Day: Março 13, 2015

Ciganos nómadas do Alentejo (maltratados pela GNR e pelo Estado) retratados em exposição em Nova Iorque


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Um conjunto de fotografias de uma família de ciganos da autoria do francês Pierre Gonord, agora expostas em Nova Iorque, tem causado inúmeras partilhas no facebook nestes últimos dias. Os retratos, usando um estilo barroco, têm uma grande força e transmitem uma enorme energia. São ciganos nómadas que, em geral, atravessam as estradas do Alentejo. Mas esta família em particular tem uma história contada pela actriz Alexandra Espiridião no facebook. Estes ciganos são muito pobres e costumam acampar num terreno livre junto à antiga escola primária em que o grupo de Teatro Pim tem a sua sede nos arredores de Évora. É na sede e escola de teatro do Pim que se abastecem de água quando por aqui andam e é em casa da Alexandra que têm a sua morada oficial (nómadas, acampando aqui e ali, é a casa da actriz que chegam os papéis oficiais com que o Estado pretende controlar esta população itinerante.)

Escreve Alexandra Espiridião: “A bela Maria mãe dos gémeos e do pequeno Rogério, de mais duas meninas e um jovem surdo, vive com 380 euros /mês. Os 3 ou 4 cavalos ou mulas k tinha para vender foram apreendidos por ordem do ministério da agricultura porque não tinham documentos (condoeram-se com as suas lágrimas e deixaram lhe a mula branca k puxa a carroça). Recebeu hoje a decisão do tribunal de Elvas  – 210 euros de coima por acampar no olival das pias.”

E mais à frente: “A Maria estará hoje no centro de emprego de Évora, com os gémeos ao colo e nas mãos um papel que não sabe ler (são letras e quadradinhos), que deve preencher indicando o seu desejo de continuar ali inscrita. Somos uma sociedade cínica e fútil, enchemos aqui a boca com a sua beleza, e nos demais dias imprecamos contra a sua incapacidade de se integrarem, de serem «cidadãos normais». A Maria tem morada oficial na minha casa, da sua vida só conheço o que vem escrito nas cartas, que o carteiro me entrega com um sorriso cúmplice, leio-as, avalio a sua urgência e chamo-a, sou uma espécie de intermediária entre este mundo e o outro”.

E a concluir: “Pode ser que a sua presença em Nova Iorque sirva para abrir um debate que conduza a uma acção politica e social que nos dignifique a tod@s ciganos e não ciganos, nómadas e sedentários. Porque feio feio foi terem-lhes fechado os baldios, foi terem aterrado os poços, é inventarem estratégias para os empurrar daqui para fora …”

Será que estas fotos surpreendentemente belas, que estão a correr mundo, não poderão, nem que seja um bocadinho, reverter a seu favor, amenizando os seus dias ou pelos menos protegendo-os da fúria da GNR, hábil em destruir acampamentos pela força, e do Estado, célere nas multas e no corte das migalhas que mensalmente lhes atribui?

Para já as suas fotos atravessam o planeta, andarilhas e nómadas como eles. Os seus algozes, pelo contrário, ficarão para sempre anónimos no limbo da história

(Évora) Este sábado no Mercado Municipal: troca de sementes e experiências


caravanne

Há uns dias no email do Portal Anarquista recebemos a indicação de que tinha chegado a Évora uma caravana de “novos nómadas” que traziam consigo diversas experiências que queriam partilhar, no campo das lutas alternativas, das zonas a defender (ZAD’s), a defesa das sementes tradicionais, etc., etc.. Pois bem, eles já aqui estão, e amanhã convidam toda a população a ir ao Mercado Municipal, a partir das 8 horas da manhã para esta troca de experiências. Já de seguida o manifesto que nos enviaram e que também pode ser lido na página do evento.

CARAVANE EM ÉVORA – Pão, Partilha e Troca de Sementes

Apresentação de uma pequena caravana que passa por Portugal em Março de 2015
A Caravana trans-hibernal!

Escolhemos a Península Ibérica por razões climáticas… Não, realmente escolhemos esta zona porque sentimos que podíamos fazer facilmente a conecção entre os mundos militantes francófonos, hispanófones e lusófones. Temos a intenção de passar os Pirinéus, de um lado e doutro, conhecer as novas (e antigas) lutas, as alternativas, os movimentos de pensamento emergentes.

Depois de outras experiencias, queremos tentar ser realmente eficazes. Por agora, não procuramos optimizar o nosso funcionamento, nem criar uma dinâmica de grupo necessariamente inclusiva, visível, exemplar. Contamos com uma autonomia material própria de cada uma, prevemos uma parte do trajecto em pequeno grupo, como para Portugal, não procuramos estar muito visíveis (bem que não seja fácil) como aconteceria com um grupo nómada imponente. Um pouco contra os nossos hábitos, estaremos presentes de uma outra maneira, para ter a oportunidade de aprofundar outros aspectos…

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