O caso Banif e o seu seguimento


banco

Vitor Lima (*)

“Entre 2008 e 2014 foram concedidos apoios públicos ao sector financeiro cujos fluxos líquidos atingiram no final do período € -11.822 M.” (Tribunal de Contas)

1 – No caso do sistema financeiro, provavelmente, vão seguir-se ao Banif ( > € 3800 M), o Montepio (€ 62.5 M já em 2013) e a CGD, com envolvimentos enormes de fundos públicos, numa escala até agora não vista. A título de exemplo, na Grécia já atingiu € 47000 M.

2 – Essa situação significará a extinção de bancos com centros de decisão em Portugal e as poupanças e créditos concedidos a serem integrados em redes financeiras para as quais os portugueses contarão como 10 milhões de seres periféricos, empobrecidos e ignorantes; isto é, um “mercado” pouco interessante.

3 – É evidente e consensual a exigência popular pelo conhecimento das contas e locais para onde se escoou o dinheiro confiado aos bancos, reforçado pelas entregas de fundos públicos, bem como os nomes dos responsáveis pelas facilidades dadas para esse escoamento criminoso.

4 – Esse conhecimento só pode conseguir-se através de uma auditoria aprofundada jamais suscetível de ser executada decentemente por elementos pertencentes à classe política, ao sistema financeiro ou destes dependentes.

5 – Criação de um tribunal especial e plenos poderes de acesso e investigação, constituído por elementos nas condições expressas em 4. para a análise dos comportamentos e responsabilidades dos envolvidos nas burlas bancárias desde o BPN e, avaliação dos danos causados na população, vítima da austeridade e perda de direitos nos últimos já longos anos.

6 – Repúdio pelo afunilamento da reação aos descalabros bancários através de atuações mediáticas inconsequentes, incompetentes, coniventes com os actos praticados ou, dirigidas a um ou outro elemento (ex. o governador do BdP) bode expiatório de todos os males, para alívio das responsabilidades da maioria dos políticos e dos banqueiros.

7 – Realista consideração de que o sistema financeiro é global, integrado, desnacionalizado, com regras definidas pelo próprio sistema financeiro e aceites, pacificamente e de modo conivente, pela grande maioria dos governos e classes políticas mundiais.

8 – Apelar, no contexto vigente definido em 7., por um controlo público nacional da banca é totalmente irrealista, no atual modelo concentracionário e globalizado do chamado “mercado de capitais”, que vai muito para além da UE.

9 – Na prática, esse controlo é o que vem acontecendo, com a nacionalização do BPN, as injeções de capitais públicos com evidentes perdas em nome da quimérica salvação de riscos sistémicas, com a partidarização dos processos e da gestão, a ausência de informação; e, com o bem presente financiamento desses desmandos através do aumento de impostos sobre trabalhadores e reformados, perda de direitos para quase todos, o que vulgarmente se chama austeridade.

10 – Um sistema financeiro isento dos desmandos a que vamos assistindo nos últimos sete anos terá de ter caraterísticas completamente distintas do actual, desconetado da especulação, do branqueamento de capitais, baseado nas poupanças realmente existentes e em créditos de proximidade; uma banca ética.

11 – Sair da situação actual exige uma estratégia sobre os objetivos da sociedade portuguesa, na sua Inter-relação com outros povos, mormente do estado espanhol, a consideração de uma economia baseada nas necessidades e não na histeria do aumento do PIB, uma democracia em que todos possam ser decisores e executores, eleitores e eleitos, sem exclusões como assistimos na chamada “democracia representativa”.

12 – Nenhuma estratégia – somente foguetório à hora do telejornal – pode sair da classe política, corrupta ou acomodada que, nem a isso se sente obrigada por um empresariato culturalmente indigente e viciado no subsídio público, na fraude e no favor.

(*)aqui: https://www.facebook.com/vitor.lima.9678067/posts/10208567857460060?fref=nf

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