Ó Europa, se fosses só três sílabas, de plástico que era mais barato! (*)


APÁTRIDA

Quero ser Apátrida!
Quero abolir as pátrias. E os seus belos hinos e bandeirolas. Pútridos de tanto ódio!
Quero apenas ser daqui, dali e de todos os lugares. Sem excepção. Quero não ter lugar algum, mas antes ser de todos e de nenhum lugar em particular.
Estou cansado de continentes, de federações, de uniões, de países. Farto de de fronteiras. De linhas imaginárias que nada imaginam senão dor, fome e guerra.
Quero que se lixem as fronteiras e os passaportes e os cartões de cidadão.
Quero lá saber de eleições nacionais ou europeias. Não desejo nem eleições, nem nação, nem europa. Esta, que é a única que existe e que conta para o caso. Para este caso esdrúxulo, pestilento e mortal.
Não a desejo para ninguém, assim, viscosa de tanto vómito. Esta Europa de tanta ganância. De tanto arame farpado. De tantos ditadores. De tanta miséria. De tão curtas vistas.
Quero um mapa mundi do tamanho do horizonte, sem interrupções que não sejam as geográficas. Das serras e dos rios. Dos mares e oceanos.
E neste mapa sem muros, desejo ser apenas um ponto no território. Entre tantos outros. Entre todos os outros.
Um ponto de fuga.
Um ponto em movimento perpétuo em direção a lugar nenhum.
Apaguem definitivamente o meu código postal.
Quero ser Apátrida!

Paulo Raposo (aqui)

nacionalidades

L. Serra, Évora, por email.

(*) Parafraseando Alexandre O’Neill

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