Mês: Julho 2015

(opinião) Reflexão de um niilista português dentro do movimento anarquista como pária


resist

Viva a Anarquia

Viva a Liberdade

Viva a Autogestão

Viva companheir@s

Esta reflexão é anti-dogmática, não pretendo passar sermões parvos a quem se dê ao trabalho da ler. Os meus pontos (se possível de discussão) são os seguintes. Primeiro, o movimento libertário é frágil, as grandes movimentações “anarquistas” nos passados anos, têm felizmente tomado inúmeras formas, a dispersão necessária por dentro deste território têm ganhado força, isto parece-me óbvio, salutar e inspirador, o trabalho esforço e cooperação tornaram-se uma realidade em inúmeros colectivos de várias cidades e de muitos “sítios”. Por isso mando um abraço fraterno a tod@s.

Segundo, e acho que antes do terceiro ponto é o mais crítico, nenhuma das actividades, nem por sombra, põem em causa o regime vigente, como todos sabemos a ultra nacional, uma ditadura financeira, que se apoderou de TODOS os meios de comunicação, produção e de forma geral de poder sobre as nossas vidas. Sob o perigo de parecer um cretino sou forçado a dizer que não se derrota o capitalismo, o estado, a cultura neo-ultraliberal, com campos de beringelas, couves, cenouras ou outros meios que nos tornam vivos e não mortos, para a luta que se segue. É impossível pensar que o fascismo financeiro se derrota com hortas.

Terceiro ponto, não pensem que esta critica não se adequa a mim também e não pretendo acusar, para além dos senhor@s da guerra da ditadura das forças “invisiveis” que nos governam: companheir@s não temos hipótese para além de tomar armas, todas as que seremos capazes de tomar. Os métodos aplicados desde a insurreição de Detroit 99 são ridículos perante o domínio absoluto do capital financeiro. Temos tod@s que escolher entre fugir para a montanha e esperar que nos venham roubar os frutos do nosso trabalho, ou lutar frontalmente para destruir este velho mundo de barbarie a que uns chamam “civilização”, mercados, globalização. É necessário ser muito otário para pensar que uma mão cheia de comida não nos torna mais que egoístas e individualistas, estamos perante uma guerra, não um puxar para a evolução reformista. Se não tomarmos a dianteira (a insurreição anti-capitalista), esperam-nos os gulags e os campos de concentração. Todos os nomes estão já marcados, cabe aos revolucionários anarquistas libertários, verdadeiros socialistas criar as bases de uma resistência credivel e forte JÁ!

Quanto tempo vamos assistir ao massacre d@s noss@s irm@s?
Quando é que a raiva vai acabar com o medo?

Nas nossas gargantas terá que sair um grito a ecoar pelo mundo:
((A)) NOSSA PAIXÃO PELA LIBERDADE é MAIS FORTE QUE TODAS AS PRISÕES ((A))

tirado daqui (com algumas alterações): http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/30973

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(Turquia) Foram quatro os anarquistas mortos pelo Estado Islâmico em Suruç


quatro anarquistas

Foram quatro no total os anarquistas turcos mortos no atentado da passada semana em Suruç, a cidade curda em território turco, que vitimou 32 jovens que se dirigiam para ajudar à reconstrução da cidade curda de Kobane.

As primeiras notícias davam conta da morte de Alper Sapan, da Eskişehir Anarşi İnisiyatifi, mas as organizações anarquistas turcas referem agora que morreram também no mesmo atentado suicida, atribuído ao Estado Islâmico, outros três companheiros: Evrim Deniz Erol, Medali Barutçu, Serhat Devrim.

Há dois dias (26 de Julho), numa concentração realizada na cidade turca de Eskişehir, convocada por várias organizações libertárias, evocativa da morte destes quatro companheiros, a policia dispersou a manifestação e prendeu 17 anarquistas que se manifestavam nas ruas.

Mais informações aqui: http://sosyalsavas.org/2015/07/eskisehir-anarchists-arrested-in-commemoration-action-for-their-comrades-who-were-killed-in-suruc-last-week/

(CNT) Revista ‘Estudios’ nº 4 já disponível na web


estudios

Acaba de ser disponibilizada na web a revista “Estudios”, nº 4, a revista teórica da CNT, numa edição totalmente dedicada ao tema “Organização e Acção”. Com um total de 144 páginas, esta edição pode ser descarregada a partir daqui.

Números anteriores: http://estudios.cnt.es/numeros-anteriores/

(Boesg) Este sábado, dia 25 de Julho: homenagem à revolução espanhola de 1936


guerra civil

“Ao estalar a guerra civil espanhola em Julho de 1936, o sindicato anarquista CNT socializou a indústria de cinema em Espanha. Em Madrid e Barcelona, os trabalhadores de cinema assumiram através do sindicato, os bens de produção e produziram numerosos filmes. Isto deu lugar a um período único que não se voltou a repetir em nenhuma outra indústria cinematográfica do mundo. Apesar do país estar envolvido numa guerra, entre 1936 e 1938 foram feitos e estreados filmes de variadas temáticas: dramas sociais, comédias musicais, filmes de denúncia e documentários bélicos. Todos eles compõem um variado mosaico que dá lugar a um dos momentos mais insólitos e originais da cinematografia espanhola. Através da opinião de especialistas, assim como do testemunho do director de fotografia e restauro espanhol, Juan Mariné, o documentário recorre a cada uma das produções que constituem um legado excepcional do cinema espanhol. Foi um período muito efémero durante o qual os guionistas, os directores, os técnicos, e os actores espanhóis demonstraram uma das máximas do mundo do espectáculo: apesar dos bombardeamentos, da fome e do drama da guerra, o espectáculo devia continuar, e continuou.”
BOESG.

#anarquismoportugal

(26 de julho, em todo o mundo) Apelo Internacional à solidariedade com as vítimas do massacre de Suruç!


iniciativa anarquista

No dia 20 de julho de 2015 (pelo menos 32) pessoas, algumas delas eram nossos camaradas anarquistas, que estavam em Suruç para irem reconstruir Kobane, morreram num ataque de um bombista suicida do ISIS. A República da Turquia continua a apoiar de forma subreptícia o estado Islâmico (ISIS). Nós vamos continuar a luta com todas as nossas forças para lhes bloquearmos todos os caminhos.

Este é o nosso apelo aos anarquistas de todo o Mundo:

No dia 26 de Julho de 2015, pelas 7 horas da tarde, vamos dar voz à nossa raiva e à nossa revolta frente aos consulados da Republica da Turquia onde quer que estejam! Em solidariedade com Rojava!

Iniciativa anarquista!

Aqui: https://www.facebook.com/IstanbulAnarsiInisiyatifi

(Curdistão) Jovens que se dirigiam para Kobane foram mortos em atentado na Turquia


suruc

Alguns dos jovens que foram alvo do atentado em Suruç.

turquia2Um dos feridos no atentado que matou o anarquista Alper Sapan e mais de três dezenas de revolucionários

O anarquista Alper Sapan, da Iniciativa Anarquista de Eskişehir foi um dos, pelo menos 32 (números actualizados), jovens assassinados num atentado do ISIS quando se dirigiam para participar na reconstrução de Kobane. O atentado aconteceu na cidade curda de Suruç, sob domínio turco. No mesmo atentado ficou ferido o companheiro Evrim Deniz Erol, segundo informa a organização anarquista turca DAF (Associação Anarquista Revolucionária). O atentado teve lugar segunda-feira, dia 20, e está a suscitar um conjunto vasto de reacções, em que o Estado turco é acusado de ser permissivo relativamente às actividades do ISIS contra os curdos. A esse respeito, os companheiros anarquistas turcos da DAF e a organização anarquista norte-americana Black Rose (presente no local) emitiram comunicados que a seguir traduzimos e transcrevemos.

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 “A nossa tristeza será a nossa raiva, Kobane será reconstruída”

Ontem (dia 20), cerca de 300 pessoas procedentes de diferentes cidades juntaram-se ao apelo da Federação das Associações de Jovens Socialistas, para reconstruir Kobane, cidade que foi alvo de tentativa de saque pelo Estado Islâmico. Hoje ao chegarmos a Suruç (Pîrsus em curdo), precisamente antes de sairmos a caminho de Kobane, estes jovens fizeram uma conferência de imprensa frente ao Centro Cultural Amara de Suruç (Pîrsus). No final da conferência de imprensa uma bomba explodiu no meio da multidão, silenciando muito corações que tinham estado a bater na esperança da reconstrução.

Segundo a informação recolhida até este momento (dia 21), morreram 31 pessoas e houve centenas de feridos na explosão.

Depois da explosão, ouvimos, nos hospitais de Suruç (Pîrsus) os nomes dos que caíram. Aqueles que vieram procedentes de diferentes cidades, aqueles que vieram com uma grande esperança nos seus corações, estão agora caídos, como alvos dos seus assassinos. As pessoas que saíram às ruas com o fim de pedir contas pela morte dos que caíram, aqueles que esperam frente aos hospitais, são ameaçados pelos TOMA (veículos com uma mangueira que lançam água sobre quem protesta) e pela polícia que chegou ao Centro Cultural Amara, ainda antes do que as ambulâncias. Em Mersin, em Siirt, em Istambul … quem sai à rua é ameaçada de ser massacrado, pelo Estado assassino, através da colaboração de assassinos.

Estamos a tratar de reconstruir uma nova vida contra o ISIS (Estado Islâmico), contra o Estado (turco) que colabora com o ISIS, contra a política de guerra do estado que não há meio de acabar. Não importa o que custe, ainda que com a nossa dor, com a nossa raiva, vamos reconstruir Kobane e recriar a vida nesta geografia saqueada.

(Hoje Alper Sapan. da Iniciativa Anarquista de Eskişehir. foi assassinado no ataque.  Um amigo chamado Evrim Deniz Erol foi severamente ferido).

Bijî Berxwedana Kobanê! / Longa vida à resistencia en Kobane!

Bıjî Şoreşa Rojava! / Longa vida à Revolução em Rojava.

Acção Anarquista Revolucionária (DAF)

Aqui: http://kawanerojava.weebly.com/comunicado-daf—julio-de-2015.html

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Também  a Federação Anarquista norte-americana Black Rose, presente no local, emitiu um comunicado sobre o massacre de Suruç.

Declaração sobre o massacre de Suruç

“Hoje lamentamos a perda de amigos e amigas, companheiros e companheiras, e em sua memória renovamos o nosso compromisso com a luta revolucionaria internacional

Era meio-dia, na cidade de Suruç, na fronteira da Turquia com o Curdistão, quando uma bomba explodiu perto dos grupos de comunistas, socialistas e anarquistas, que estavam a caminho para ajudar na reconstrução de Kobane. Dezenas de pessoas foram mortas e muitas outras feridas. Um militante da Black Rose estava presente , a ajudar na preparação de uma campanha de apoio à reconstrução de Kobane e Rojava, mas não ficou ferido.

Meia hora depois da explosão, a cidade de Suruç  tremeu outra vez, quando uma segunda bomba atingiu a fronteira perto de Kobane. As notícias indicam que foi um ataque de carro-bomba, anulado pelas forças de autodefesa, que minimizaram as perdas.

A viagem a Kobane foi organizada pela organização marxista-leninista Sosyalist Gençlik Dernekleri Federasyonunun (SGDF) – Associação das Federações da Juventude Socialista. A organização trouxe jovens e famílias inteiras da Turquia e de outros lugares para apoiar, de forma revolucionária, a revolução social que está a ocorrer em Rojava. Quase 300 pessoas estavam se a preparar para atravessar a fronteira interdita para ajudar na reconstrução da cidade, aprender sobre os desenvolvimentos políticos e ligar as lutas da esquerda turca com o movimento curdo.

Depois da explosão da bomba, os primeiros a aparecerem foram os veículos militares armados do Estado Turco ocupante que desceram a rua em frente ao Centro Cultural Amara para bloqueá-la e apontar as suas armas aos e às recentemente feridos/as e aflitos/as revolucionários/as. As ambulâncias demoraram tanto tempo a chegar ao local que carros privados foram mobilizados para levar os/as feridos/as aos hospitais. Os militares e policias chegaram ao local em poucos minutos,  formando uma barreira çpolicial mesmo antes das ambulâncias chegarem. A repressão policial não foi uma surpresa , pois já estavam a controlar os autocarros em que os/as  revolucionários/as chegaram a Suruç naquela manhã, monitorizanando muitos deles/as e contactando os familiares dizendo que os jovens se estavam a juntar a terroristas em Rojava.

Isso demonstra a atitude do Estado (Turco) e demonstra uma triste realidade: a Turquia está a prosseguir a sua política de extermínio contra os Curdos e este ataque à bomba pode ser visto como a realização da promessa de Erdogan (presidente da Turquia) de deter Rojava a qualquer custo. Nos próximos meses, a Black Rose continuará a desenvolver o seu plano de organizar comités e redes em solidariedade para com Rojava. Contamos com a tua ajuda.

Biji Rojava! Rojava vive!

Secretaria Internacional, Black Rose Anarchist Federation/Federacion Anarquista Rosa Negra (BRRN)

http://www.blackrosefed.org/statement-on-bombing-turkey…uruc/

(CGT/Espanha) Não chores por Tsipras, apoia o povo grego


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Há dias que a imprensa e as redes sociais, desde o centro direita até aos indignados, estão a chorar por Tsipras. Entretanto, a maioria da direita celebra-o e a imprensa dos partidos da esquerda não radical utiliza a “justificação criativa”. Ah! E será que  podemos?…

Não nos alegra absolutamente nada o desenlace (por agora) desta novela. Não nos agrada, nem agora nem nunca, que pessoas manifestamente de esquerda voltem a ser decepcionadas pela má praxis dos seus dirigentes, daqueles a que, pela enésima vez, cederam a outros a capacidade de decidir por eles.

Ainda menos nos alegra que um irresponsável político com responsabilidades de governo tenha feito do referendo, da consulta popular, um pequeno truque de desprestigiador (perdão pelo neologismo).

Dissemos e reiteramos: estamos com aqueles que participam quotidianamente na consulta real que a construção de projectos alternativos ao sistema, de realidades que defendem as suas conquistas, das pessoas que através do protesto procuram modificar a situação existente à sua volta, com aqueles que não aceitam que lhes cortem a dignidade ou aqueles que defendem os postos de trabalho e os direitos laborais supõe.

Somos aqueles que já levamos muito tempo a dizer OXI. Defendemos e defenderemos o OXI nas ruas e nos caminhos. E nunca prometemos derrubar sozinhos e desde dentro nem o dragão do capitalismo nem o do autoritarismo, porque se é triste representar, mais triste é roubar o voto popular.

Aprendamos de novo. Recordemos o psoetanesco  (posição do PSOE aquando da adesão à NATO) de “entrada, não”. Esse “oxi” que transformaram em “nai” (Permitam que aproveitemos para enviar uma saudação ao recém falecido Krahe [músico e poeta anarquista espanhol] que, à margem de tudo, se tornou famoso pela canção contra Felipe [Gonzalez] por causa desse referendo sobre a NATO).

Nós defendemos que nos consultem diariamente para obedecerem ao que decidimos. Queremos construir “autonomia”.

E somos também pelo “poder popular” e pelo “contrapoder popular”, mas sobretudo e como sempre, estamos pelo anarco-sindicalismo, pela ideia de anarquia juntamente com o trabalho sindical, para construirmos alternativas a qualquer opressão e criar espaços de liberdade individual e colectiva, por procurarmos um mundo novo e caminhar com quem vai mais devagar e sermos, e sabermos, que somos todos iguais.

Por isso choramos e desta vez sim, choramos pelas falsas promessas e em conjunto com todos os que queremos um mundo melhor, que contenha muitos mundos e que seja construído pelas pessoas e não pelas super-instituições.

A LUTA ESTÁ NA RUA

SECRETARIADO PERMANENTE DO COMITÉ CONFEDERAL DA CGT

Madrid, 17 de Julho de 2015

aqui: http://www.cgt.org.es/noticias-cgt/comunicados/no-llores-por-tsipras-apoya-al-pueblo-griego