Ciganos nómadas de Évora sofrem com falta de terrenos públicos, com água, para acamparem


maria

ACTUALIZAÇÃO: por volta do meio-dia a polícia deslocou-se ao local e obrigou as diversas famílias ciganas a abandonarem o sítio onde estavam acampadas, apesar dos protestos do pequeno grupo de activistas que se voltou a mobilizar e acorreu para evitar a expulsão, sem o conseguirem.

Talvez devido à presença destes activistas tudo se desenrolou sem cenas de repressão ou de violência – apesar da actuação da polícia ser, por si própria, um acto de repressão e violência.

As várias famílias foram obrigadas a abandonar este local devido a uma “queixa”, disse a polícia, que “só actua quando há queixas e foi este o caso”, acrescentou um dos agentes sem querer especificar a origem da queixa.

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Meia dúzia de activistas demonstraram hoje a sua solidariedade para com os ciganos nómadas ameaçados pela policia de expulsão do terreno municipal em que estão acampados atrás da Aminata, em Évora.

Os activistas (militantes do Bloco de Esquerda e independentes) tentavam evitar a expulsão dos ciganos daquele espaço, mas durante as cerca de duas horas em que estiveram no local os agentes da autoridade não apareceram.

Mantém-se, no entanto, a ameaça de expulsão de várias famílias ciganas que estão naquele local e que não têm mais nenhum sítio para irem. Alguns dos seus membros estão vinculados ao rendimento mínimo e frequentam cursos do IEFP pelo que, se não comparecerem ao curso, ser-lhes-á cortado o subsídio. Por outro lado, como se deslocam a pé, o estarem junto à cidade também é fundamental para o seu dia a dia.

Cada vez se torna mais imperiosa a necessidade de um ou dois (um em cada lado da cidade) campos em que estes grupos de nómadas possam acampar sem estarem constantemente a ser perseguidos pela polícia ou a criarem conflitos com os moradores. Não é necessário que os campos tenham muitas infraestruturas uma vez que estes ciganos estão habituados à dureza das condições de vida. Mas é fundamental terem água potável e esgotos e estarem perto da cidade. Um dos casos hoje relatados é o facto do presidente da junta de Freguesia da Malagueira e Horta das Figueiras ter proibido estas comunidades de se abastecerem de água no edifico da Junta na Horta das Figueiras, o que faz com estes ciganos tenham que se abastecer noutros locais, nem sempre os mais indicados, e provocando conflitos desnecessários.

Importante seria também a criação de uma mediação cigana, uma vez que todas estas comunidades têm necessidade de estabelecer contactos com a administração e muitas vezes não têm quaisquer conhecimentos para tal (ler, escrever, uma morada para receber correspondência, a consciência dos direitos e deveres que lhes estão consignados, etc.).

Perante todo este conjunto urgente de necessidades os poderes públicos eborenses (do estado central e da autarquia) fazem orelhas moucas, à espera que a “poeira” assente. Fossem os ciganos “gado eleitoral” e outra seria a atitude destes poderes, por certo.

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