CRONOLOGIA PROVISÓRIA DE MANUEL VIEGAS CARRASCALÃO (1901-1977)


1

Marcelina Guterres e Manuel Viegas Carrascalão

Cronologia de Manuel Carrascalão, anarco-sindicalista, militante das Juventudes Libertárias e da CGT, preso várias vezes durante a 1ª república e deportado para Timor, onde ajuda a combater os japoneses que invadem o território na 2ª Guerra Mundial. O regime salazarista reabilita-o de seguida, tendo Carrascalão abandonado os seus antigos ideais libertários e assumido funções administrativas em Dili, nomeadamente como presidente da Câmara local.

1901
Nasce Manuel Viegas Carrascalão, filho de Manuel Viegas Carrascalão e Maria Faustina Cavaco (da Freg. de Alosno, Huelva, Andalucía, Espanha), no sitio dos Machados, São Brás de Alportel a 24 de Outubro.
1913
Aos 12 anos é aprendiz de tipógrafo junto a Manuel Fagundes de Almeida (mais tarde Manuel Fagundes há-de ser preso por questões políticas) no semanário “Ecos do Sul” de São Brás de Alportel (o jornal fechou a 20 de Novembro de 1913)
Vem para Lisboa e trabalha como tipógrafo.
1920
É preso por bombismo.
1922
É preso por bombismo.


1924
Em Dezembro, Manuel Viegas Carrascalão, que se encontrava preso e na linha de deportação, é posto em liberdade devido à pressão da CGT, FJS e sindicatos junto ao poder
1925
É secretário-geral da Federação das Juventudes Sindicalistas
1925
Em Janeiro participa num comício da CGT em Portimão
1925
Sebastião Marques, Germinal de Sousa, Vasconcelos da Silveira, Manuel Viegas Carrascalão e Emídio Santana são os elementos mais activos na 1a Conferência Juvenil, organizada pelas Juventudes Sindicalistas,
nos dias 22 a 30 de Março de 1925, realizada em Lisboa. Presentes delegados do Núcleo Central e de 5 secções: Central, dos Empregados no Comércio, Metalúrgicos, Mobiliários e do Beato ou Olivais. Presentes dois elementos de relevo da Confederação: Manuel Joaquim de Sousa, que ali representa a Federação Anarquista da Região Sul, e Carlos Coelho, este em representação da CGT.
1925
Abril de 1925. O secretário adjunto da FJS, Manuel Augusto Vasconcelos Silveira demite-se do cargo por considerar que a atitude de Manuel Viegas Carrascalão usurpa o poder colectivo, acusando-o de decidir sozinho. A questão do assalto ao tesoureiro da Sociedade Português das Pescas na 24 de Julho atribuido à Legião Vermelha.
1925
Representação directa da CGT nas acções do 1o de Maio de 1925: Setúbal- Santos Arranha e Virgílio de Sousa, Olhão e Faro- António Monteiro e Manuel Joaquim de Sousa, São Bartolomeu de Messines- Faustino Ferreira, Évora-Artur Aleixo de Oliveira, Aljustrel e Beja- Francisco Viana e Artur Cardoso, Ervedal e Estremoz-Jaime Tiago, São Domingos-Manuel Peres, Montemor-o- Novo -Antunes Rodrigues, Vendas Novas-João Gomes, Ponte de Sor-Francisco Quintal, Coimbra-Delfim Pinheiro, Sines-Manuel Nunes, Portimão-Quirino Moreira, Barreiro-Mário Pinto, Montijo-Aldegalega- Amadeu de Moura, Oeiras-António Marcelino, Cascais-Manuel Rodrigues, Tires-Tavares Adão, Marinha Grande- Fernando Almeida Marques, Almada-Lúcio Costa, Vieira de Leiria-Adelino Ferreira e Almeida Marques, Torres Novas-Ferreira da Silva, Vila Franca de Xira-Emídio Santana, Santarém-Augusto José Afonso, Gouveia-Alfredo Pinto, Castelo Branco-Manuel Viegas Carrascalão, Covilhã-Manuel Gonçalves Vidal, Lisboa-Manuel Silva Campos, Porto-Jerónimo de Sousa.
1925
É preso por bombismo e acusado de pertencer à Legião Vermelha, na sequência das represálias do poder ao atentado de assassinato a Ferreira do Amaral, comandante da Polícia Cívica de Lisboa, a 15 de Maio.
1926
II Congresso das Juventudes Sindicalista, clandestino, no Barreiro, onde é discutida entre outras a tese “Solidariedade aos jovens presos ou perseguidos” da autoria de Manuel Viegas Carrascalão, tese essa enviada da prisão, Monsanto.
1926
Em Setembro é condenado a 6 anos de degredo pelo Tribunal Militar por ser da Legião Vermelha.
1926
Em Dezembro, o Supremo Tribunal confirma pena de degredo de 6 anos a Carrascalão, por responsabilidade na criação e actividade da Legião Vermelha.

2

Manuel Francisco (conhecido por Gavroche) tal como foi encontrado morto nas terras do Sabido, em Campo de Ourique.

1927
Carrascalão escreve do Forte de Monsanto, onde ele se encontra encarcerado, a 23 janeiro1927, onde acusa a polícia das mortes de Gavroche e também de Diamantino de Anunciação e Domingos Pereira. Afirma que certos polícias vêm à prisão à procura de certos jovens para os levar com o objectivo de os assasinar. O que aconteceria a Filipe José da Costa e Hilário Gonçalves.
1927
Manuel Viegas Carrascalão, gráfico, José Gordinho corticeiro, João Maria Major, manipulador de pão, José Filipe, da construção civil, Joaquim da Silva, metalúrgico, e outros, num total de 64, são deportados no navio Pêro de Alenquer para Timor, no mês de Abril. A viagem demorará 5 meses e passa por Cabo Verde, Guiné, onde desembarcam alguns deles e entram outros e Moçambique onde muda o comandante do navio.
1927
Chegada a Timor. Outubro. A chegada de deportados a Timor é encarada pelo governador de Timor como um factor de progresso, dentro do ponto de vista de colonizador. Os deportados são autorizados a trabalhar, em nome próprio ou para outro. Manuel Viegas Carrascalão é preso em condições sub-humanas na prisão Aipelo. (confirmar)
1928
MVC é liberto por bom comportamento e imediatamente desterrado para Venilale.
Em Venilale para sobreviver dá aulas de português, faz de carpinteiro e de pedreiro.
No mercado de Venilale conhece a jovem timorense Marcelina Guterres, filha de Loi Sibe e Joana Guterres.
1929
Nasce Dora (na foto de cima, ao colo da mãe), a 1a filha de Manuel Viegas Carrascalão e Marcelina Guterres.
1931
Chega a Timor Arnaldo Simões Januário na leva de deportados. É fundada a Aliança Libertária de Timor (1931 ou 1932?). Há informação também da publicação de um jornal anarquista e que a Aliança tinha ligação à FAI.
1933
O governo de Timor realiza um inquérito às actividades da Aliança e do seu jornal (?) em Novembro de 1933 levando à prisão de vários de portados na ilha Atauro.
1933
Nasce na ilha prisão Atauro, onde está preso Manuel Viegas Carrascalão, o 3o filho do casal que fica com o nome Manuel.
1937
Nasce em Uai Tali Bu’u o 5o filho do casal, Mário Viegas Carrascalão. MVC trabalha na Granja Eduardo Marques, propriedade agrícola do estado.
1941
Manuel Viegas Carrascalão é capataz da Granja Eduardo Marques. Informação do médico José dos Santos Carvalho que chega nesse ano.
1942
No início de 1942, Manuel Viegas Carrascalão é preso, conjuntamente com o chefe de posto, sargento Mortágua e o missionário Padre Madeira, pelos japoneses. É liberto passado 4 dias.
1943
A 30 de Janeiro Manuel Viegas Carrascalão faz parte da coluna de voluntários comandada pelo tenente Liberato.
1945
Em Agosto de 1945 as tropas japonesas abandonam o território. A 8 de Dezembro de 1945 o governador da colónia e outros 160 portugueses, onde está Manuel Viegas e a família empreendem a viagem de regresso no navio Angola a Portugal.
1945
O governador da Colónia de Timor, no uso das faculdades que lhe são atribuídas pelo artigo 31.o do Acto Colonial e pelo n.o 21.o do artigo 33.’ da Carta Orgânica do Império Colonial Português, determina:
Que sejam louvados:
……
— deportado Manuel Viegas Carrascalão, pela forma
como exerceu as funções de feitor da Granja «Eduardo Marques» que soube tornar, mercê de uma grande tenacidade, aliada a uma inteligente actuação, um elemento de grande valor para
a melhoria das condições de alimentação dos portugueses con- centrados em Liquiçá, manifestando-se assim um empregado com uma nítida compreensão dos seus deveres e um óptimo auxiliar do Governo da Colónia.
……
Cumpra-se. — Residência do Governo da Colónia de Timor,
em Díli, aos 10 de Outubro de 1945. — a) Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho.
1946
A 15 de Fevereiro de 1946 chegam a Lisboa os repatriados de Timor. À “capital do nosso glorioso império” chegavam, em 1946, “os portugueses de Timor que teimaram em defender a soberania portuguesa, guiados pelo amor pátrio e pela bandeira verde rubra” afirmava em tom patriótico a narração da notícia ‘Chegada a Lisboa dos repatriados de Timor’. (“Jornal Português 1938-1951”Ricardo Braga).
1946
É recebido pelo astuto Salazar, que quer que ele volte para Dili. Manuel Viegas negociou então um acordo, conquistando o direito aos 386 – hectares da fazenda de café e chá do Estado, Granja Eduardo Marques e regressa reabilitado em 1946, com honras de Estado
A Granja Eduardo Marques é toda reestruturada e passa a chamar-se Fazenda Algarve. Manuel Viegas compra uma quinta, a Quinta do Anjo, para a entregar a Marcelina Guterres de forma a que esta tenha a sua independência económica.
1953
É criada a Associação Comercial, Agrícola e Industrial de Timor (ACAIT), cujos estatutos seriam aprovados pela portaria 1869, de 3 de janeiro de 1953, trabalho associativo de Manuel Viegas Carrascalão.
1967
O governador de NTT (do Timor Ocidental, indonésio), tenente-coronel El Tari, realizou um périplo pelo Timor Português, entre os dias 12 e 16 de Setembro de 1967, invocando como pretexto junto dos órgãos de comunicação social da Indonésia a recente visita efectuada a Kupang da caravana desportiva e cultural portuguesa para participar nas comemorações do 22o aniversário da independência da Indonésia. Na visita de 5 dias, o tenente-coronel El Tari fez-se acompanhar pelos mais altos funcionários de NTT e uma caravana cultural e desportiva de 88 elementos. Durante a estadia dos grupos desportivos e folclóricos de NTT decorreu uma “exposição de arte indonésia” na sede da Associação Comercial, Agrícola e Industrial de Timor (ACAIT), presidida pelo ex-deportado político português Manuel Viegas Carrascalão.
1972
Uma caravana desportiva de Kupang, composta por 40 elementos e 36 acompanhantes, deslocou-se a Díli para participar numa série de torneios nas modalidades de futebol, basquetebol, ténis e ténis de mesa. Presidida pelo admi- nisitrador de Kupang, Willem Oematan, a excursão esteve na capital do Timor Português entre os dias 25 e 30 de Maio de 1972. Na cerimónia de boas vindas, Manuel Viegas Carrascalão, presidente, em exercício, da Câmara Municipal de Díli e da Associação Comercial, Agrícola e Industrial de Timor, sublinhou no seu discurso que “no mundo conturbado em que vivemos, a amizade que liga os nossos dois países e, sobretudo as suas províncias desta maravilhosa ilha de Timor, bem pode apontar-se como exemplo de coexistência pacífica”
1972
A convite das autoridades de NTT, o governador Fernando Alves Aldeia autorizou a deslocação a Kupang de uma caravana desportiva de Díli para participar nas come- morações do 27.o aniversário da independência da Indonésia. Presidida pelo presidente da câmara municipal de Díli, Manuel Viegas Carrascalão, a comitiva contava com cerca de 200 pessoas. Durante a sua estadia, entre os dias 8 e 18 de Agosto, em Kupang, Manuel Viegas Carrascalão foi recebido pelo major-general Ali Murtopo, assessor especial do presidente Suharto para assuntos políticos e comandante da OPSUS, o serviço de Operações Especiais das ABRI, responsável pela compilação de informações e pela orientação de missões diplomáticas delicadas no estrangeiro
1975
Manuel Viegas Carrascalão vem a Portugal para tratamento médico.
7 de Dezembro de 1975. Indonésia invade Timor Leste. Manuel Viegas, doente dum cancro pulmonar, passa dificuldades, pois os indonésios retêm-lhe os bens.
1977
Morre Manuel Viegas Carrascalão, em Outubro, em Portugal.

aqui: https://www.facebook.com/oanarquistaquenaotinhamedodesalazar/posts/459368087605222

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