Posição da filósofa, professora universitária e anarquista Judith Butler sobre o pós-atentado em Paris (via e-mail):


Judith-Butler-Thomas-Karlsson

(Foto: Thomas Karlsson)

Uma versão da liberdade foi atacada pelo terrorismo e a outra versão é restringida pelo estado. O estado defende a versão da liberdade atacada como o coração mesmo da França e, ainda assim, suspende o direito de reunião em meio ao luto e prepara-se para uma militarização ainda mais profunda da polícia. A questão política parece ser: que tipo de direita vai prevalecer nas eleições por vir?

Judith Butler

“Estou em Paris e passei próximo da avenida Beaumarchais na noite passada. Todo mundo que conheço está a salvo e bem, mas muitas pessoas que eu não conheço estão mortas, traumatizadas ou em luto. É chocante e terrível.
Parece claro, a partir do debate que se instaurou imediatamente após os acontecimentos na televisão pública, que o ‘estado de emergência’, apesar de temporário, define o tom para um estado securitário ampliado. As questões debatidas na televisão incluem a militarização da polícia, o espaço da liberdade e como lutar contra o ‘islã’. Hollande declarou tratar-se de uma guerra e age como se estivesse à frente do comando de um exército agora. A distinção entre estado e exército se dissolve. Os aspectos beneficentes dos poderes excepcionais concedidos ao soberano sob o estado de emergência incluíram corridas de táxi gratuitas para o retorno das pessoas às suas casas na última noite e a abertura dos hospitais para todos os afetados.
Minha aposta é que será importante acompanhar o debate sobre a liberdade nos próximos dias e semanas e que ele terá implicações para o estado securitário e as versões restritas de democracia que nos aguardam. Uma versão da liberdade foi atacada pelo terrorismo e a outra versão é restringida pelo estado. O estado defende a versão da liberdade atacada como o coração mesmo da França e, ainda assim, suspende o direito de reunião em meio ao luto e prepara-se para uma militarização ainda mais profunda da polícia. A questão política parece ser: que tipo de direita vai prevalecer nas eleições por vir? E o que agora se torna uma direita admissível, uma vez que Le Pen se tornou o ‘centro’. É um tempo horrível, triste e de maus presságios, mas esperançosamente ainda podemos pensar, falar e agir no interior dele.” (tradução de Silvio Pedrosa)

14/11/2015

aqui: http://revistacult.uol.com.br/home/2015/11/judith-butler-reflete-sobre-atentados-em-paris/

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