Dia: Abril 12, 2015

(El País) Quando é a própria polícia a escrever nos jornais não há direito ao contraditório!


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Sobre a miséria do “jornalismo de investigação” que se faz de um e outro lado da fronteira, onde os “factos” jornalísticos se resumem à versão das polícias e dos governos. Vergonhoso!

Que ninguém deixe de ler a reportagem “Radiografia del anarcoterrorismo”, de Patricia Ortega Dolz, que nos dá hoje El Pais. Como se pode apreciar, distancia-se inteligentemente da versão policial dos factos, examina de forma minuciosa argumentos delicados, mergulha sem medo na hierarquizada realidade dos grupos libertários e, generosa, noblesse oblige, dá voz aos membros destes últimos. Não sei se por estes dias haverá alguma diferença entre o diário humorístico “El País” e o jornal satírico “La Razón”…

Carlos Taíbo (aqui)

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Morreu a anarquista Judith Malina (1927-2015), co-fundadora do “Living Theater”


judith

Morreu na última sexta-feira (10) a atriz e diretora de teatro Judith Malina. Tinha 88 anos. Malina e o marido, Julian Beck (1925-1985), fundaram em 1947 o grupo o”Living Theater”, um grupo de teatro com base no activismo político e social e na não violência. De intervenção, dir-se-ia hoje.

Malina e Julian Beck sempre se afirmaram anarquistas e arautos da contra-cultura e da intervenção social e política através da arte. Foram expulsos dos Estados Unidos e do Brasil devido às suas posições radicais.

O Living Theatre nasceu em 1947, em Nova York. Ganhou projeção a partir do seu exílio, entre 1963 e 68, período em que percorreu sobretudo a Europa. Um dos espectáculos emblemáticos desse período de contracultura é “Paradise Now”, criação coletiva que pede a revolução individual e se opõe a tabus sexuais ou quaisquer formas de violência.

Em 1970, o grupo esteve Brasil a convite do Teatro Oficina tendo Malina e Beck sido presos, acusados de porte de maconha. Eles alegaram inocência, mas apoiantes  do grupo, na época, suspeitaram que as autoridades prenderam o casal porque sabiam que eles estava preparando uma performance com carácter de protesto, que seria apresentada nas ruas de Ouro Preto (MG).

A sua prisão teve eco no mundo inteiro e personalidades ligadas ao mundo cultural, como Susan Sontag, John Lennon e Jean-Paul Sartre fizeram um abaixo-assinado exigindo a sua libertação, tendo o casal sido solto e depois deportado.

daqui, modificado: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/04/1615387-morre-a-atriz-judith-malina-co-fundadora-do-grupo-living-theatre-aos-88.shtml

http://www.nytimes.com/2015/04/11/theater/judith-malina-founder-of-the-living-theater-dies-at-88.html?smid=fb-share&_r=0

.

AMOR E POLITICA

Quando navegava pela ilha de Chipre
num barco
vi emergir da água
a cabeça de Afrodite
disse-lhe “sou anarquista
e não voto”
respondeu-me “parece-me bem”
.
disse-lhe: “ó invenção da
mente clássica
és cega
frente a temas importantes!”
ela disse que sim
para não ser descortês
e despediu-se “até logo”
“fica” pedi-lhe
“há muitas coisas
que deveríamos conversar:
o poder de reis
desnecessários
a opressão sexual
de que fala Safo…”
.
mas ela apenas
mergulhou
e voltou para o mar.

poemas de Judith Malina

https://www.nodo50.org/mujerescreativas/POEMAS%20DE%20JUDITH%20MALINA.htm

dossier18judith-m

Judith Malina nos anos 60