(Curdistão) Porque é que a UE permanece em silêncio perante o massacre do povo curdo pelo exército turco?


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Nos últimos meses temos vindo a receber notícias dos ataques do estado curdo contra a população curda de Bakur (Norte do Curdistão, pertencente ao estado turco), Estes ataque tem ido em crescendo até agora, na prática, estarem em guerra aberta, com bairros inteiros sitiados pelo exército. As informações dos meios de comunicação estão a ser bastante confusas e Erdogan está a aproveitar a “crise dos refugiados” para ter uma posição de força face aos seus aliados ocidentais. Este comunicado do Congresso Nacional Curdo faz um resumo da situação actual e um chamamento para que cessem os massacres cometidos pelo estado turco. (Através de Alasbarricadas. Inglês/catalão/castelhano)

O estado e o governo turcos lançam uma guerra total contra os curdos

Depois do golpe contra as eleições de 7 de Junho de 2015, sob a liderança do presidente Erdogan, o estado turco começou uma guerra efectiva contra os curdos. O Estado, que inclusive deslocou mejos da marinha para o Curdistão, está a utilizar todas as tácticas sujas que lhe são habituais. Durante várias semanas impôs o recolher obrigatório em muitas povoações e cidades por todo o Curdistão. O recolher obrigatório ainda se mantém em Cizre, Silopi e Sur. Também há recolher obrigatório intermitente em localidades como Nusaybin, Dargecit, Lice e Varto. Até agora, durante os recolheres obrigatórios o estado turco matou um total de 260 civis. A maioria destes assassinatos foi causada por fogo de artilharia (tanques), mísseis e franco-atiradores.

O estado turco está a processar funcionários curdos eleitos democraticamente, retirando autarcas eleitos das suas funções e prendendo jornalistas. A repressão por parte do exército turco está dirigida especialmente contra mulheres e crianças. Recentemente três mulheres curdas, com intervenção política, foram assassinadas pelas forças do estado turco numa execução extrajudicial em Silopi, um distrito de Sirnak

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Pakize Nayir, Fatma Uyar e Sêvê Demir

Sêvê DEMIR, membro da Assembleia Parlamentar do Partido das Regiões Democráticas (DBP); Pakize NAYIR, copresidenta do Conselho Popular de Silopi e Fatma UYAR, activista do Congresso de Mulheres Livres (KJA), foram assainadas (segunda-feira, 4 de Janeiro) pelas forças do estado turco em Silopi, onde o recolher obrigatório se prolonga há 23 dias.

Prisão de autarcas

Desde as últimas eleições até 20 co-presidentes de Câmara (no Curdistão, para uma maior presença das mulheres na vida pública, as presidências e outros cargos são compartidos e mistos relativamente ao género) do PDB foram presos. Alguns foram demitidos das suas funções pelo Ministério do Interior. Enquanto estas operações se mantêm, o AKP (partido de Erdogan) anunciou novas medidas. A partir de agora um administrador escolhido pelo governo será contratado para substituir os co-autarcas que são demitidos das suas funções. Os funcionários democraticamente eleitos estão a ser desautorizados por burocratas escolhidos pelo estado.

Novas leis contra os membros do Parlamento

Enquanto ao nível do poder local se levam a cabo as politicas referidas, o residente turco Erdogan mostrou uma vez mais a sua intolerância face a qualquer crítica contra o governo por parte dos copresidentes do HDP, Selahattin DEMIRTAS e Figen YUKSEKDAG, e pediu aos agentes do estado para abrirem processos judiciais contra eles. Logo que Erdogan disse que “estas pessoas devem pagar caro”, o poder judicial e o poder legislativo viraram-se contra a copresidência da HDP e outros deputados da mesma formação. É cada vez mais claro que estas medidas fazem parte dum plano mais geral por parte do estado.

O documento de confissão do genocídio

Foi documentado recentemente que o massacre de civis no Curdistão é provado pelo estado. Num documento pertencente à Direcção da Força Terrestre Turca, alerta-se para que “as consequências para o pessoal militar que não use as suas armas por medo de ser processado serão muito perigosas” e deixa clara a ordem para que as armas sejam usadas. No documento, são dadas garantias aos soldados de que não serão processados se matarem civis.

O documento que revela as instruções do Estado para os recentes assassinatos civis tem a assinatura de “Direcção de Forças Terrestres, Direcção da 172ª Brigada Blindada, Direcção do 3º Batalhão de Tanques, Cizre / Sirnak”. O documento, que tem o número de série “84933840-3000-350-15”, intitula-se “vigilância de pessoal e uso de armas de fogo” e tem data de 30 de Julho de 2015.

Há cem anos foram os arménios

O regime turco quer voltar a levar a cabo os genocídios que cometeu  em princípios do século XX contra os arménios (quando foram massacrados milhão e meio de civis) e em Dersim, Agiri e Kocgiri (em que centenas de milhar de curdos foram massacrados). Há apenas dois dias o presidente de Câmara de Adana (AKP) Hussein Sozlu, afirmou num comunicado público dirigido aos curdos na Turquia: Vocês vão acabar como os arménios”.

Erdogan quer o regime de Hitler

O presidente turco Erdogan afirmou claramente frente às câmaras de televisão que queria um estilo de governo similar ao da Alemanha de Hitler. Erdogan descreveu o seu tipo de governo favorito deste modo: “Podemos ver estilos similares de governo na Alemanha de Hitler. Pode-se encontrar o mesmo estilo também noutras partes do mundo”. Esta declaração foi amplamente difundida nos meios de comunicação internacionais. De facto, ainda que Erdogan esteja neste momento a usar tácticas hitlerianas contra o povo curdo, por alguma razão, desta vez o mundo permanece em silêncio.

Política de despovoamento no Curdistão

As pessoas que resistem a todos estes ataques estão a fazer tudo o que é possível para permanecer nas suas casas. O Exército turco esta a tentar, pela força, que as pessoas Cizre, Silopi e Sur abandonem os seus lares. Estas tentativas, que recordam as tácticas nazis, estão a ser praticadas diariamente nestas localidades. O Exército turco está a ameaçar as pessoas dizendo que se não abandonam as suas casas arriscam-se a ser massacrados.

Povoações convertidas em campos de concentração

Só em Barbaros, um bairro de Cizre foram tiradas das suas casas, pela força, 7.000 pessoas e levadas para um estádio no bairro de Yenisehir donde se foi dada ordem para abandonarem a cidade definitivamente. As pessoas que não abandonam as suas casas estão rodeadas por soldados do exército turco que disparam artilharia pesada nesses bairros.

Fazemos um chamamento geral para exigir o fim imediato do massacres levados a cabo pelo estado turco.

Enquanto o estado turco está a negociar com a UE, massacra, tortura e prende os curdos no seu próprio país. Porque é que a UE permanece em silêncio face a estas acções que violam flagrantemente os valores da UE?

Num flagrante acto de vingança, o estado turco está a atacar os curdos que se encontram na primeira linha na luta contra a barbárie do ISIS, e porque é que ficam silenciosos os membros da coligação contra o ISIS?

Fazemos um chamamento a todo o mundo para que faça ouvir as suas vozes contra o estado turco e o massacre de Erdogran sobre o povo curdo.

Congresso Nacional do Curdistão (KNK)

Janeiro de 2016

(Tradução do Portal Anarquista, a partir da versão espanhola do comunicado do KNK)

relacionado: http://curdistam.blogaliza.org/2016/01/09/chamada-urgente-das-organizacons-de-direitos-humanos-da-turquia-a-comunidade-internacional/

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