1519580208306424/

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