Ciganos nómadas do Alentejo (maltratados pela GNR e pelo Estado) retratados em exposição em Nova Iorque


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Um conjunto de fotografias de uma família de ciganos da autoria do francês Pierre Gonord, agora expostas em Nova Iorque, tem causado inúmeras partilhas no facebook nestes últimos dias. Os retratos, usando um estilo barroco, têm uma grande força e transmitem uma enorme energia. São ciganos nómadas que, em geral, atravessam as estradas do Alentejo. Mas esta família em particular tem uma história contada pela actriz Alexandra Espiridião no facebook. Estes ciganos são muito pobres e costumam acampar num terreno livre junto à antiga escola primária em que o grupo de Teatro Pim tem a sua sede nos arredores de Évora. É na sede e escola de teatro do Pim que se abastecem de água quando por aqui andam e é em casa da Alexandra que têm a sua morada oficial (nómadas, acampando aqui e ali, é a casa da actriz que chegam os papéis oficiais com que o Estado pretende controlar esta população itinerante.)

Escreve Alexandra Espiridião: “A bela Maria mãe dos gémeos e do pequeno Rogério, de mais duas meninas e um jovem surdo, vive com 380 euros /mês. Os 3 ou 4 cavalos ou mulas k tinha para vender foram apreendidos por ordem do ministério da agricultura porque não tinham documentos (condoeram-se com as suas lágrimas e deixaram lhe a mula branca k puxa a carroça). Recebeu hoje a decisão do tribunal de Elvas  – 210 euros de coima por acampar no olival das pias.”

E mais à frente: “A Maria estará hoje no centro de emprego de Évora, com os gémeos ao colo e nas mãos um papel que não sabe ler (são letras e quadradinhos), que deve preencher indicando o seu desejo de continuar ali inscrita. Somos uma sociedade cínica e fútil, enchemos aqui a boca com a sua beleza, e nos demais dias imprecamos contra a sua incapacidade de se integrarem, de serem «cidadãos normais». A Maria tem morada oficial na minha casa, da sua vida só conheço o que vem escrito nas cartas, que o carteiro me entrega com um sorriso cúmplice, leio-as, avalio a sua urgência e chamo-a, sou uma espécie de intermediária entre este mundo e o outro”.

E a concluir: “Pode ser que a sua presença em Nova Iorque sirva para abrir um debate que conduza a uma acção politica e social que nos dignifique a tod@s ciganos e não ciganos, nómadas e sedentários. Porque feio feio foi terem-lhes fechado os baldios, foi terem aterrado os poços, é inventarem estratégias para os empurrar daqui para fora …”

Será que estas fotos surpreendentemente belas, que estão a correr mundo, não poderão, nem que seja um bocadinho, reverter a seu favor, amenizando os seus dias ou pelos menos protegendo-os da fúria da GNR, hábil em destruir acampamentos pela força, e do Estado, célere nas multas e no corte das migalhas que mensalmente lhes atribui?

Para já as suas fotos atravessam o planeta, andarilhas e nómadas como eles. Os seus algozes, pelo contrário, ficarão para sempre anónimos no limbo da história

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8 comments

  1. É com estes quereres e fazeres que se amassa um mundo que se quer diferente… que nada mais é que as esperanças que estas crianças e os filhos destas crianças comam, bebam, habitem e cavalguem a sua vida livremente entre iguais!
    Podem chamar-lhe utopia. Porém, alguém disse que a utopia é como a linha do horizonte: caminha-se um passo e ela afasta-se um passo. Mas caminha-se e reflecte-se o caminhado, porra!

  2. Tendo observado de perto esta comunidade posso assegurar que não são maltradados, mas sim eles próprios mostram uma falta de respeito constante por tudo o que interfere com os seus desejos. Vi inclusivamente o cigano que se apresenta retrato com um chapéu característico (3ª fotografia) atravessar-se em frente de 4 vias de sentidos opostos e ir com a sua carroça, indiferentemente, por uma rua de sentido proibido tendo como consequência que todos os outros veículos para evitarem um acidente se puseram em cima do passeio. Também o rapaz cigano retratado na exposição pode ser encontrado frequentemente a pedir num parque de uma grande superfície. Podemos dizer que querem ser livres, mas pelo que observo no terreno pretendem benefícios sociais e não abdicam nem respeitam outros costumes. No entanto exigem respeito e reconhecimento pelas suas. Parece-me que esta teoria de racismo e xenofobia não é sobre os ciganos, mas neste momento do tempo, dos ciganos sobre os não ciganos.

    1. Sra. Elsa Aurora Brown, à ciganos e ciganos, à brancos e brancos, à corruptos e corruptos, à ladrões e ladrões, (e muitos de colarinho branco), etc. etc. Aconteceu comigo em Moura no Pingo Doce, um ser de etnia cigana tentou passar-me à frente para ser atendido, chamei-lhe à atenção com bons modos para o seu acto e após uma troca de palavras, compreendeu a situação e pediu desculpa… a Sra. agora pense o que quiser, práticas como estas é o dia a dia aqui em Lisboa e não são ciganos… se, em vez de censurar-mos primeiro e conversássemos entre os povos de todas as cores não havia racismo, o racismo só serve a certos senhores.

      1. Desculpe lá mas essa resposta não tem nada haver com aquilo que a senhora Elsa escreveu, a Senhora Elsa escreveu sobre esses ciganos em questão que estão a ser colocados como os coitadinhos por esse francês (que com certeza tem outros interesses) e não escreveu sobre a raça cigana, por isso esta ” boca” para a Senhora Dona Elsa não faz sentido algum, pode sim fazer para quem fale mal de TODOS os ciganos

  3. Bem eu gostava de ter os mesmos direitos que os ciganos. 380 euros já era mais do que o que recebo por mês, que é…zero.
    380 é mais do que a reforma do meu pai. E eu enquanto não consigo arranjar emprego, dava-nos jeito uns trocos, já que o meu pai é inválido e não o posso deixar e emigrar. Dava jeito termos mais 300 euros lá em casa (sim porque nem sequer estou a escrever de casa, pois não tenho dinheiro para internet.), para não ficarmos dias a pão e água ou ás vezes sem electricidade.
    Não estou a dizer para os ciganos não receberem…estou a dizer para eu receber, também.

  4. Eu…e toda a gente que não está a receber nada e não consegue encontrar emprego…não á discriminação. Nem de uns…nem de outros.

  5. Para a sra Ana
    Eu sou de etnia cigana integrei-me na vossa sociedade já tive vários trabalhos e descontei para a segurança social, de momento eu e o meu marido estamos desempregados com 2 crianças pequenas e também não temos qualquer ajuda da segurança social

  6. O governo portugues nao deixa esse povo tao sofrido viverem livres porque nunca tiverao a oportunidade de se reentregarce na sociadade porque o governo nunca deu uma chance de os ajudar esse povo que foi vitima de racismo de preconceitos foram descriminados perseguidos agora q os retratos estao nas galerias de new yorque e q o governo portugues quer os elogios o governo desde muitos anos atras nunca deixou esse povo enriqucer nem prosperar que lhe tiravam lhe suas riquezas em portugal a sociadade e que marginale zou o povo cigano tirando os direitos de ter bens . E tambem fizeram genocidios em portugal contra o povo cigano que lhe davam uma injeçao para nao terem mais filhos

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