A CNT espanhola pretende ajudar a “refundar uma nova internacional sindical” à margem da actual AIT


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Desde a sua fundação, no final do ano de 1922, em Berlim, que a AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores) agregou os sindicatos de inspiração sindicalista-revolucionária e anarco-sindicalista, como a CGT portuguesa ou a CNT espanhola. Com o desmoronar do movimento revolucionário e anarco-sindicalista após a Revolução e a Guerra Civil Espanhola, a AIT manteve-se reunindo os escassos núcleos anarco-sindicalistas que persistiam em vários países, com pouca actividade e pouca influência entre os movimentos laborais.

Com o renovar da prática anarquista e anarco-sindicalista no final dos anos 90 do século passado, a AIT não tem conseguido estar à altura deste novo despertar libertário. A sua presença é pouco mais que simbólica e a urgência de uma nova estrutura internacional, numa altura em que as lutas são cada vez mais globais, é por demais evidente.

Isso mesmo acaba de concluir o recente Congresso da CNT, realizado em Zaragoza, no início deste mês de Dezembro. Martin Paradelo, o secretário-geral da CNT, entrevistado pelo site “alasbarricadas”, responde do seguinte modo à pergunta do entrevistador sobre quais as decisões tomadas no Congresso relativamente às relações internacionais:

“Martín Paradelo – Definiu-se um novo enfoque organizativo a nível internacional, que passa por denunciar o carácter inoperante da actual AIT e por se pôr em marcha um projecto de expansão internacional que deve culminar na celebração de um congresso de refundação de uma internacional do sindicalismo revolucionário sem as marcas burocráticas de que padece a actual AIT.

Digamo-lo claramente: é fundamental uma opção internacional com capacidade de influência e coordenação de lutas e conflitos sindicais, num momento em que a economia se encontra num nível tão grande de globalização, mas também é preciso ter claro que é impossível encarar este processo desde organizações minúsculas formadas por algumas dezenas de pessoas que manifestam um sectarismo atroz, uma tendência ao controlo autoritário que raia a paranóia, um gosto pela burocratização muito longe do libertário e que exalam um odor a etnocentrismo ocidental rançoso e reaccionário. O Congresso decidiu que a nova Internacional deverá ter formas de relacionamento mais abertas e flexíveis do que o férreo controlo interno pretendido pela actual cúpula, ou seja, potenciando a autonomia das secções.

Uma nova Internacional deve compreender e valorizar as diferenças e o específico de cada organização e dos contextos culturais em que se inscrevem e desenvolvem e que funcionam em parâmetros ideológicos e se desenvolvem em imaginários muito diferentes do sindicalismo do primeiro mundo industrializado e hegemónico a nível global. Fazendo da acção directa e da autogestão os conceitos básicos que sirvam como aglutinadores, a nova Internacional deve ser aberta e estar baseada na compreensão lúcida da diferença.”

Esperemos pois por esta renovada esperança numa internacional mais actuante, mais presente e dinamizadora dos movimentos sociais e do sindicalismo revolucionário a nível internacional.

entrevista de Martín Paradelo na integra: http://www.alasbarricadas.org/noticias/node/35401

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