Os bloquistas deram agora em estudiosos do pensamento libertário!


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Aí está mais uma conferência/debate sobre Gonçalves Correia, desta vez na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, em Lisboa, onde também vai decorrer na próxima quinta-feira a segunda edição do colóquio “Pensamento Libertário: Passado, Presente e Futuro”. Do ponto de vista libertário todas estas iniciativas são bem vindas e abordar o anarquismo e o ideário libertário é sempre positivo. No debate das ideias e na exposição das práticas nada temos a recear: o anarquismo é vertical (assume com verticalidade as suas posições e opções) e sempre soube juntar muito bem a teoria e a prática.

Por isso, mais surpreendente é que estes debates e conferências estejam a ser “monopolizados” por estudiosos e académicos, na maior parte dos casos,  identificados desde sempre com o Bloco de Esquerda, seja na sua vertente ideológica trotskista ou estalinista (ainda há gente que se afirma como tal, não se riam!). Havendo tanta matéria-prima humana no anarquismo, capaz de dar voz à sua história, para além de surpreendente este novíssimo interesse pelos temas e causas libertárias tomado de supetão por marxistas de fina cêpa levanta ainda mais suspeitas. Que fará Constantino Piçarra, atreito à sua UDP estalinista, a dedicar algumas horas ao anarquista Gonçalves Correia? (De Francisca Bicho, ex-vereadora do PCP na Câmara de Cuba já se sabe que Gonçalves Correia era um “amor” de adolescência, mas esta “fraqueza” de Constantino Piçarra não era conhecida…). Que “linha de estudo” seguirá agora a televisiva, mediática e rubra Raquel Varela para, também ela, se interessar pelo anarquista, vegetariano, antimilitarista e precursor das cooperativas integrais, o alentejano Gonçalves Correia? Ou Fernando Rosas – ele próprio, um dos Papas da extrema-esquerda – a interessar-se agora pel’ “o anarquismo na primeira metade do século XX português” e a participar como conferencista num painel vasto sobre as ideias libertárias?

Tenho para mim que à medida que o pensamento marxista se esfuma só fica o anarquismo como alternativa a quem pretenda lutar por um mundo novo, baseado na liberdade, na igualdade e na solidariedade. Talvez não seja ainda o caso destes estudiosos, enredados nas suas vestes académicas de muitos comprometimentos com o(s) poder(es), mas é possível que a falta de referências e de lastro histórico e a ausência de saídas alternativas no quadro dos espaços políticos em que se movimentam (e que estão em desmoronamento) os façam – uns com boas intenções, outros como tentativa de recuperação daquilo que já deviam saber que é irrecuperável (o anarquismo e os que lhe deram e dão vida) – aproximarem-se e tentarem compreender as ideias-chave do movimento libertário. Será?

Nós, anarquistas, somos abertos, dialogantes, gostamos do debate e achamos que a história e o passado não são património de ninguém. Recusamos heranças alheias, mas não gostamos que outros se queiram apossar de uma herança e de um património que, sendo de todos, por maioria de razão pertence aos que hoje lutam e travam as mesmas batalhas, em nome das mesmas bandeiras. Por isso, estaremos nestes debates para que a nossa voz se faça ouvir. E para não deixar – se for esse o caso – que “estudiosos” (alguns da mula ruça), mas todos de boa extracção marxistóide, arrastem na lama do seu pensamento alegadamente científico as ideias e as acções de gente que fez da Revolução Social e do Anarquismo (à margem de todas as prebendas e regalias político-sociais) o seu grande objectivo de vida, como foi o caso de Gonçalves Correia e de muitos outros.

 e.m.

confereênia

27 comments

  1. Que patetice pegada. Não lia um texto “anarquista” tão mau há muito tempo.

    1) Primeiro porque é que apenas pessoas com cartão do partido anarquista podem falar sobre anarquismo sem serem insultados e alvo de processos de intenções?

    2) O “pensamento marxista” nunca foi unificado, homogéneo e sempre teve várias vertentes explicitamente antiautoritárias. Do mesmo modo, aquele ao qual se chama “movimento libertário” também teve em inúmeros momentos da sua história momentos menos claros. Contrariamente ao que diz o autor o pensamento marxista não se está a esfumar, muito pelo contrário, e muito menos há um quadro ideológico objectivo chamado “anarquismo” que o esteja a substituir.

    3) Por fim esse último parágrafo onde se reclama propriedade de uma ideologia “por maioria de razão” (o slogan do corpo intervenção, nem mais).

    Sinceramente tenho pena de ver esta patetice pegada, e do mais autoritário que há, publicado num blogue que se tem revelado extremamente interessante

    1. Tiago:

      Fique com as suas certezas. Ficam-lhe bem, como essa de que “o pensamento marxista” tem vertentes anti-autoritárias. Tem-se visto o que têm dado essas tais correntes, sempre empenhadas na conquista do aparelho de Estado e nas práticas estatistas que lhe estão subjacentes. Quanto ao marxismo estar ou não a esfumar-se, basta apenas olhar em seu redor…
      Só uma pequena nota: no anarquismo não há partido nenhum, nem – muito menos – cartão de partido. Cada qual pensa como muito bem quer, sem estar ligado a uma pauta hierárquica e centralista, onde cada um vai “pensando” o que o do escalão superior o manda “pensar”. Expressar uma opinião – e neste caso constatar um facto: o de que vários académicos do Bloco de Esquerda em Portugal parecem ter descoberto agora o mundo libertário, participando em debates e seminários sobre o mundo acrata – não é insultar ninguém ou ser alvo de processo de intenções. Só esperamos é que esta descoberta do mundo libertário por parte duma franja intimamente comprometida com a política autoritária de raiz marxista e agora parlamentarista, via Bloco de Esquerda, lhes ensine alguma coisa – e que não tragam o seu gosto pelas perseguições, pela vitimização, pelas “linhas justas”, etc, etc. para um debate onde – se for esse o caso – pouco têm a acrescentar.
      Porque, se é para dividir para reinar, já basta o “bom trabalho” que alguns destes “paladinos da modernidade” têm feito no próprio BE.

      1. caríssimos

        Lá por demonstrarem uma manifesta ignorância relativamente à história do marxismo não quer dizer que toda a gente tenha de seguir a vossa bitola. Vcs claramente confundem comunismo com marxismo, marxismo com Lenin ismo e leninismo com marxismo -leninismo. Há inúmeras tendências marxistas antiautoritarias: o comunismo de concelhos, a esquerda alemã-holandesa do início do séc XX, os autónomos italianos e americanos, os situacionistas, a ultra-esquerda dos anos 60 e as várias tendências da comunicação.

        Quanto ao cartão do partido vocês não o tem no bolso mas estampado na testa, o que é bastante pior.

        Que miséria de texto, que miséria de crítica e que miséria de autoritarismo

  2. A pedido do autor do post fizemos algumas pequenas alterações, nomeadamente corrigindo alguns erros (Gonçalves Correia aparecia duas vezes como Bento Gonçalves…) e clarificando algumas frases.

  3. com que então o corpo das intervenções, constituido por Raquel Varela, Fernando Rosas, Constantino Piçarra… são marxistas “anti-autoritários” ?… assim se vê o vosso entendimento da coisa…

    1. O Zé Manuel devia aprender a ler. Quem é que disse que a varela e o rosas eram marxistas antiautoritarios?

      E mesmo não sendo, porque é que não podem discutir o anarquismo? Têm de pedir autorização à AIT?

      Vocês? Vocês quem Zé Manel?

      1. tranquilo homem, não precisas de pedir autorização a ninguém, e creio que a AIT só se representa a si mesma. Façam os colóquios que quiserem, mas naturalmente também tomo a liberdade de opinar, e afirmar que as configurações, deste evento em particular, são no mínimo insidiosas. Vocês, quero dizer, marxoides de todas as cores que hoje falam de pensamento libertário e amanhã saltam para o parlamento, ou não, cada vez menos gente vai nessa história…. Porque é triste ver as estrelas da esquerda, os figurões comentadores da televisão, os rapa-tachos dos partidos, os profissionais da análise, falarem de anarquia. Dessas boca só pode sair lixo. Podem sintetizar o que vos apetecer, mas uma coisa é o comunismo, outra é a anarquia, são inconfundíveis.

      2. A AIT-SP decide colectiva e horizontalmente, não se imiscuindo nas opiniões individuais dos seus membros.

        É realmente triste confundir-se anarquismo, com anarco-sindicalismo e provocar uma organização que, historicamente, sempre defendeu os trabalhadores e que pretende a sua real emancipação. Ao contrário de sindicatos que são piramidais e meras extensões de partidos políticos, como sabemos.

        Já agora, escreve-se conselhos e não “concelhos”.

  4. Infelizmente, apesar do grande respeito que tenho pelo Portal Anarquista e pelo trabalho que tem vinda a desempenhar, não posso deixar de lamentar a posição aqui defendida sobre a realização do colóquio “Pensamento Libertário: Passado, Presente e Futuro”. Estas declarações revelam uma grande falta de honestidade intelectual e um fechamento ao debate que em nada dignificam o trabalho das pessoas que formam o Portal Anarquista nem o empenho daqueles que trazem à Universidade o debate sobre as correntes libertárias (uma Universidade que já de si é um espaço muito fechado a estas ideias… comprometido que está com outras).

    Acredito, porém, que poucos são os libertários que se revém neste tipo de argumentação simplista e típica daqueles que se julgam donos da verdade dos factos. E acredito igualmente que estas declarações não reflectem a posição do Portal Anarquista relativamente a esta iniciativa em concreto. De resto, este mesmo Portal esteve presente na 1ª edição do colóquio, que se realizou na FCSH-UBI em Março de 2014, e cujo balanço foi extraordinariamente positivo.

    O debate será aberto ao público e a entrada é livre de qualquer custo, como se exige da Universidade, e por isso todos podem marcar presença e usar da palavra. Será uma óptima oportunidade para divulgar o pensamento libertário e o trabalho de muitos activistas, mas também, e acima de tudo, para aprender com todos quantos têm ideias para partilhar.

  5. Tiago, desculpa lá, mas onde é que andas a comprar erva? Olha que, pelo que escreves, a que andas a fumar está toda marada! Anarquistas no Parlamento? Já viste que a coisa não joga: se estão no parlamento não podem ser anarquistas, ou melhor, se são anarquistas nunca estarão no Parlamento.. E já agora: não te excites muito com tão pouco porque a ejaculação precoce é sempre mau sintoma.
    Mas toma nota do que te digo: muda de dealer que o que andas a fumar tá mesmo marado! E tu mereces melhor. Nem que seja só um bocadinho.

      1. Vou ficar por aqui, mas ó Tiago, perdoa-me que te diga, o pó que andas a tomar está mesmo marado de todo. Da participação dos anarquistas no Governo revolucionário espanhol, ao tempo da Revolução e da Guerra Civil, já foram escritas milhares de páginas. Foi uma situação excepcional, temporária, que não deixou boas memórias a ninguém e que hoje é um dado adquirido, nos meios libertários, que haja ou não situações excepcionais a participação no Estado e no governo NUNCA deve ser solução. As outras situações que citas, como se tivesses descoberto a pólvora – ora toma, vejam o que encontrei no mapa das citações!!! – são o que são: pessoas e militantes que foram anarquistas e que deixaram de o ser e entraram pelo parlamentarismo e pela política partidária no mainstream da sociedade do espectáculo de que tu és, claramente, um participante. Voltar com a bandeira da Maria de Lurdes Rodrigues, que na sua juventude achou que era anarquista e depois deixou de o ser ou de Javier Couso, que teve o mesmo percurso, é desonestidade intelectual. Eles FORAM anarquistas e deixaram de o ser e nunca o esconderam, enveredaram por outros caminhos e estão no seu direito. Agora dizer-se anarquista e participar no espectáculo eleitoral ou dizer-se anti-autoritário a aceitar a organização partidária, centralizada, como instrumento de libertação, essa é que não lembra ao diabo.
        Muda de dealer, como te recomendei, ou ainda acabas por não dizeres coisa com coisa (e olha que já lá andas perto!)

      2. Caro Luis,

        É impressionante a velocidade com que ao longo do dia sucessivas pessoas foram treslendo o que fui escrevendo. Nunca, me nenhum momento, defendi partidos políticos, o parlamento, as eleições ou qualquer coisa que se parecesse. Não tenho qualquer simpatia pelo PCP, pelo SYRIZA, pelo BE, pelo AGIR, pelo MAS ou sequer por projectos embrionários de partidos. Não defendi sequer o marxismo em si, disse que apenas que não faltam tendências antiautoritárias à história do marxismo.

        Num comentário em cima o “ze manel” acusa-me de estar prestes a saltar para o parlamento. Apenas quis ressalvar que já aconteceu a muita gente dizer-se anarquista e posteriormente assumir funções de governo continuando a assumir-se anarquista. Que o Luis não ache que eles são MESMO anarquistas é algo para o qual eles, tal como toda a gente minimamente sã, se está totalmente a cagar.

        De resto talvez queira reler a sociedade do espectáculo, um livro profundamente marxista, já que uma leitura mais profunda pode eventualmente impedir-te de voltar utilizar a expressão tão gratuitamente. O “mainstream” da sociedade do espectáculo? LOL.

        O mais espantoso em toda esta discussão é a necessidade de várias e tantas pessoas em assumir qualidades de juiz relativamente a quão anarquistas são os outros e se tem legitimidade ou não em assumir ou discutir a questão. Há algo que se torna óbvio: as mais interessantes experiências antiautoritárias e antiestatais, anarquistas portanto, foram sempre aquelas que rapidamente se desembaraçaram de um “anarquismo” ideológico, programático, sectário. Precisamente o “anarquismo” que por aqui se prega, porque aqui, já se viu, joga-se apenas aos tribunais ideológicos.

        Diz o Luis que é contraditório para um anarquista aceitar hierarquias centralizadas. Com certeza privou pouco com os meios “anarquistas”, já que o que mais há são precisamente hierarquias centralizadas, só que clandestinas e informais. Vários colectivos anarquistas escreveram já bastante sobre isso e as edições antipáticas editaram, faz agora dez anos, alguns textos sobre o assunto que o Luis ganharia muito em consultar. (aproveite também que no site lá está “a sociedade do espectáculo”)

        http://edicoesantipaticas.tumblr.com/#12924720869

        http://edicoesantipaticas.tumblr.com/#12924386185

        De resto, companheiro, quem devia ter cuidado com as drogas é o Luis, porque anda a falar como quem deu demasiadas raias e ainda não percebeu que a única pessoa que está a impressionar é a si próprio.

        Saúde e Anarquia,

        Tiago

  6. Caro Tiago, o Zé Manel não te quer mal pá, mesmo depois de o mandares para o caralho, é apenas um avatar… De resto, não o verias aqui a criticar uma conversa organizada pelos antipáticos sobre “marxismo libertário”, independentemente de discordar do conceito ou não…

    no entanto, se existisse uma “bakuninismo libertário”, um “proudhonismo libertário”, também os acharia ridículos.

    A sociedade do espectáculo é um bom livro. Guardo com grande apreço a edição com capa prateada. Vê lá tu que até foi um anarquista que mo vendeu!

    faz um que o meu já tá morto…

  7. Dado que este texto provocou uma relativa polémica, quer aqui, quer no facebook, deixem que acrescente algumas palavras, enquanto autor do mesmo:

    Já li e reli o texto e não vejo nele nada que tenha escrito e que possa incomodar quem quer que seja. Fala de algo que é uma realidade, o facto de alguns militantes do BE, especialistas em história contemporânea, estarem a abordar temas relacionados com o anarquismo. É um facto ou não é? O texto até salienta que isso é bom, que o anarquismo seja debatido onde quer que seja. Em lado algum se diz que militantes do BE ou deste ou daquele agrupamento devem ou não devem aboradr questões relativas ao anarquismo. O pensamento e a investigação, ainda bem, que são livres.
    Claro, que, situando-me num ponto de vista libertário e militante, é natural que gostasse de ver esses temas abordados por pessoas que estivessem próximo das ideias libertárias. Não é o caso, paciência. Que diriam os camaradas do Bloco (ou dos seus sucedâneos e correlativos) se um dia um historiador anarquista abordasse o delicado tema do “Pensamento de Francisco Louçã na viragem do século XX para o XXI”? Talvez sentissem algum incómodo, mas deixariam a caravana passar. É o que se passa nos meios libertários face a alguns dos temas escolhidos e a alguns dos oradores. E se neste debate pré-conferência houve alguma coisa curiosa foi a ferocidade de alguns opinadores como se lhes tivesse caído o Carmo e a Trindade em cima. Haja calma: ainda há muito caminho para fazer e nem todos chegarão ao fim. Geralmente os mais ruidosos e intransigentes são sempre os que saem no primeiro apeadeiro.
    Para os mais apressados gostaria de deixar também alguma leitura, sobretudo ao Tiago (ou será Renato?) que no seu comentário ao texto começa logo por um dialogante e reconfortante: “Que patetice pegada”. Recomendo-lhe(s) o belíssimo livro do anarquista algarvio Júlio Carrapato dedicado à espécie jurássica em causa: “Resposta de Um Anarquista aos Últimos Moicanos do Marxismo e do Leninismo, assim como aos inúmeros Pintaínhos da Democracia”. Boas leituras.

    e.m.

    1. Quando numa discussão alguém me recomenda ler Júlio Carrapato é sinal de que já lá estou à demasiado tempo.

      Espero que amanhã não deixem de marcar presença a defender a honra de casa.

      Saudações anarco-libertárias,

      Tiago

    2. Olá E.M. Venho por este meio informar que estarei com todo o gosto e prazer na conferência para me rir com a mediocridade anarquista patente! Vou adorar ouvir “a vossa voz” e quem sabe ainda dê para vos fazer engolir uma cadeira. Saudações Marxistas Leninistas.

      1. Eu também estarei lá e esperarei para te ouvir minha Krupskaiazinha de trazer por casa… Se a cadeira a que te referes for a do “materialismo histórico e materialismo dialéctico segundo São Marx”, não obrigado, engole-a tu. Envenenada por envenenada já tu deves estar com tanto lixo teórico e tanta masturbaçãozinha intelectual ao som dos hinos soviéticos dos belos tempos…

      2. tens razão, com intervenientes comunas, não poderia ser menos medíocre… espelhas bem a natureza do marxismo leninismo: ameaças de porrada, acobardadas atrás do computador… Se te identificares nós aparecemos…

  8. “Nós, anarquistas, somos abertos, dialogantes…” Será que são mesmo?

    Se realmente o fossem, não se teriam já apercebido que afirmar que, no presente, “o pensamento marxista se esfuma” é uma aberração inenarrável?

    Já agora, que coisa é essa (supostamente unificada) que vocês, os anarquistas homologados por autoridades competentes, rotulam de “o pensamento marxista”?

    Saudações anarquistas não-homologadas,

    PDuarte

  9. memoria de um debate
    Fabio Luz em 11 de julho de 2010 05:48
    CARTA À FARJ SOBRE A HISTÓRIA DO ANARQUISMO E DO 1º DE MAIO NO BRASIL.
    Lamentável que tenhamos que apontar o uso distorcido das fontes, principalmente do material do historiador Edgar Rodrigues, o jornal a PLEBE, o jornal a Voz do Trabalhador, o Amigo do Povo, a Greve, a Revolta, a Luta Social, a Barricada, num ato intencional de ataque a memória do movimento operário no Brasil.
    1- O texto tem um viés ideológico muito grande que muda o conteúdo da interpretação dos fatos históricos.
    Existe uma visão equivocadamente especifista como forma de justificar a traição da FARJ em não aderir às resoluções da Primeira Jornada Libertaria, em Florianópolis (1986) que lançou as bases para reorganização da COB e da organização dos anarquistas; e o Primeiro Congresso Anarquista pós ditadura, realizado no 1º de maio de 1986, nas sede do Centro de Cultura Social, à Rua Rubino de Oliveira, 85 – Brás, São Paulo.
    A resolução primeira foi a da Reorganização da COB no Brasil.
    Prende-se mais a necessidade de afirmar-se no campo ideológico, modificando intencionalmente a realidade dos fatos.
    A CONFEDERAÇÃO OPERÁRIA BRASILEIRA, NUNCA FOI ANARCO-SINDICALISTA!
    Foi criada, dentro de uma visão anarquista, como um instrumento aglutinador do movimento operário e não para atender segmentos ideológicos do movimento.
    Como comprovam as bases de acordo da COB.
    BASES DE ACORDO
    1º Congresso Operário Brasileiro, 1906, Rio de Janeiro.
    “a) A Confederação Operária Brasileira organizada sobre as presentes bases de acordo tem por fim promover a união dos trabalhadores assalariados para a defesa dos seus interesses morais e materiais, econômicos e profissionais.
    b) Estreitar os laços de solidariedade entre o proletariado organizado, dando mais força e coesão aos seus esforços e reivindicações, tanto moral como material.
    c) Estudar e propagar os meios de emancipação do proletariado e defender em público as reivindicações econômicas dos trabalhadores, servindo-se para isso de todos os meios de propaganda conhecidos. Nomeadamente de um jornal que se intitulará A Voz do Trabalhador.
    d) Reunir e publicar dados estatísticos e informações exatas sobre o movimento operário e as condições de trabalho em todo país.”
    2 – Apontamos também o esquecimento, entre outros, do importante fato histórico que foi o Decreto do Estado de sítio, que suprimiu os direitos civis no país, para reprimir o movimento operário em detrimento as amplas Conquistas Sociais alcançadas pelos trabalhadores organizados.
    Salientamos também o desconhecimento da legislação que tornou obrigatório o uso da Carteira Profissional de Trabalho, onde o Estado e a ditadura através do seu aliado o Partido Comunista do Brasil, agindo como interventores do movimento, se valem da sua implantação com a finalidade de: a) fichar os trabalhadores, b) fechar sindicatos e a COB, c) perseguir os anarquistas e desarticular o sindicalismo livre. Impedindo sua sobrevivência enquanto proposta sindical nos “novos” sindicatos, criados pela Revolução burguesa de 1930. Com base na Organização Internacional do Trabalho-OIT (1919) regulamentada pela ideologia fascista na Carta do Trabalho (1927) adotada por Vargas.
    Decreto nº 21.175, de 21 de março de 1932 e regulamentada pelo Decreto nº. 22.035, de 29 de outubro de 1932
    CONFEDERAÇÃO OPERÁRIA BRASILEIRA
    SEÇÃO DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES
    Fabio Luz em 8 de janeiro de 2014 13:19
    Rafael e Alvaro!
    Lamento por vc que não conheça um pouco dos acordos e da história do movimento libertário brasileiro. Pois se assim o fosse, muitos mais poderíamos andar juntos.
    – Os remanescentes do movimento libertário e dos sindicatos livres da confederação operaria brasileira, nos seus ideais, acordes, congressos e aspirações não morreram nos anos das ditaduras militares, primeiro a de Getulio Vargas e segundo a do Castelo Branco.
    – Os militantes se reuniam como podiam para permanecerem articulados e assim contribuíram para os acontecimentos históricos que se sucederam.
    O Centro de estudos professor José Oiticica, com seus militantes, Ideal Peres, Edgar Rodrigues, Diamantino, Ester Redes e outros foram um esteio no Rio de Janeiro. Assim como o Cuberos e outros em São Paulo, o Manolo em outros no RS, o Antonio e outros na Bahia. Poderia citar o Domingos Stamatto e outros no Pará, …
    A retomada nas ruas da expressão anarkista, tem seus marcos também em alguns acontecimentos, como em 1967/68/69, contra o acôrdo Mec/usaid, onde poderiamos citar o Movimento Estudantil Libertario no Rio de Janeiro e o Jornal O Protesto no RS.
    Como poderiamos citar a iniciativa dos militantes bancários do Jornal O protesto, de porto alegre, para a derrubada da intervenção no sindicato dos bancários da Capital e a sua denuncia, em 1969, em Brasília, durante o Congresso da Contag, do regime militar, do Fundo de Garantia FGTS como instrumento de Derrubada da estabilidade no emprego dos trabalhadores e da necessidade de recuperação da história do sindicalismo livre e da Conquista dos Direitos sociais dos trabalhadores no Brasil com a ação sindical da COB e dos anarkistas, destruída por Getúlio Vargas.
    Vamos citar também as iniciativas em São Paulo, da recuperação dos arquivos do movimento sindical e anarquista. Da transformação do jornal O Libertário, em O Dealbar para continuar atuando mesmo durante o AI5.
    No, RS, em Porto Alegre,nos anos de 1967 a 1971, o jornal mimeografado “AUTOGESTÃO OPERÁRIA” e as edições de livros, pelas Edições Proa da Gráfica Trevo (empasteladas pela repressão).
    Todas essas iniciativas articulavam-se com solidariedade e expressões nacionais, através de acordos que dadas as dificuldades vinham a acontecer anos após.
    É importante também a ação libertaria na derrubada da “direita que controlava o dce da puc/rs nos anos de 1973/75. É importante citar a contribuição do Centro Acadêmico Visconde de Mauá/PUC RS (eco/adm/contabeis), na reconstrução da UNE e dos Primeiro Encontro Locais, Regionais e Nacionais de Estudantes de Administração, 1975/76/77, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Florianópolis, Curitiba.
    Assim como podemos falar da Reabertura do Centro de Cultura Social de São Paulo, o Jornal O Inimigo do Rei, com suas editorias autogestionárias, sustentadas por BAHIA, RIO DE JANEIRO, SÃO PAULO, RIO GRANDE DO SUL (1977 a 1982), antes da infiltração do Morelli (1986).
    O encontro anarkista, de 1982 em Florianópolis, noticiados no Jornal O Inimigo do Rei e que levaram a formulação da Primeira Jornada Libertária Brasileira de 1986, em Florianópolis.
    (Os acordos pela reconstrução dos sindicatos livres, das organizações anarkistas, da pedagogia libertaria, da saúde mental, da ecologoia etc,).
    A jornada dos 100 anos de luta pela redução da jornada de trabalho, que aconteceu em maio de 1986 na cidade de São Paulo.
    Nesse meio tempo, em 1983/85 a fundação com estudantes da UCS do Centro de Estudos em Pesquisa Social na cidade de Caxias do Sul.
    Os anarkistas com a proposta de uma CUT pela base, na fundação da CUT, através do Movimento de Oposição a Estrutura Sindical, no 1 CONCLAT, nos dias (23a26/agosto/1983) (veja o Inimigo do Rei).
    E a decisão da primeira jornada libertaria de florianópolis, são paulo, porto alegre, brasilia, ante o fracasso da CUT e o seu atrelamento politico-partidário, na prioridade da reconstrução da Confederação Operária Brasileira e da posterior organização pública, específica, dos anarkistas, com elementos provados nas lutas sociais e sindicais, como forma de evitar as infiltrações reformistas-paralelistas dos agentes capitalistas que buscam dividir e desorientar a classe trabalhadora dos caminhos que levam à liberdade, à revolução social e a Autogestão Operária.
    A criação, unilaterial da FARJ, no Rio de Janeiro, sem apoio do Movimento Libertario Brasileiro e do RJ, numa época (a década perdida) de intensas infiltrações suscitadas pelo assédio moral e repressão (prisões e demissões) aos militantes históricos, gerando divisões e expulsões praticadas pelo Morelli e seus agentes (a partir na Secretaria nacional dos Núcleos pró-COB em SP). caracteriza-se como uma expressão local, do reformismo-paralelista, que invadem a Internacional dos trabalhadores (ait) e dos anarkistas (ifa).
    fabio luz em 8 de janeiro de 2014 13:37
    Como melhor expressão do reformismo-paralelista, o evento Colóquio Internacional de 2004, com Mintz e outros.
    veja
    intitulado
    Colóquio Internacional Libertário: História do Movimento Operário Revolucionário
    A realizar-se em setembro de 2004 em São Paulo-SP de 9 a 11 e Rio de Janeiro- RJ de 13 a 15
    MIDIALIBERTARIA.JEX.COM.BR|POR FERNANDOACRATA

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