Mês: Abril 2015

(Casa Viva) Não me metas na gaveta do lembras-te quando


casa vivaDia 1 de Maio, a Casa Viva despede-se deste mundo com um dia cheio de poesia, performance, cinema, música e muito mais! Ninguém vai querer faltar!

“Morro a 1 de Maio. Se me tens algum carinho, não me evoques. Não me chores. Não me metas na gaveta do lembras-te quando. Se nostalgia for o sentimento que fica depois de mim, esta viagem de 9 anos não valeu a pena.

Preferia deixar-te o sabor amargo de algo inacabado. Não para que me continues. Antes para que te dê asas à vontade de experimentar. Para que te anime a levantares-te contra quem te oprime, a inventar formas de estar e viver livres de poder, a remar contra a corrente do capital, a criar, enfim, a tua própria utopia.

Só assim, só se a minha morte te elevar os níveis de raiva e de sonho, só se mil novas experiências de liberdade se erguerem, só assim, repito, terá valido a pena. Se a cidade arde por falta de espaços de partilha, que se criem esses espaços. E que se veja a cidade a arder.”

Programa completo e line-up de bandas emhttps://facebook.com/events/403804236469113/

aqui: https://www.facebook.com/guilhotina.info

(El Solitario) Situação de um preso anarquista em Portugal


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“Saúde companheir@s

Gostaria que publicassem esta carta de um companheiro preso em Lisboa. Não pode fazê-lo ele mesmo porque está isolado e sem acesso à internet.

Saudações.

Diego C.”

 

“Olá a todos e a todas

Chamo-me Jaime Giménez Arbe, ainda que alguns/as talvez conheçam melhor o sobrenome que me deu a Guarda Civil e os meios de desinformação do Estado: “El Solitario”.

Estou preso na prisão de Monsanto, em Lisboa, Portugal, desde Julho de 2007. Esta prisão tem sido denunciada em inúmeras ocasiões como sendo a “Guantánamo de Portugal” pelas suas condições de vida e maltratos continuados sem paralelo na Europa.

Sou, com dois companheiros, o preso que está há mais tempo nesta masmorra imunda e sem nenhuma possibilidade de ser transferido para outra prisão portuguesa de regime normal, se por normal se pode entender o sistema de prisões de Portugal que é puramente terceiro-mundista.

(mais…)

(prisões) Aljube: mais de 200 anos de tortura e morte.


museu do aljube

A todos aqueles que se limitam a olhar para o chão e não para as estrelas, a todos aqueles que se limitam a passar por aqui de braços caídos, como zombies que são, tenho a dizer-lhes que têm todo o meu desprezo.

Sempre odiei prisões. Todas as prisões. Não só as para os presos políticos. Todas as prisões. Todos os presos sociais são em última análise também políticos pois só estão dentro das prisões os pobres, os desasjustados deste sistema, onde se prende quem viola a lei da propriedade privada e essas penas são maiores do que para torturas, violações e até mortes…enquanto os seus sequestradores, de arma na mão ou não, podem matar impunemente, tantas vezes, dentro e fora das cadeias…

Ontem, 25 de Abril de 2015, fui , juntamente com muitos daqueles que verdadeiramente se empenharam na luta pela preservação da memória histórica da luta contra a ditadura fascista e lembrar também todos aqueles e aquelas que passaram pelas prisões fascistas., entrar na prisão do Aljube, mais de 200 anos de torturas, mortes, de tentar aniquilar todos e todas que não rastejavam…aniquilar todos os e as que tentassem voar!

Entrar nesse centro de extermínio e olhar para dentro de uma cela…estava lá a memória de alguém , em gesso, a cela tinha menos de 2 metros de largura, sem lluz…um pequeno espaço apenas para um colchão pequeno…

Muitos dos visitantes nem se terão apercebido…o meu coração quase que estalava de dor….a um canto uma mulher encostava-se a uma parede, com o neto a ampará-la….era uma antiga presa política antifascista…disse-nos que era para sempre…as marcas de uma prisão.

Por isso, todos e todas aqueles e aquelas que se limitam a olhar para o chão e não para as estrelas têm todo o meu desprezo!

Quanto a mim, tinha 18 anos no 25 de Abril de 1974. Em 1973 tinha realizado uma ação direta, na Universidade, no Instituto Superior Técnico. Eramos incontroláveis, tínhamos perdido o medo. Por isso o fecharam. Antes tínhamos realizado uma ação direta, cerca de uma centena de estudantes: destruímos as máquinas de filmar da P.I.D.E, polícia política do regime fascista, que as utilizava para nos controlar, expulsar e prender…sim! tomámos de assalto o pavilhão de Química, e destruímos à cacetada, marretada , etc e atirámos de lá de cima cá para baixo as máquinas ENORMES E MONSTRUOSAS!

Eramos incontroláveis e tínhamos perdido o medo….meses depois “caíu” o regime fascista…o I.S.T. reabriu….

Por isso, todos e todas aqueles e aquelas que se limitam a olhar para o chão e não para as estrelas têm todo o meu desprezo!

EMÌLIA CERQUEIRA

aqui: https://www.facebook.com/emilia.cerqueira