(Quem não se sente…) “Podem lavar a história mas não apagam a nossa memória”


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Em protesto contra a “mentira histórica”, branqueadora do despotismo “soviético” e da morte e prisão de milhares de anarquistas, a parede principal do Teatro Municipal de Almada apareceu com a inscrição: “Podem lavar a história mas não apagam a nossa memória. Viva a anarquia”.

Em causa está a nova peça que a Companhia de Teatro de Almada tem em cena da autoria de um dramaturgo russo, bolchevista, que foi correspondente de guerra do jornal Pravda e alinhado ideologicamente com o regime de terror de Lenine e seus sucessores. Uma peça propagandistica, que embora se faça eco da tradição anarquista bem presente entre os marinheiros russos (de que a insurreição de Kronstadt contra o regime comunista “soviético” foi um exemplo marcante), branqueia o regime, centrando a acção na intervenção duma “comissária do povo” que através da argumentação marxista suplantaria os argumentos libertários junto dos marinheiros, levando-os a apoiarem a acção do governo bolchevique. Uma peça ideologicamente manipuladora que, na altura e agora, serve para branquear o regime despótico instaurado pelo partido bolchevique sobre o povo russo.

Basta ler a sinopse apresentada pelo Teatro de Almada para se constatar o facto desta peça nada mais ser do que um elemento de propaganda ao regime “soviético” a que o povo russo e de outras nacionalidades oprimidas soube pôr fim com a queda do Muro de Berlim em 1989.

Sinopse:

Em plena Guerra Civil Russa, a tripulação anarquista de um navio que combatera na I Grande Guerra recebe um comissário bolchevique, que tem como missão mobilizá-la para a causa comunista. O comissário é, surpreendentemente, uma mulher, que muito rapidamente tem de se impor entre marinheiros. Segue-se um intenso debate ideológico, no qual se discutem os valores e os ideais da Revolução. E, pouco a pouco, de uma tripulação anarquista começa a surgir uma vontade comum. A tragédia optimista confronta-nos com o passado, num momento histórico em que importa voltar a pensar a relação entre o interesse individual e o interesse colectivo. Que motivos haverá ainda para que nos unamos em torno de uma causa?

Vsevolod Vichnievski (1900-1951) foi um dramaturgo e escritor russo que celebrou a revolução russa nas suas obras. Para além da sua carreira literária, também se distinguiu como militar, tendo participado, por exemplo, no cerco a Leninegrado. Foi correspondente de guerra para o jornal Pravda. A tragédia optimista é a sua obra mais conhecida, tendo sido levada à cena por Alexander Tairov, em 1933, e adaptada para cinema por Samson Samsonov, em 1963. Em França, esta obra suscitou o interesse de encenadores como Bernard Sobel, Clément Harari ou Jean Jourdheui. (daqui)

notícia e foto daqui: http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/31710

almada

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2 comments

  1. Fui ver a peça em causa, fui acompanhado de gente do teatro dos quais pelo menos 1 é comunista. Quando, no fim, me perguntaram a opinião respondi que achava que aquilo que tinha acabado de ver não passava de um insulto, insulto mal feito, mal escrito, mal representado. Insulto aos anarquistas da época que, apesar de terem mostrado vontade de participar na revolução bolchevista foram perseguidos, maltratados e até mortos nalguns casos. Insulto aos comunistas actuais como se aquilo fosse representativo das suas vontades ou anseios.

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