A ‘outra’ Reforma Agrária: unir terras, unir pessoas


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Jornal “Combate” de 16/5/1975

As primeiras ocupações de terras deram-se no Alentejo em finais de 1974. Terá sido o início da Reforma Agrária, surgida como reacção ao abandono das terras pelos latifundiários, muitos deles ligados ao regime fascista, que após o 25 de Abril de 1974 fugiram para o Brasil, Espanha ou outros países. A ocupação de terras, no Alentejo e no Ribatejo, surgiu quase sempre como uma reacção à falta de trabalho e ao desemprego. Teve o apoio dos Sindicatos Agrícolas criados nessa altura por iniciativa do PCP, partido que depois reivindicou e instrumentalizou como sua a Reforma Agrária e a ocupação de terras – na maior parte dos casos estas ocupações foram feitas com o apoio das forças armadas -, estando Álvaro Cunhal sempre presente nas chamadas conferências da Reforma Agrária realizadas em Évora a partir de 1976, em que fazia o discurso de encerramento,. Este é o cenário geral, construído e divulgado na altura, mas que, embora correspondendo ao quadro geral, não abarca a totalidade daquilo a que se pode chamar o movimento da Reforma Agrária, uma vez que houve muitas cooperativas no Alentejo e Ribatejo identificadas com outras visões e espaços políticos (PS, UDP, etc.) ou mesmo sem alinhamentos político-partidários.

Houve também outras cooperativas, com maior expressão a norte do Tejo – Torrebela, Árgea, Barcouço, entre outras -, que se definiram por posicionamentos diferentes, geralmente ligados a sectores autogestionários  e – diríamos hoje, assembleários e de democracia directa – com uma grande carga de motivação transformadora da vida, herdeira de Maio de 1968 e de outros movimentos alternativos, em que para além do trabalho em comum se perspectivava uma vida comunitária – muito em linha daquilo que hoje são as Cooperativas Integrais.

Sobre a Cooperativa da Torrebela há filmes e uma literatura razoavelmente abundante, mas sobre a Comunal de Árgea (Torres Novas) e sobre a Cooperativa de Barcouço (Coimbra) existe muito menos documentação. No entanto, o extinto jornal “Combate” publicou dois artigos interessantes sobre estas cooperativas, em que a já dissolvida organização política LUAR teve alguma presença, mas em que dominava o pensamento libertário e antiautoritário, mesmo que não assumido exactamente nesses termos. Mas em várias delas participaram e foram activos elementos que, já na altura, se afirmavam como libertários ou anarquistas. Eram cooperativas que não se reviam na estrutura e no movimento dominado pelo PCP e que chegaram a criar canais de distribuição comuns – mercados próprios em Setúbal e Lisboa – e formas estreitas de relacionamento.

comunal

artigo no ‘Combate’ sobre a Comunal de Árgea: http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=07961.023

um testemunho: Comunal de Árgea: uma cooperativa do pós-25 de Abril inspirada no Maio francês de 1968

artigo no ‘Combate’ sobre a Cooperativa de Barcouço: http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=07961.041

relacionado: A sementeira 1 (1977) – Algumas notas acerca das cooperativas agrícolas

 

sobre a Torrebela:

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