(O drama humano das migrações) Quem são os traficantes? Quem são os ilegais?


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O Mediterrâneo é um novo mar morto, uma fossa colectiva em que ninguém tem a capacidade de saber, com certeza, o número de pessoas mortas e assassinadas desde o Estreito de Gibraltar a Lampedusa, Malta e ilhas da Grécia, desde os barcos sucata aos camiões em trânsito.

CGT (*)

Mortas e assassinadas duplamente: primeiro pelos poderes locais dos seus países de origem (guerras, repressão, violência, fome, etc.), e em segundo pelas políticas migratórias de asilo e refúgio da U€, que violam tanto as legislações internacionais como a própria legislação europeia sobre direitos humanos, asilo e/ou refúgio e direitos dos migrantes não comunitários.

Talvez que desde a segunda guerra mundial não tenhamos assistido a uma diáspora destas, a esta grande marcha histórica de pessoas em fuga, deslocadas, gente obrigada a deixar as suas casas e os seus países frente à morte armada.

Agora desde o Afeganistão, Iraque, Síria, Somália ou Sudão, Senegal ou Nigéria, entrando pela Itália ou pela Grécia e cruzando os Alpes ou a Macedónia e a Sérvia, misturam-se migrantes que reclamam pão e trabalho com pessoas que procuram sobretudo “…reencontrarem algo remotamente parecido com a paz”.

A “velha” Europa, a U€ do austericídio, com os seus cidadãos e cidadãs de “direito próprio”, e o Estado espanhol, em primeiro lugar, que tem negado sistematicamente “o pão e o sal desde há muito tempo”. Só se abriram as portas aos migrantes para serem explorados nos anos do “crescimento e da acumulação de lucros insustentáveis, em termos económicos e do meio ambiente”.

Com a crise o racismo veio à tona, tal como a discriminação e a violação de direitos humanos fundamentais (refúgio, saúde, asilo…).

No actual sistema, as políticas migratórias europeias e internacionais são estritamente repressivas e policiais. O estado fortaleza da U€ demonstrou a sua inutilidade: frente ao argumento da segurança – que nem sequer é capaz de travar a barbárie do terrorismo islâmico – foram-nos retiradas as liberdades mais elementares, os mais elementares direitos humanos, não só dos “não cidadãos” (os e as migrantes), mas também das pessoas consideradas como “cidadãs de pleno direito”.

Este ano, 300.000 imigrantes arriscaram as vidas nesta rota: 200.000 chegaram à Grécia e outros 100.000 a Itália. Este número já supera a cifra total para 2014 que as Nações Unidas tinha contabilizado em 219.000 para o conjunto do ano. A Organização Mundial de Migrações calcula que no final do ano terão entrado na Europa à volta de 800.000 pessoas, sem documentos, desde o norte de África.

Grande parte destas migrações são involuntárias, seja pela fome e pela falta de recursos, seja pela violência física, a repressão e a guerra: 62 por cento dos migrantes que chegaram à Europa durante os últimos meses não fogem da fome ou da miséria, mas sim da guerra e das ditaduras da Líbia, Afeganistão, Síria, Eritreia, Darfur, Iraque, Somália ou Nigéria.

Quer quanto à fome, quer quanto às guerras, os “líderes” dos países autodenominados desenvolvidos têm um altíssimo, senão total, grau de responsabilidade. Para mais, a U€, conjuntamente com os Estados Unidos, são os responsáveis pela maior parte das sangrias que se produzem nestes países.

Temos que ter uma memória histórica, pela justiça social, para que a acção do capitalismo sobre a humanidade não fique impune. Houve uma altura em que os europeus íamos a África raptar pessoas, metíamo-las num barco e convertíamo-las em escravas no outro lado do oceano. Depois veio uma época em que os europeus do sul fomos para as Américas (do norte e do sul) e ali fomos operários e operárias explorados. Agora, a África e o Orienbte vêm para a Europa … e não os queremos.

Qual é a política de asilo da U€? Textualmente… A da porta fechada com violência.

À escala europeia foram recebidas 435.190 pedidos de asilo em 2013, que aumentaram até roçar os 627.000 em 2014. Em princípio, o estatuto de asilo supõe que deve ser garantido àqueles que a ele acedam o direito a um trabalho ao fim de nove meses da sua chegada. A Europa do austericidio e o Estado Espanhol da desigualdade, da injustiça, do desemprego e da precariedade poderão enfrentar este desafio?

De modo nenhum, e não porque estes “migrantes” coloquem algum problema (quantitativo) que desestabilize o sistema de protecção, de trabalho e de convivência. Estes migrantes são apenas 0,027% da população da U€. A esta U€ já há algum tempo que se lhe acabou o humanitarismo e tudo se mede em função dos orçamentos bancários e do capital financeiro.

Os terroristas, os traficantes, os ilegais, são os governos que, de maneira premeditada e sistemática, planificaram este genocídio de uma grande parte da humanidade.

Nenhuma pessoa é ilegal e todas as pessoas, sejam de onde forem, têm que ter garantidos os Direitos Fundamentais: a vida, a liberdade de movimento se de residência, a protecção social e o trabalho.

(*) SECRETARIADO PERMANENTE DO COMITÉ CONFEDERAL DA CGT –  Confederación General del Trabajo

aqui: http://www.cgt.org.es/noticias-cgt/comunicados/el-drama-humano-de-las-migraciones-%C2%BFquienes-son-los-traficantes-%C2%BFquienes-so

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