(Grécia) Tudo o que está a acontecer é por culpa dos anarquistas


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Esta noite, em Atenas, as forças policiais intervieram no decurso da manifestação anti-austeridade, que juntou milhares de pessoas na Praça Syntagma. Foi a primeira intervenção anti-motim numa manifestação desde que o Syriza está no poder. Entre os manifestantes estavam muitos jovens desempregados e anarquistas, que rapidamente se tornaram os “bodes expiatórios” para a intervenção policial. Também por cá, alguns órgãos de comunicação social, como a SIC. levaram a noite a dizer que “os manifestantes eram anarquistas que assustavam os turistas”… Yannis Youlountas, um anarquista grego, escreve ironicamente sobre o dia em que os anarquistas se tornaram os culpados de tudo o que acontece na Grécia…

Esta noite, em Atenas ou em qualquer outra parte, é evidente:

Tudo o que acontece é por culpa dos anarquistas

Ainda que o Parlamento tivesse podido votar em paz a morte dos recém-nascidos, os suicídios quotidianos, as doenças não tratadas, a má nutrição das crianças, os dramas familiares, os reformados sem abrigo, a privatização massiva dos bens comuns, jovens desempregados e anarquistas vieram estragar a noite.

Porque são eles, de certeza, que destroem o mundo, que fazem da política um sem sentido, que perturbam a calma de uma Grécia próspera e que ameaçam as liberdades.

Sim, por certo. Como é que eu não tinha pensado nisso mais cedo?

Esta noite, lendo certos posts e comentários, compreendi finalmente: tudo é por culpa dos anarquistas!

Sem eles nós estaríamos em paz, nadaríamos numa felicidade plena e poderíamos saborear a nossa democracia. Porque é bem conhecido: os anarquistas não sabem nada de democracia.

Sem esquecer evidentemente que os extremos se tocam. É verdade que os anarquistas defendem os emigrantes e combatem os neo-nazis, mas esquecem-se de chamar a polícia para resolver este género de problemas.

Para mais, os anarquistas não lêem livros, ou pelo menos, os bons. Não têm qualquer tipo de cultura. Nem sequer conhecem as dinastias dos reis e dos papas que fazem parte da base duma boa educação. Eles não sabem, por exemplo, que os resistentes ao franquismo e ao nazismo combatiam com ramos de flores os serviçais armados de Franco e Hitler.

Sim, esta noite tudo ficou claro: os anarquistas não gostam da liberdade. Os anarquistas não gostam da igualdade. Os anarquistas não gostam da fraternidade. Eles estão nos antípodas dos nossos valores humanistas.

Eles não amam a Terra, a vida e o amor. Também não gostam do vinho e da música, não conhecem nada da cozinha ou das artes. São provincianos, estão todo o dia sentados frente à televisão, a olhar filmes de guerra, já que apenas gostam da violência.

Os anarquistas são a escória da humanidade. E esta noite são os culpados de tudo.

Y.Y.

Nota: foto de arquivo de um animal feroz anarquizante ameaçando perigosamente a liberdade, a igualdade e a democracia.

Aqui: https://www.facebook.com/yyoulountas

http://blogyy.net/2015/07/15/tout-est-de-la-faute-des-anarchistes/?fb_action_ids=1471983856445570&fb_action_types=news.publishes

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17 comments

  1. Anarquismo.. cuja palavra tem origem Grega e que nada tem a ver com o texto acima escrito. A ignorância é violenta, em jornalismo então é perigosíssimo.
    Concordemos ou não, gostemos ou não o Anarquismo é contra a divisão em classes e por consequência é contra toda a espécie de opressão de uns sobre os outros. Defende a Liberdade e o amor.
    Mesmo que haja quem dê mau nome ao anarquismo, como há quem dê mau nome a toda a definição.
    Estudemos mais antes de vomitar barbaridades.

    1. Freedom, pelo que eu entendi o texto acima foi o texto de um anarquista grego que quis ironizar; brincar com a ideia das pessoas de que tudo é culpa dos anarquistas, que não defendemos o amor, a liberdade e a igualdade.

      1. Exatamente! As pessoas precisam ler com mais atenção antes de “vomitar” críticas infundadas. “Yannis Youlountas, um anarquista grego, escreve ironicamente sobre o dia em que os anarquistas se tornaram os culpados de tudo o que acontece na Grécia…”

    2. Deves ser daqueles anarquistas cheios de “boas intenções”. Daqueles putos naives que nasceram ontem e que não percebem nada da vida, e que acham realmente que é possível vivermos todos igualmente livres, sem qualquer tipo de opressões.

      Ainda assim, muito obrigado pela gargalhada. Ouvir um anarquista chamar quem quer que seja ignorante: lolada. Aprendam que se algum dia a vossa “utopia” se materializar durará menos de um instante, e os primeiros a ser extintos serão logo vocês mesmos, os anarquistas (porque são fracos, rancorosos, preguiçosos, estúpidos e… ignorantes).

      Já para não falar que a vossa “utopia” já existe e até tem um nome bem bacano: chama-se “selva”.

      1. Essa “utopia” existe e chama-se Cristiania na Dinamarca, chama-se La Zad em Nantes, chama-se Zapatistas em Chiapas… e estas são as mais mediáticas que tenho conhecimento.

        O que é uma utopia e esta “União” Europeia!!

  2. “um anarquista grego, escrever IRONICAMENTE sobre o dia em que os anarquistas se tornaram os culpados de tudo o que acontece na Grécia…” – freedom convém ler as coisas na sua totalidade e para além dos títulos a letras gordas.

    1. Boa sorte amigo, espero genuinamente que essa ameaça seja mesmo sentida e que não seja só conversa. Agora resta saber é onde irás arranjar as tuas bombas. Ou será que terás lata suficiente para comprá-las aos “burgueses” que tanto odeias? Mas pensando bem são já os “burgueses” que te dão tudo: a tua roupa, a tua comida, a tua educação… não me parece que a tua a falta (ou não) de lata seja um problema.

  3. Miguel Resendes: Mekié ma friend. OK, fui ver o que estás a falar.

    Cristiania: É nisto que queres que todo o mundo se transforme? Num bairrozinho populado por drogados? Para isso então já tinhas o Casal Ventoso que até por acaso, segundo consta, tinha muito mais droga que essa Cristiania e assemelhava-se muito mais à utopia anarquista visto nenhum polícia meter nunca lá os pés (todo o polícia é porco e merece ser fuzilado, dizem os anarquistas).

    La Zad: Uma dúzia de rebeldes a queimar florestas de modo a impedir a construção de um aeroporto? Boa sorte para eles. E para quem quer que seja que pense como eles.

    Zapatistas: Um grupo organizado de criminosos que depois de levarem na boca em 1994 e terem sido derrotados decidiram virar-se políticos inconsequentes?

    Não entendo o que há de lindo, ou desejável, ou “utópico” nesses teus três exemplos Resendes.

    1. Os anarquistas já foram refutados há quase 150 anos e o seu perfil psicológico completemente delineado. Não é por acaso que estou a dizer que os anarquistas são fracos, rancorosos, preguiçosos e estúpidos. Um sociedade não funciona sem leis, e as leis criam por si só uma hierarquia. O anarquista quer destruir as leis, e por conseguinte a hierarquia (i.e. o anarquista opõe-se com toda a sua força a qualquer forma de controlo/opressão). Mas num universo de fluxo, onde cada força reproduz as suas consequências a todo o momento, é impossível abolir por completo controlo/opressão. MESMO QUE um grupo de amigos aborrecidos fosse capaz de detruir um governo inteiro e de abolir todas as leis no seu país, eles seriam incapaz de abolir a leis dos universo (pois eles PRÓPRIOS são leis do universo) e recomeçaria imediata– instantaneamente a luta pelo poder e a tal hierarquia que os anarquistas tanto destestam resurgiria (ou melhor: manifestar-se-ia, pois na práctica nunca tinha sido destruida…) e apareceriam novamente todo o tipo de leis e regras a oprimir e controlar todo o tipo de pessoas.

      A consequência final do anarquismo é SELVAGERIA, é a DESTRUIÇÃO da civilização. Por isso ninguém os leva a sério.

      1. Nietzsche: “Christian and anarchist. — When the anarchist, as the mouthpiece of the declining strata of society, demands with a fine indignation what is “right,” “justice,” and “equal rights,” he is merely under the pressure of his own uncultured state, which cannot comprehend the real reason for his suffering — what it is that he is poor in: life. A causal instinct asserts itself in him: it must be somebody’s fault that he is in a bad way.

        Also, the “fine indignation” itself soothes him; it is a pleasure for all wretched devils to scold: it gives a slight but intoxicating sense of power. Even plaintiveness and complaining can give life a charm for the sake of which one endures it: there is a fine dose of revenge in every complaint; one charges one’s own bad situation, and under certain circumstances even one’s own badness, to those who are different, as if that were an injustice, a forbidden privilege. “If I am canaille, you ought to be too” — on such logic are revolutions made.

        Complaining is never any good: it stems from weakness. Whether one charges one’s misfortune to others or to oneself — the socialist does the former; the Christian, for example, the latter — really makes no difference. The common and, let us add, the unworthy thing is that it is supposed to be somebody’s fault that one is suffering; in short, that the sufferer prescribes the honey of revenge for himself against his suffering. The objects of this need for revenge, as a need for pleasure, are mere occasions: everywhere the sufferer finds occasions for satisfying his little revenge. If he is a Christian — to repeat it once more — he finds them in himself. The Christian and the anarchist are both decadents. When the Christian condemns, slanders, and besmirches “the world,” his instinct is the same as that which prompts the socialist worker to condemn, slander, and besmirch society. The “last judgment” is the sweet comfort of revenge — the revolution, which the socialist worker also awaits, but conceived as a little farther off. The “beyond” — why a beyond, if not as a means for besmirching this world?”

        QED.

  4. Von Tchekovski II, pegue teus argumentos reacionários de merda, engula-os e pare de meter o nariz em artigos contrários de sua visão limitada e encher a paciência de quem pensa diferente de ti.
    Passar bem.

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