Dia: Setembro 16, 2015

(Eleições) Os sindicatos da CGTP e da UGT são meras correia de transmissão dos partidos do sistema


stal stal3

Chegou-me agora às mãos o jornal do STAL, que quase nunca sai (este é um número especial), e que não passa de um folheto de 8 páginas de apelo ao voto na CDU. Ainda que o nome da coligação, que tem o PCP como único partido – sendo os verdes apenas uma sigla para compor o ramalhete – nunca apareça, todos os textos são críticos do PS, PSD e CDS e de apelo, por eliminação de partes, ao voto na CDU.

Claro que, enquanto trabalhador e explorado, me estou lixando para qualquer um deles, seja o PS, o PSD ou o CDS, mas parece-me obsceno que um jornal como o do STAL, que é pago com o dinheiro dos associados, se envolva tão directamente na campanha eleitoral como se dela dependesse a luta dos trabalhadores das autarquias locais.

Para nós que trabalhamos nas Câmaras e nas Juntas tão mau patrão é o PS, como o PSD, o CDS ou o PCP e o eleitoralismo sindical em nada vai melhorar as nossas condições de trabalho e de vida.

Estas 8 páginas do jornal do STAL (e outros sindicatos seguem o mesmo caminho eleitoralista de vende-trabalhadores às estratégias partidárias, transformando as suas sedes em locais de campanha eleitoral e gastando o dinheiro dos associados em propaganda eleitoral, como é o caso deste boletim) são um bom exemplo do caminho de insignificância que o movimento sindical tem vindo a trilhar em Portugal – o de mera correia de transmissão dos partidos políticos, submetidos e financiadores das suas estratégias de tomada do poder, sejam eles o PCP ou o PS ou mesmo o PSD.

Daí também o estado da luta dos trabalhadores em Portugal, anestesiados por organizações que apenas buscam o compromisso e a submissão. Enquanto os trabalhadores portugueses se deixarem arregimentar e representar por estas instituições cheias de burocratas profissionais, que há muito largaram as suas ocupações de base, se alguma vez as tiveram, o resultado será sempre este: os sindicatos que deviam servir para os defender e organizar na construção de um mundo novo são apenas viveiros de políticos profissionais e o dinheiro das quotas dos trabalhadores servirão sobretudo para alimentar o parasitismo desses dirigentes e a propaganda ao serviço dos diversos partidos políticos.

Só a construção de sindicatos revolucionários, sem burocratas profissionais, e ao serviço da luta dos trabalhadores, poderá pôr cobro a esta situação – e servir para intensificar a luta contra a exploração e a opressão que diariamente todos os trabalhadores sofremos na carne.

Até lá chamar sindicatos a estas sedes partidárias e eleitorais é ofensivo para décadas de forte luta operária organizada. Essa sim sindical!

António Lopes (Leiria), por email

(2º Mostra de Edições Subversivas) Dias 25, 26 e 27 de Setembro em Lisboa


unnamed (2)

Dias 25, 26 e 27 de Setembro no Grupo Excursionista e Recreativo “Os Amigos do Minho”

Rua do Benformoso, 244 – Lisboa (Intendente)

Programação

25 DE SETEMBRO (sexta-feira)

17h – Abertura

18h – Apresentação do livro “A Reprodução da Vida Quotidiana e outros escritos de Fredy Perlman” – a cargo dos editores
O escritor de origem eslava, naturalizado norte-americano, Fredy Perlman, foi uma das principais vozes da crítica anti-autoritária a ecoar entre o continente americano e europeu durante a segunda metade do século XX. Especialmente prolífico entre os anos 60 e 80, década em que acabou por falecer precocemente devido a problemas cardíacos, Fredy Perlman deixou-nos um legado de diversos escritos que ainda hoje são lidos e discutidos e que reflectem a sua visão heterodoxa, mordaz e desconstrutora das variegadas falácias das distintas ideologias, do capitalismo ao próprio anarquismo. Apesar de tudo, enquanto pensador livre, foi no seio de uma forma de pensamento mais radical, afecto à crítica do progresso e da industrialização, que Fredy Perlman se instalou, tendo, entre outras coisas, colaborado com a companhia de teatro Living Theatre, com a revista anarquista The Fifth Estate, sido fundador e editor da revista Black & Red que se viria a converter numa editora que publicou autores como Guy Debord, Jacques Camatte, Piotr Arshinov e os seus próprios escritos como são exemplo Against His-Story, Against Leviathan, Letters of Insurgents, The Strait ou Manual for Revolutionary Leaders . Dos seus escritos menores, destacam-se A Reprodução da Vida Quotidiana, A Contínua Atracção do Nacionalismo ou O Anti-Semitismo e o Pogrom de Beirute, incluídos nesta colectânea.

Textos Subterrâneos, 2015

http://textosubterraneos.pt/

20h – Jantar

22h – Apresentação do livro “Para uma história da repressão do anarquismo em Portugal no século XIX de Luís Bigotte Chorão, seguido de «A Questão Anarchista» de Bernardo Lucas” – a cargo do editor

     Sem que houvesse em Portugal razões de ordem pública que o justificassem, e sendo desconhecida entre nós – diferentemente do que sucedia em França e Espanha – a propaganda pelo acto, e naturalmente desconsiderando o discurso lombrosiano sobre os riscos da repressão, o ministro apresentou a 8 de Fevereiro de 1896 uma proposta de lei na Câmara dos Deputados que foi justificada pela «exigência imperiosa da segurança das pessoas e da propriedade».
A nova lei destinava-se a «prevenir gravíssimos atentados contra a ordem social» e a «reprimir qualquer tentativa de propaganda de doutrinas subversivas» que provocassem ou incitassem à execução desses atentados. A comissão de legislação criminal logo se pronunciou, para observar que de há muito se vinha revelando em Portugal a existência do mal anarquista, «se bem que por formas relativamente atenuadas». Porém, os acontecimentos recentes reclamavam, no entender da comissão, a existência de leis «eficazmente repressivas».

Letra Livre, 2015

http://www.letralivre.com/

(mais…)