Mês: Janeiro 2016

Tanya Gólan: a militante anarquista que recusa fazer parte do Exército Sionista Israelita


tanya 2

O serviço militar obrigatório em Israel tem levado muitos jovens pacifistas a recusarem prestar serviço militar, entre eles vários anarquistas que reclamam o direito à objecção de consciência. Num país onde a autoridade das forças militares é inoculada nos jovens desde os bancos da escola e o espírito militar atinge todos os sectores sociais, a recusa em prestar o serviço militar e colaborar com o exército é visto como um acto de insubmissão e tem como pena a prisão. Tanya Gólan é uma destas activistas que, por se recusarem a submeter à lei militar, foram privadas da liberdade e sujeitas à prisão pelo Estado israelita.

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(opinião) Anarquia é liberdade de todos para todos


LIBERDADE

Como sistema politico-social que é, anarquia não se destina ao indivíduo, mas sim à sociedade. Assim anarquia não é liberdade individual, mas liberdade colectiva – liberdade de todos e para todos. Então, ser anarquista não é fazer o que apetece a cada um, já que a liberdade de um individuo colide, ou pode colidir, com a liberdade de outro. E como vivemos num todo (sociedade) relacionando-nos, precisamos de estabelecer as formas em que essas mesmas relações decorram sem atritos.

Sem leis, instituições, deuses ou religiões que imponham leis, obrigações ou qualquer limite externo ao comportamento individual, o respeito de cada um pelo todo e do todo por cada um, é o único meio que possuímos para construir uma sociedade onde impere a harmonia, sem existência de coação. Ou seja, liberdade em harmonia sem coacção externa, é o produto do respeito que nutrimos pelos outros.

Portanto anarquia não é liberdade absoluta já que auto limitamos a nossa liberdade com o respeito pelos outros; é liberdade auto-condicionada. Condicionada pelo próprio individuo e não por autoridades externas. Condicionada pela consciência de cada um, condicionada pela compreensão do estado do outro (empatia) e pelo respeito que nos merecem.

Só dessa forma é possível construir uma sociedade sem exploração, sem opressão, e na qual a liberdade, nossa e dos outros, seja integralmente respeitada. Dessa forma a melhor forma de definir anarquia é como sendo o mais elevado patamar de civilidade das sociedades humanas.

Luis Martins

27/1/2016

Sobre o “anarco”-capitalismo que, na verdade, não existe


capitalismo

O anarco-capitalismo não existe. Pelo menos para além do termo, um termo sem definição, um termo sem qualquer significado. Não existe a não ser nessa expressão, na palavra escrita, na palavra lida, na palavra pronunciada, na palavra ouvida. Não existe a não ser no falso, não existe fora do irreal, não existe porque, de facto, não existe.

O anarco-capitalismo não é mais nem menos do que o histórico liberalismo com o nome alterado, uma ideologia que leva ao extremo a teoria e a práxis capitalista. Baseia-se num capitalismo sem Estado. E um ignorante qualquer teve a ideia errada de misturar duas ideias antagónicas. Isto porque não compreenderam e continuam sem compreender que anarquista não é aquele que está apenas contra o Estado, mas sim contra qualquer autoridade, contra a dominação e a exploração do ser humano por outro ser humano.

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(memória libertária) O Binóculo e Louise Michel


Capturar

O Binóculo foi um jornal humorístico de periodicidade primeiro quinzenal e depois semanal que se publicou em Ponta Delgada, tendo a sua redação na rua de são Brás, 98 e 100. O Binóculo foi um dos projetos dos dois irmãos editores de jornais João Cabral (1853-1916) e Augusto Cabral (1856-1924) que foram proprietários da Litografia Lusitana.

João Cabral, identificado em alguns jornais como professor de desenho, foi, segundo Ana C. Moscatel Pereira, a alma do binóculo e o seu filho “O Pist” foi “um artista de merito que estuda e que progride a olhos vistos […]» e que ia «conquistando logar honroso não só pela firmeza do traço e correcção do desenho, mas tambem pela graça que faz presidir aos seus trabalhos”.

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(efeméride) Recordar o holocausto para melhor combater a besta totalitária


Mauthasen

Campo de concentração de Mauthausen onde morreram muitos anarquistas espanhóis, fugidos de Espanha depois da vitória do fascismo franquista e que integraram a resistência, sobretudo em França.

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Campo de Auschwitz no dia em que as portas foram abertas. O escritor Primo Levi esteve neste campo desde 13 de Dezembro de 1943 até finais de Janeiro de 1945. Os horrores do holocausto estão magistralmente descritos no seu livro “Isto é um homem”

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Há quem refira que hoje se assinala o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Que o seja. Enquanto anarquistas todos os dias são importantes para alertar para o facto da liberdade não ser um valor seguro e que está constantemente em perigo.

Ao longo dos milénios, a história da humanidade tem sido também a história do horror e da guerra. Embora não se possam esquecer os milhões de mortos e torturados pelos regimes torcionários implantados nos países sob controlo soviético ou chinês, em nome do socialismo (o que os torna ainda mais desprezíveis), este horror ganhou especial amplitude no decorrer do século XX com o holocausto nazi.

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(Insubmissão) Anarquistas franceses protestam contra alterações à lei da nacionalidade e pedem que lhes seja retirada a nacionalidade francesa


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Um conjunto de anarquistas pede oficialmente ao presidente da república francesa para que lhes seja retirada a nacionalidade

Por iniciativa de alguns militantes da Federação Anarquista Francesa, devido às últimas manipulações politiqueiras de um governo que brinca com o fogo do estado de emergência e da degradação da nacionalidade, uma dezena de pessoas pede para que lhes seja tirada a nacionalidade francesa e exigem ser cidadãos do mundo.

A Federação Anarquista que é, na essência, internacionalista e a-nacionalista, apoia esta iniciativa e apela a que ela se intensifique.

No momento da mundialização económica capitalista, uma outra mundialização é possível. Melhor: ela é necessária!

Federação Anarquista (França)

Aqui o texto do apelo destes companheiros:

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(este sábado) No CCL, Círculo de Leituras Anárquicas + Jantar


eco

Este sábado, 30 de Janeiro, pelas 18,45H, no Centro de Cultura Libertária (Cacilhas)

18h45 – O clube aberto de leitura e discussão vai ler e discutir os textos “Da recuperação da miséria e da miséria da recuperação” e “Um circundo para vivermos dentro – Notas sobre a sociedade industrial e a sua tecnologia”, assim como implicações do que neles se diz para uma prática de luta.

O primeiro é uma avalanche crítica sobre as facetas unicamente construtivas do “movimento revolucionário”, o segundo um desenrolar em torno de como agirmos sobre coisas específicas relacionando com o que as envolve. «Nas notas que se seguem tentarei trazer ao de cima algumas relações entre a progressiva perda de autonomia individual e social, a devastação ambiental e o aguçar da repressão. Não de forma a atualizar o interminável catálogo dos horrores e lamentações, mas para refletir sobre algumas possibilidades.», diz-nos o autor desse texto. (aqui, em versão para impressão)

20h30 – Jantar e bar.

https://www.facebook.com/centrodecultura.libertaria.7

Um colóquio cada vez menos libertário e mais “libertariano”


Cartaz_-_Pensamento-Libertario-III

Foi hoje divulgado no site do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa o programa do COLÓQUIO “PENSAMENTO LIBERTÁRIO III: PASSADO, PRESENTE E FUTURO”, marcado para o dia 17 de Março, para o qual, oportunamente, o Portal Anarquista tinha sido convidado por uma simpática mensagem dos seus organizadores. O convite era para intervirmos no último painel, lado a lado com um anunciado Partido Libertário Português, e dizia textualmente: “Deste modo, vimos por este meio convidar o Portal Anarquista de Évora a participar no mesmo. Caso aceitem participar, deverão integrar o III Painel, juntamente com o Partido Libertário Português, a ter início por volta das 16h:15m. A participação tem a exposição de uma comunicação durante 30 minutos, havendo um período de debate após as devidas comunicações”. Recusámos o convite, como é claro. Foi esta a resposta que enviámos há já alguns dias aos organizadores do Colóquio:

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(memória libertária) A selvática execução de anarquistas no Japão a 24 e 25 de Janeiro de 1911


KotokuShusui  Kanno.Suga


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Apesar do movimento anarquista no Japão não conhecer actualmente o ressurgimento que tem acontecido noutras partes do globo, a verdade é que a presença libertária nesta parte do mundo foi muito forte durante a primeira metade do século passado (há um livro muito interessante, em castelhano, sobre o anarquismo no Japão, de Vitor Garcia, há muito esgotado, mas que pode ser descarregado a partir daqui), que deixou raízes profundas em muitos sectores da sociedade japonesa.

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Há 105 anos, o mês de Janeiro em Tóquio ficou assinalado pela execução de 12 anarquistas, entre eles Shusui Shūsui Kōtoku, uma das figuras mais destacadas do anarquismo japonês, e de sua mulher, Kanno Sugako, escritora e jornalista anarco-feminista.

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