(opinião) O partido invisível


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Tiago Sousa

Pela primeira vez, desde que sou um cidadão de pleno direito, abstive-me num acto eleitoral. Votei sempre em todas eleições, nas legislativas, nas autárquicas, mesmo nas europeias, nunca falhei, nem uma, mas desta vez foi diferente.

Gostava apenas de partilhar este facto porque, não raras vezes, assumimos a abstenção como uma consequência da despolitização. A minha foi um acto político.

Se é verdade que nunca achei particular interesse no regime parlamentar e na democracia representativa, sinto-me politicamente alinhado com ideais anarquistas, sempre preservei uma ideia, que agora entendo como absolutamente fictícia, de que faria alguma diferença contribuir para a constituição de um parlamento mais diverso de modo a contrariar as ideias políticas hegemónicas.

Nunca votei em partidos de poder, sempre assumi uma lógica de reforço de minorias parlamentares que fizessem oposição ao Governo, pensando que seriam os parlamentares aqueles que primeiro podem fazer o escrutínio das acções governativas.

Não votava em programas mas segundo essa lógica oposicionista, claro que considerava alguns aspectos referentes à política económica, mas nunca encontrei um partido no qual conseguisse votar com convicção.

Ora, o último ano mudou muita coisa. O esbarranço total do Syriza face à política hegemónica na Europa relembrou-me uma coisa evidente. Podemos viver num regime que contempla o acto eleitoral sem nos encontrarmos num regime democrático.

Acho que essa é a grande conclusão desta apoteose crítica da luta entre classes a que chamamos crise. Do mesmo modo, a actividade política cidadã não se restringe apenas ao acto eleitoral.

Por isso, apelo a todos cuja motivação política persegue o objectivo de uma sociedade de indivíduos livres e emancipados para que considerem a subversão deste sistema como objectivo número um. Encontremo-nos no espaço físico e etéreo, o partido invisível, para operar a perversão deste sistema, abrir brechas que intensifiquem a tensão social e travem o “business as usual”. Estamos cansados mas não vencidos.

aqui: http://p3.publico.pt/actualidade/politica/18394/o-partido-invisivel

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