“Contra a Violência Policial” – Concentração junto à AR (lisboa), quinta-feira, dia 12, às 17H.


 

violência

Uma iniciativa dos moradores da Cova da Moura e de vários indivíduos e colectivos para dizer “Já basta de repressão policial”. aqui

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(Amigos, publiquei este texto e esta foto no sábado, quando cheguei a casa depois da espera no Tribunal. Se acharem interessante partilhar este relato, façam-no. Força. Vamos À luta!)

COVA DA MOURA

Depois de muitas e muitas horas de espera em frente ao Tribunal de Sintra, vimos nossos irmãos serem libertados, podendo aguardar pelo julgamento em liberdade e sem medidas de coação. Embora mínima, esta vitória trouxe alegrias, lágrimas, abraços, desabafos, suspiros, olhares que se identificam uns com os outros. Irmandades que se reconhecem e se estabelecem, e que nos ajudam a perceber que quem não nasce em berço de ouro, quem nada tem para além da sua força de trabalho, não tem direitos alguns por esta ordem que reina e impera, que nos espanca e nos violenta a toda a hora. E há muitas formas de matar, há muitas formas de violência, sendo a exclusão social uma das formas primeiras e universais de nos violentarem e de roubarem nossos sonhos. A indignação levou-nos ao local, a vontade de demonstrar que não estão sós. Mas essa indignação não era nada comparada com aquela que sentimos quando, finalmente, vimos os 5 detidos, entre eles um menino com deficiências, saírem das portas daquele tribunal. O estado em que estes jovens da Cova da Moura se encontram, a forma como foram tratados, é indescritível. Todos saíram a coxear, uns com os olhos inchados, outros com buracos nas pernas causados pelas balas de borracha, e inclusivamente um deles sem um dente da frente que lhe foi ARRANCADO por um policial à paisana que apareceu, aquando do espancamento que decorria no interior da esquadra, realizado por outros colegas vestidos de polícia, embora não identificados. Ali, escondidos e longe dos olhares de todos nós, estes amigos foram assim espancados, enquanto cá fora as autoridades e os meios de comunicação cumpriam o seu papel de formar uma opinião pública asquerosa, preconceituosa e ignorante. Isto não é novo, não acontece só aqui, e NÃO É MENTIRA. Apenas a nossa união, mobilização, organização e luta pode e deve pôr um travão a isto. E tal como muito foi conversado esta tarde em frente àquele tribunal, isto não é apenas uma questão de racismo, isto é uma questão de classe. Repulsa é o que sentimos e juntos vamos reverter isto. Porque se saí de lá com o psicológico completamente abalado, também saí de lá acreditando que sim, é possível. Porque em cada olhar, em cada abraço, em cada partilha de pão e frango, eu sei que somos todos irmãos independentemente da nossa cor e da nossa origem.

fonte: texto de “Rosa Maria”

aqui: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=725351030918693&set=gm.336901436515672&type=1&theater

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