Há 96 anos nascia o diário anarco-sindicalista “A Batalha”, porta-voz da organização operária


A-BATALHA

Passam hoje, 23 de Fevereiro, 96 anos sobre a publicação do primeiro número do jornal A Batalha, “porta-voz da organização operária” e, a partir de Setembro de 1919, data da fundação da CGT, órgão da central operária anarco-sindicalista. Alexandre Vieira, operário tipógrafo, foi o seu primeiro director.

batalha 1Durante 8 anos – até 26 de Maio de 1927, data em que sairá o último número na legalidade – será um jornal diário, firme na defesa dos direitos dos trabalhadores e porta-voz da necessidade da revolução social, que instaurará uma nova sociedade sem exploração nem opressão. Estima-se a sua circulação na ordem dos 20/25 mil exemplares diários, sendo o terceiro (e às vezes o segundo) diário mais vendido, depois do Século e do Diário de Notícias. Durante esse período, A Batalha viu muitas vezes a sua redacção invadida pela polícia, edições apreendidas e os seus jornalistas presos, mas continuará a publicar-se até ao dia 27 de Maio de 1927, quando a polícia invade a sua sede (na Calçada do Combro, em Lisboa), destrói e saqueia todo o equipamento e o jornal é proibido. O seu último redactor-principal é Mário Castelhano que, anos depois, morrerá no Tarrafal.  Entre Dezembro de 1923 e Janeiro de 1927 a Batalha publicou também um suplemento literário e ilustrado onde colaboraram muitos dos intelectuais, escritores e jornalistas mais conceituados (ver abaixo).

renovaçãoEmbora com edição separada do jornal, publicou-se igualmente entre 2 de Julho de 1925  e 15 de Junho de 1926 a revista Renovação, de periodicidade quinzenal, sub-intitulada Revista Quinzenal de Arte, Literatura, e Actualidades. Era propriedade do jornal operário A Batalha, situando-se muito próximo dos ideais anarquistas, defendendo o sindicalismo revolucionário preconizado na altura pela Confederação Geral do Trabalho (C.G.T.). Muitos dos seus colaboradores eram também colaboradores da Batalha e, entre eles encontramos personalidades sonantes da nossa literatura do início do século XX como Ferreira de Castro, Rocha Martins, Emílio CostaJulião Quintinha, Ladislau Batalha, Mário Domingues, Augusto PintoNogueira de Brito, Jaime Brasil, Bento Faria, David de Carvalho, Eduardo Frias, Cristiano Lima e contando com ilustrações de Stuart Carvalhaes e Roberto Nobre. (aqui)

Durante o fascismo A Batalha publicou-se durante largos períodos nas décadas de 1930 e 1940 em tipografias clandestinas apelando à reorganização dos militantes sindicalistas revolucionários e anarquistas e à luta contra o regime de Salazar. Na Biblioteca Nacional há registo dos seguintes números clandestinos: nº 1, Abr. 1934- a nº 10, Jul. 1937; nº esp. Dez. 1944; nº 1, Jan. 1946 a nº 21, Dez. 1949.

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Alguns números de A Batalha clandestinaAbril de 1934Maio de 1934Junho de 1935 Junho de 1937Dezembro de 1944Agosto de 1949 Dezembro de 1949

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A Batalha volta a publicar-se legalmente depois de 25 de Abril de 1974 por iniciativa de um grupo de militantes anarquistas e anarco-sindicalistas encabeçados por Emídio Santana e outros antigos militantes da CGT (alguns deles responsáveis também por alguma das edições clandestinas do jornal operário). O primeiro número desta nova série de A Batalha saiu em Setembro de 1974 como quinzenário, passou depois a mensário e publica-se agora como bimestral, tendo João Santiago como director.

JornalABatalha1

Neste aniversário não é demais realçar a necessidade de que a colecção de A Batalha entre 1919 e 1927, assim como os números da clandestinidade, já digitalizados pela Biblioteca Nacional, sejam disponibilizados na Internet a todos os militantes e investigadores. É um património comum, fruto do labor e da dinâmica de muitos homens e mulheres, que não pode ser de acesso restrito e confinado a meia dúzia de investigadores.

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Com base no livro “Surgindo vem ao longe a nova aurora”, de Jacinto Baptista

algumas imagens daqui  e daqui.

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