(França) Apelo para desobediência civil ao estado de emergência


manif paris

Um grupo de intelectuais franceses, com o apoio da generalidade do movimento anarquista, que estará presente, lançou um apelo para que o estado de emergência não seja seguido, recusa deixar as ruas ao exército ou à policia e apela a uma manifestação pelo clima já depois de amanhã, domingo, apesar da proibição governamental.

Texto do apelo à desobediência civil:

Desobedeçamos ao estado de emergência, manifestemo-nos no dia 29 de novembro

Não foi preciso esperar muito tempo para compreender que o estado de emergência decretado por três meses não se iria apenas limitar a proteger a população francesa de novos atentados.

Este fim de semana grande parte da cidade de Sens (Yonne) foi alvo de um recolher obrigatório, sem uma relação directa com os atentados. Foi a busca a um apartamento – cujos moradores, por fim, não foram incomodados – que justificou esta punição colectiva. Entre as 1072 buscas nocturnas levadas a cabo fora de qualquer quadro judicial pelos prefeitos, menos de uma dezena resultaram numa detenção. Em Nice, foi uma rapariguita de 6 anos que ficou ferida numa operação da polícia: os policias agiram em plena noite e derrubaram a porta errada. Domingo no Loire-Atlantique foi uma caravana de 200 bicicletas acompanhadas de 5 tractores que foram bloqueados pelas forças da ordem: tratou-se de dissuadir os ciclistas de chegarem a Paris para a COP21 (Cimeira do Clima que vai decorrer na capital francesa)

Durante este período, o governo retoma sem escrúpulos medidas defendidas antes pela extrema-direita. Os jornais garantem-nos: as sondagens confirmam a adesão massiva dos franceses a este estado de excepção sem precedentes nos últimos cinquenta anos.

O que está a acontecer é uma vitória para o Daesh (Estado Islâmico) que, com menos de uma dezena de homens, conseguiu que o Estado caísse nos seus piores reflexos reaccionários. É uma vitória para o Daesh ter conseguido pôr sob tutela securitária o conjunto da população.

Domingo, 29 de novembro, estava prevista uma gigantesca manifestação mas ruas de Paris para fazer pressão sobre os governos mundiais, em que ninguém confia para encontrar uma solução para o aquecimento climático. Eram esperadas centenas de milhar de pessoas de toda a Europa. Manuel Valls, certamente lúcido sobre o carácter insignificante dos acordos que sairão da COP21, temia bastante esta manifestação. Decidiu, por isso, proibi-la sob o pretexto de que a multidão arriscava ser alvo de um atentado. M. Valls brincaria com o fogo deixando os franceses arriscarem a vida ao fazerem as suas compras de Natal? Em qualquer caso usa a medida grande: quem se quiser manifestar incorre em 6 meses de prisão. M. Valls vai-nos meter na prisão para nos proteger dos atentados?

Nós sabemos que a proposta que fazemos, nas circunstâncias actuais, terá dificuldade em ser entendida. Desde há dez dias que os ecrãs sublinham a glória dos “valores” franceses. Nós levamos isso ao pé da letra. Se existe qualquer coisa como um valor francês é o da recusa desde pelo menos há dois séculos de deixar a rua ao exercito ou à polícia. A mobilização por ocasião da COP21 é um desafio primordial e não aceitamos que o governo manipule o medo para nos proibir de nos manifestarmos.

Domingo, dia 29, fazemos um apelo de desobediência ao estado de emergência e para que nos encontremos às 14 h na Praça da República.

aqui: http://salvador-segui.blogspot.pt/2015/11/bravons-letat-durgence-manifestons-le.html

http://www.liberation.fr/debats/2015/11/24/bravons-l-etat-d-urgence-manifestons-le-29-novembre_1415769

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