(CGT/Espanha) Não chores por Tsipras, apoia o povo grego


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Há dias que a imprensa e as redes sociais, desde o centro direita até aos indignados, estão a chorar por Tsipras. Entretanto, a maioria da direita celebra-o e a imprensa dos partidos da esquerda não radical utiliza a “justificação criativa”. Ah! E será que  podemos?…

Não nos alegra absolutamente nada o desenlace (por agora) desta novela. Não nos agrada, nem agora nem nunca, que pessoas manifestamente de esquerda voltem a ser decepcionadas pela má praxis dos seus dirigentes, daqueles a que, pela enésima vez, cederam a outros a capacidade de decidir por eles.

Ainda menos nos alegra que um irresponsável político com responsabilidades de governo tenha feito do referendo, da consulta popular, um pequeno truque de desprestigiador (perdão pelo neologismo).

Dissemos e reiteramos: estamos com aqueles que participam quotidianamente na consulta real que a construção de projectos alternativos ao sistema, de realidades que defendem as suas conquistas, das pessoas que através do protesto procuram modificar a situação existente à sua volta, com aqueles que não aceitam que lhes cortem a dignidade ou aqueles que defendem os postos de trabalho e os direitos laborais supõe.

Somos aqueles que já levamos muito tempo a dizer OXI. Defendemos e defenderemos o OXI nas ruas e nos caminhos. E nunca prometemos derrubar sozinhos e desde dentro nem o dragão do capitalismo nem o do autoritarismo, porque se é triste representar, mais triste é roubar o voto popular.

Aprendamos de novo. Recordemos o psoetanesco  (posição do PSOE aquando da adesão à NATO) de “entrada, não”. Esse “oxi” que transformaram em “nai” (Permitam que aproveitemos para enviar uma saudação ao recém falecido Krahe [músico e poeta anarquista espanhol] que, à margem de tudo, se tornou famoso pela canção contra Felipe [Gonzalez] por causa desse referendo sobre a NATO).

Nós defendemos que nos consultem diariamente para obedecerem ao que decidimos. Queremos construir “autonomia”.

E somos também pelo “poder popular” e pelo “contrapoder popular”, mas sobretudo e como sempre, estamos pelo anarco-sindicalismo, pela ideia de anarquia juntamente com o trabalho sindical, para construirmos alternativas a qualquer opressão e criar espaços de liberdade individual e colectiva, por procurarmos um mundo novo e caminhar com quem vai mais devagar e sermos, e sabermos, que somos todos iguais.

Por isso choramos e desta vez sim, choramos pelas falsas promessas e em conjunto com todos os que queremos um mundo melhor, que contenha muitos mundos e que seja construído pelas pessoas e não pelas super-instituições.

A LUTA ESTÁ NA RUA

SECRETARIADO PERMANENTE DO COMITÉ CONFEDERAL DA CGT

Madrid, 17 de Julho de 2015

aqui: http://www.cgt.org.es/noticias-cgt/comunicados/no-llores-por-tsipras-apoya-al-pueblo-griego

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