(este domingo) Eleições em Espanha: os parlamentos não nos servem!


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Domingo é dia de eleições no Estado Espanhol. Os anarquistas não votam. Apelam à transformação radical da sociedade e não à mediação e à manutenção do “status quo” capitalista de que o sistema parlamentar e representativo é um dos principais garantes. A Federação Anarquista da Catalunha tem sido particularmente activa na defesa da abstenção através de diversos materiais de propaganda, nomeadamente através deste vídeo, em catalão: “envolvamo-nos, decidamos, actuemos”.

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OUTRAS MANEIRAS: Os parlamentos não nos servem

Os parlamentos existem e também existem as filas de desempregados ou os salários baixos, o pagamento pela educação ou pela saúde, a falta de creches e de assistência ao domicílio, a falta de acesso a três refeições por dia ou as terras ao abandono, o transvase do rio, o fracking ou a construção de obras que ninguém pediu. E isso demonstra que não nos servem; não nos servem se aquilo que pretendemos mudar é o nosso dia-a-dia.

Por isso, não participamos do jogo eleitoral, nem tampouco desejamos mandar no parlamento. Consideramos que a verdadeira força e o poder de mudar as coisas não passa por participar em eleições e ter mais lugares do que o adversário. Grécia, mais uma vez, mostrou-nos o caminho que não queremos percorrer. A partir do governo, da sua legalidade e das suas normas, voltaram de novo a demonstrar que as decisões políticas são tomadas sempre contra a vontade das classes populares e em favor dos poderes económicos e do aparelho do Estado.

Pelo contrário, grande parte das vezes em que os oprimidos se revoltaram e conseguiram destruir parte do sistema de dominação imperante, criaram estruturas horizontais, em que as pessoas participavam nas decisões que as afectavam. Não é uma invenção recente. Aconteceu na revolução zapatista dos anos 90 ou na actual situação no Curdistão.

Chamemos-lhe assembleia, concelho ou reunião de vizinhos. Tecer e recuperar os laços sociais com aqueles com quem convivemos todos os dias. O parlamento e as eleições não são uma conquista da democracia. São a sua negação, já que abandonamos a nossa capacidade de decidir e actuar nos assuntos que nos interessam. Para nós, a democracia é aquela em que o povo exerce a sua soberania directamente sem a intermediação dos políticos e das suas instituições.

Por isso consideramos que a melhor via para realizarmos uma mudança real nas nossas vidas passa pela luta no dia-a-dia e sobretudo por darmos um passo em frente. Passo que já se deu com as greves da Movistar ou da Panrico. Devemos mudar o discurso, devemos deixar de rogar aos políticos, de esperar que nos dêem o que, embora sabendo que é justo, não temos. É o momento de começar, de nos apropriarmos dos meios e das ferramentas necessárias, de deixarmos de esperar com o sonho intacto de que desta vez, sim, é o momento de agirmos para convertermos as expectativas em realidade. É por isso de que defendemos que a política e a luta devem estar na rua, no trabalho, nas escolas e nos hospitais, porque os direitos que conquistamos pela nossa força serão mais difíceis de nos serem arrebatados do que os sujeitos à lei, a promessas eleitorais ou às decisões criminosas da troika.

Desde a Federação Anarquista da Catalunha não pedimos o voto para ninguém, tão só pedimos luta. Luta nos bairros, luta nas aldeias, luta no campo, luta no trabalho e em casa, luta nas escolas e em qualquer em que haja injustiça e opressão.

Federació Anarquista de Catalunya

Dezembro de 2015

aqui: http://www.federacioanarquista.org/els-parlaments-no-ens-serveixen/

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