(Bolívia) Morreu o anarquista, gestor cultural e sindicalista mineiro Liber Forti


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São muitas centenas de milhar os anarquistas que por todo o mundo estão envolvidos nos movimentos sociais e culturais, sempre em defesa dos de baixo, contra toda a exploração e toda a opressão e na luta por um mundo novo. Os anarquistas, seja através do trabalho esforçado, como nas minas, seja através do teatro, da poesia ou da música, transportam nos seus corações e nos seus gestos um mundo novo, como salientou Buenaventura Durruti. Na América Latina o novo movimento libertário ganha forças na memória e na radicalidade dos lutadores que nos precederam. Liber Forti é um caso raro. Atravessou gerações mantendo sempre a sua coerência anarquista e a sua ligação ao movimento operário, neste caso ao sector mineiro. Morreu agora aos 95 anos deixando uma memória inatacável.

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“Yo, no dirigí nunca una obra en ‘Nuevos Horizontes’, entre todos dirigimos; lo que sí propuse, fue la mesa redonda, después de cada ensayo; mesa redonda, en ella todos tienen voz, tanto el director como el peón; el público que está viéndonos o visitándonos, tiene también la palabra, opina sobre la obra, porque es para el público que se hace la obra, no se hace para los críticos teatrales, esto tiene que ver con un proyecto mío, “cómo se organiza la libertad”. El director por antonomasia tiene la tendencia a ser autoritario, un día me di cuenta que como anarquista no podía estar dirigiendo como a muñecos a los personajes.” Liber Forti (aqui)

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Libert Forti, fundador do mítico grupo teatral de Tupiza (no sudeste da Bolívia) e assessor cultural da Federação Sindical de Trabalhadores Mineiros da Bolívia (FSTMB) durante várias décadas, faleceu esta manhã (11 de Março) na cidade de Cochabamba aos 95 anos, vítima de cancro na laringe.

Nasceu a 19 de Agosto de 1919 na cidade de Tucumán. O seu pai, um conhecido sindicalista anarquista argentino que procurou refúgio em Tupiza fugindo da perseguição política, baptizou-o como Germinal Liber Forti Carrizo, mas todos o conheciam simplesmente por Liber (“livre”), o nome do deus da liberdade da mitologia romana.

Quando ainda era uma criança a família mudou-se para Tupiza, uma povoação que viu nascer a primeira organização anarquista da Bolívia, a ‘Unión Obrera Primero de Mayo”, em 1906 e o jornal “ La Aurora Social”. O seu pai, Mário Forti, criou uma tipografia e uma livraria, “Renascimento”, na qual teve a sua aproximação às letras, o manejo dos tipos móveis de que chegou a ser um especialista.

O poeta anarquista espanhol León Felipe descreveu-o como um “lutador amoroso pela justiça”, mas ele, um homem de proverbial humidade, definia-se simplesmente como um “homem de sandálias”. Nunca teve dúvidas em proclamar-se tupicenho e boliviano. “Tudo o que a Bolívia tenha a ver com a minha vida ou que eu tenha a ver com a Bolívia não tem explicação”, disse à jornalista Mónica Heinrich. “Em Tupiza aprendi a ler”, recordou na mesma entrevista, e sublinhou que na Bolívia “encontrei o divino espaço da fraternidade” e “o amor pela gente trabalhadora”.

Liber fez as suas primeiras experiências teatrais num teatro da Federación Obrera Regional Argentina (FORA), um influente sindicato anarquista na altura. Anos depois, em 1945, decidiu radicar-se em Tupiza para ajudar o seu pai, ocasião em que criou um grupo de radioteatro. Pouco depois juntou-se ao conjunto teatral da Secção de Arte e Cultura do Clube The Strongest de Tupiza com Alipio Medinaceli, Iván Barrientos e outros jovens tupicenhos com quem fundou um ano depois, a 1 de Maio de 1976, ‘Novos Horizontes’.

Assessor Cultural da Federação de Trabalhadores Mineiros da Bolivía e conselheiro político dos seus principais dirigentes durante as ditaduras militares dos anos 70 e 80, Liber Forti sofreu perseguições, prisões, tortura e exílio.

Foi um dos impulsionaram a criação da Federação Agrária Departamental (FAD) que se traduziu numa aliança entre anarquistas e o movimento indígena durante as sublevações de 1947. Em 2012 participou no Encontro Anarquista Internacional em St-Imier (Suiça) para celebrar os 140 anos da Internacional Anarquista.

adaptado de: http://www.paginasiete.bo/cultura/2015/3/11/murio-gestor-cultural-sindicalista-minero-liber-forti-49759.html

ver mais: http://www.opinion.com.bo/opinion/articulos/2015/0311/noticias.php?id=155097

http://www.comibol.gob.bo/noticia/135-Liber_Forti__Tenemos_que_respirar_por_el_corazon

http://lapatriaenlinea.com/?nota=104757

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