Day: Março 11, 2015

 (Bolívia) Morreu o anarquista, gestor cultural e sindicalista mineiro Liber Forti


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São muitas centenas de milhar os anarquistas que por todo o mundo estão envolvidos nos movimentos sociais e culturais, sempre em defesa dos de baixo, contra toda a exploração e toda a opressão e na luta por um mundo novo. Os anarquistas, seja através do trabalho esforçado, como nas minas, seja através do teatro, da poesia ou da música, transportam nos seus corações e nos seus gestos um mundo novo, como salientou Buenaventura Durruti. Na América Latina o novo movimento libertário ganha forças na memória e na radicalidade dos lutadores que nos precederam. Liber Forti é um caso raro. Atravessou gerações mantendo sempre a sua coerência anarquista e a sua ligação ao movimento operário, neste caso ao sector mineiro. Morreu agora aos 95 anos deixando uma memória inatacável.

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“Yo, no dirigí nunca una obra en ‘Nuevos Horizontes’, entre todos dirigimos; lo que sí propuse, fue la mesa redonda, después de cada ensayo; mesa redonda, en ella todos tienen voz, tanto el director como el peón; el público que está viéndonos o visitándonos, tiene también la palabra, opina sobre la obra, porque es para el público que se hace la obra, no se hace para los críticos teatrales, esto tiene que ver con un proyecto mío, “cómo se organiza la libertad”. El director por antonomasia tiene la tendencia a ser autoritario, un día me di cuenta que como anarquista no podía estar dirigiendo como a muñecos a los personajes.” Liber Forti (aqui)

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Libert Forti, fundador do mítico grupo teatral de Tupiza (no sudeste da Bolívia) e assessor cultural da Federação Sindical de Trabalhadores Mineiros da Bolívia (FSTMB) durante várias décadas, faleceu esta manhã (11 de Março) na cidade de Cochabamba aos 95 anos, vítima de cancro na laringe.

Nasceu a 19 de Agosto de 1919 na cidade de Tucumán. O seu pai, um conhecido sindicalista anarquista argentino que procurou refúgio em Tupiza fugindo da perseguição política, baptizou-o como Germinal Liber Forti Carrizo, mas todos o conheciam simplesmente por Liber (“livre”), o nome do deus da liberdade da mitologia romana.

Quando ainda era uma criança a família mudou-se para Tupiza, uma povoação que viu nascer a primeira organização anarquista da Bolívia, a ‘Unión Obrera Primero de Mayo”, em 1906 e o jornal “ La Aurora Social”. O seu pai, Mário Forti, criou uma tipografia e uma livraria, “Renascimento”, na qual teve a sua aproximação às letras, o manejo dos tipos móveis de que chegou a ser um especialista.

O poeta anarquista espanhol León Felipe descreveu-o como um “lutador amoroso pela justiça”, mas ele, um homem de proverbial humidade, definia-se simplesmente como um “homem de sandálias”. Nunca teve dúvidas em proclamar-se tupicenho e boliviano. “Tudo o que a Bolívia tenha a ver com a minha vida ou que eu tenha a ver com a Bolívia não tem explicação”, disse à jornalista Mónica Heinrich. “Em Tupiza aprendi a ler”, recordou na mesma entrevista, e sublinhou que na Bolívia “encontrei o divino espaço da fraternidade” e “o amor pela gente trabalhadora”.

Liber fez as suas primeiras experiências teatrais num teatro da Federación Obrera Regional Argentina (FORA), um influente sindicato anarquista na altura. Anos depois, em 1945, decidiu radicar-se em Tupiza para ajudar o seu pai, ocasião em que criou um grupo de radioteatro. Pouco depois juntou-se ao conjunto teatral da Secção de Arte e Cultura do Clube The Strongest de Tupiza com Alipio Medinaceli, Iván Barrientos e outros jovens tupicenhos com quem fundou um ano depois, a 1 de Maio de 1976, ‘Novos Horizontes’.

Assessor Cultural da Federação de Trabalhadores Mineiros da Bolivía e conselheiro político dos seus principais dirigentes durante as ditaduras militares dos anos 70 e 80, Liber Forti sofreu perseguições, prisões, tortura e exílio.

Foi um dos impulsionaram a criação da Federação Agrária Departamental (FAD) que se traduziu numa aliança entre anarquistas e o movimento indígena durante as sublevações de 1947. Em 2012 participou no Encontro Anarquista Internacional em St-Imier (Suiça) para celebrar os 140 anos da Internacional Anarquista.

adaptado de: http://www.paginasiete.bo/cultura/2015/3/11/murio-gestor-cultural-sindicalista-minero-liber-forti-49759.html

ver mais: http://www.opinion.com.bo/opinion/articulos/2015/0311/noticias.php?id=155097

http://www.comibol.gob.bo/noticia/135-Liber_Forti__Tenemos_que_respirar_por_el_corazon

http://lapatriaenlinea.com/?nota=104757

Sebastião Alba, poeta vagabundo, inconformado e anarquista


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‘Súbdito só de quem não reina’

Sebastião Alba (de seu nome Dinis Albano Carneiro Gonçalves) nasceu em Braga em 1940 e ali morreu em 2000. Após viajar para Moçambique, passou a conviver com um importante grupo de escritores e intelectuais. Foi jornalista, guerrilheiro político, e teve uma vida bastante agitada e cheia de desilusões, com passagens por prisões e hospitais psiquiátricos. Alba passou com o tempo a viver como andarilho e vagabundo, acabando por morar na rua e morrer atropelado em Braga, sua terra natal. Deixa um bilhete dirigido ao irmão: «Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá».

“Um dos grandiosos deuses humildes da palavra”, foi como a ele se referiu  o poeta moçambicano José Craveirinha. (1)

O escritor e professor universitário José Manuel Mendes, de quem era amigo e com quem conviveu em Braga, diz que Sebastião Alba “era um homem muito crítico. O seu discurso não era o da indiferença, não o do alheamento. Era o de quem não renuncia aos seus princípios de sempre, princípios de uma certa radicalidade de esquerda, que eu diria com raízes libertárias, no sentido anarquista”. (2)

Outro amigo, Virgilio Alberto Vieira, confirma. “Ele tinha uma formação de esquerda, marxista-leninista, mas a sua desadaptação vai aproximá-lo de um certo anarquismo. Era um homem com valores políticos e morais muito fortes. Nesse sentido, não era um sem-abrigo. O Alba não é vítima de coisa nenhuma. É uma pessoa lúcida, que assume uma determinada conduta, porque achava que a sociedade está toda errada, dá às pessoas com uma mão e tira-lhes com a outra. Ele queria provar que não precisava de nada. Um sem-abrigo é um desamparado. Ele não. Ele assumia o desamparo como forma de lutar contra os falsos amparos. Discutíamos muito sobre isso, de forma violenta. ‘Então vens do trabalho, hem?’, gozava ele. Eu respondia: ‘E tu, parasita do caralho? Para andares aí, a tua filha tem de trabalhar para estudar!’ Ele ia aos arames. Mas gostava de provocar raiva. Queria réplica. Sabia que estava a pôr em causa valores que as pessoas davam por adquiridos.” (3)

Aqui Louvo os Animais

Súbdito só de quem não reina,
aqui louvo os animais.
Há, entre mim e eles, uma funda
relação de videntes:
as paisagens que fendem
e a minha, sepulta,
perfazem um mesmo habitat.
Desde que os não sondo,
fez-se luz em nosso convívio.
O ar inicial
que ensaiava, icárico,
nas bolas de sabão,
mas não atina com o vácuo
da cidade, vem-me
dos seus pulmões arborescentes.
Alheios à sua pele
na osmose dos textos,
ignoram que nas águas
por correr, desta página,
cruzam, saudando-se,
o «Beagle» e a Arca de Noé.
 .
Sebastião Alba, in ‘O Limite Diáfano’

*

Ninguém Meu Amor

Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos
 .
Sebastião Alba, in ‘A Noite Dividida’
 .

(1) http://www.culturapara.art.br/opoema/sebastiaoalba/sebastiaoalba.html

(2) (3) http://paulomoura.net/?p=1200

Segurança Social – os rabos de fora dos gatos escondidos


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 A imagem da Segurança Social corresponde à de um eletroencefalograma do seu ministro – um caos

Sumário

1 – Burlas e falta de transparência

2 – O espetáculo das listas de devedores à Segurança Social

3 – Algumas soluções

O Dinheiro Vivo[1] replicou recentemente o jornal I que, em 2013, referira que dívidas à Segurança Social superiores a € 3500 poderão conduzir a penas de prisão até três anos e a multas de € 180000 para pessoas e € 3.6 M para empresas.

Por outro lado, foi noticiada a existência de um grupo organizado constituído por responsáveis do Instituto da Segurança Social, um advogado, técnicos de contas e um lote dos chamados empresários, destinatários últimos do esquema criminoso montado[2].

(mais…)

(Eslovénia) Encontro de rádios anarquistas de 2 a 5 de Abril


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VOZES DO ANARQUISMO

Apelo à participação no encontro internacional de rádios anarquistas

De 2 a 5 de Abril de 2015, Lubliana – Eslovénia

Em Novembro partilhámos com os nossos companheiros da ampla rede anarquista a ideia de organizar um encontro internacional de rádios anarquistas em Lubliana (Eslovénia). Desde aí recebemos respostas positivas e algumas dessas iniciativas já confirmaram que pretendem participar activamente. Anunciamos, por isso, que a reunião se vai realizar entre os dias 2 e 5 de Abril, em Lubliana.

Acreditamos que este encontro não deve constituir apenas uma oportunidade para nos conhecermos e trocarmos experiências, mas também para metermos  mãos à obra e realizar alguma coisa mais prática.  Para que isto aconteça falta ainda fazermos muita coisa antes de todos começarem a se deslocar para Lubliana. E mais directamente – precisamos de um envolvimento activo por parte de todos vocês!

Convidamos grupos e indivíduos anarquistas que estejam ligados a  actividades radiofónicas (ou a desenvolverem iniciativas para isso) a envolverem-se no encontro mesmo ainda nesta fase de preparação!

(ler mais, em inglês)

Črna luknja collective

contacto: crnaluknja@radiostudent.si

rádio anarquista eslovena: http://radiostudent.si/druzba/crna-luknja

divulgado na página da FAO (Federação do Anarquismo Organizado [Eslovénia], filiada na Internacional de Federações Anarquistas)

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