Morreu a anarquista Judith Malina (1927-2015), co-fundadora do “Living Theater”


judith

Morreu na última sexta-feira (10) a atriz e diretora de teatro Judith Malina. Tinha 88 anos. Malina e o marido, Julian Beck (1925-1985), fundaram em 1947 o grupo o”Living Theater”, um grupo de teatro com base no activismo político e social e na não violência. De intervenção, dir-se-ia hoje.

Malina e Julian Beck sempre se afirmaram anarquistas e arautos da contra-cultura e da intervenção social e política através da arte. Foram expulsos dos Estados Unidos e do Brasil devido às suas posições radicais.

O Living Theatre nasceu em 1947, em Nova York. Ganhou projeção a partir do seu exílio, entre 1963 e 68, período em que percorreu sobretudo a Europa. Um dos espectáculos emblemáticos desse período de contracultura é “Paradise Now”, criação coletiva que pede a revolução individual e se opõe a tabus sexuais ou quaisquer formas de violência.

Em 1970, o grupo esteve Brasil a convite do Teatro Oficina tendo Malina e Beck sido presos, acusados de porte de maconha. Eles alegaram inocência, mas apoiantes  do grupo, na época, suspeitaram que as autoridades prenderam o casal porque sabiam que eles estava preparando uma performance com carácter de protesto, que seria apresentada nas ruas de Ouro Preto (MG).

A sua prisão teve eco no mundo inteiro e personalidades ligadas ao mundo cultural, como Susan Sontag, John Lennon e Jean-Paul Sartre fizeram um abaixo-assinado exigindo a sua libertação, tendo o casal sido solto e depois deportado.

daqui, modificado: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/04/1615387-morre-a-atriz-judith-malina-co-fundadora-do-grupo-living-theatre-aos-88.shtml

http://www.nytimes.com/2015/04/11/theater/judith-malina-founder-of-the-living-theater-dies-at-88.html?smid=fb-share&_r=0

.

AMOR E POLITICA

Quando navegava pela ilha de Chipre
num barco
vi emergir da água
a cabeça de Afrodite
disse-lhe “sou anarquista
e não voto”
respondeu-me “parece-me bem”
.
disse-lhe: “ó invenção da
mente clássica
és cega
frente a temas importantes!”
ela disse que sim
para não ser descortês
e despediu-se “até logo”
“fica” pedi-lhe
“há muitas coisas
que deveríamos conversar:
o poder de reis
desnecessários
a opressão sexual
de que fala Safo…”
.
mas ela apenas
mergulhou
e voltou para o mar.

poemas de Judith Malina

https://www.nodo50.org/mujerescreativas/POEMAS%20DE%20JUDITH%20MALINA.htm

dossier18judith-m

Judith Malina nos anos 60

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