(Eleições) Os sindicatos da CGTP e da UGT são meras correia de transmissão dos partidos do sistema


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Chegou-me agora às mãos o jornal do STAL, que quase nunca sai (este é um número especial), e que não passa de um folheto de 8 páginas de apelo ao voto na CDU. Ainda que o nome da coligação, que tem o PCP como único partido – sendo os verdes apenas uma sigla para compor o ramalhete – nunca apareça, todos os textos são críticos do PS, PSD e CDS e de apelo, por eliminação de partes, ao voto na CDU.

Claro que, enquanto trabalhador e explorado, me estou lixando para qualquer um deles, seja o PS, o PSD ou o CDS, mas parece-me obsceno que um jornal como o do STAL, que é pago com o dinheiro dos associados, se envolva tão directamente na campanha eleitoral como se dela dependesse a luta dos trabalhadores das autarquias locais.

Para nós que trabalhamos nas Câmaras e nas Juntas tão mau patrão é o PS, como o PSD, o CDS ou o PCP e o eleitoralismo sindical em nada vai melhorar as nossas condições de trabalho e de vida.

Estas 8 páginas do jornal do STAL (e outros sindicatos seguem o mesmo caminho eleitoralista de vende-trabalhadores às estratégias partidárias, transformando as suas sedes em locais de campanha eleitoral e gastando o dinheiro dos associados em propaganda eleitoral, como é o caso deste boletim) são um bom exemplo do caminho de insignificância que o movimento sindical tem vindo a trilhar em Portugal – o de mera correia de transmissão dos partidos políticos, submetidos e financiadores das suas estratégias de tomada do poder, sejam eles o PCP ou o PS ou mesmo o PSD.

Daí também o estado da luta dos trabalhadores em Portugal, anestesiados por organizações que apenas buscam o compromisso e a submissão. Enquanto os trabalhadores portugueses se deixarem arregimentar e representar por estas instituições cheias de burocratas profissionais, que há muito largaram as suas ocupações de base, se alguma vez as tiveram, o resultado será sempre este: os sindicatos que deviam servir para os defender e organizar na construção de um mundo novo são apenas viveiros de políticos profissionais e o dinheiro das quotas dos trabalhadores servirão sobretudo para alimentar o parasitismo desses dirigentes e a propaganda ao serviço dos diversos partidos políticos.

Só a construção de sindicatos revolucionários, sem burocratas profissionais, e ao serviço da luta dos trabalhadores, poderá pôr cobro a esta situação – e servir para intensificar a luta contra a exploração e a opressão que diariamente todos os trabalhadores sofremos na carne.

Até lá chamar sindicatos a estas sedes partidárias e eleitorais é ofensivo para décadas de forte luta operária organizada. Essa sim sindical!

António Lopes (Leiria), por email

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