Dia: Fevereiro 13, 2016

Agostinho da Silva, pensador libertário, nasceu há 110 anos


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“No político, distingo dois momentos, o do presente e o do futuro. Principiando pelo segundo desejo o desaparecimento do Estado, da Economia, da Educação, da Sociedade e da Metafisica; quero que cada indivíduo se governe por si próprio, sendo sempre o melhor que é, que tudo seja de todos, repousando toda a produção por um lado no amador, por outro lado na fabrica automática; que a criança cresça naturalmente segundo suas apetências.”
Agostinho da Silva, Textos e Ensaios Filosóficos, II

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Agostinho da Silva nasceu faz hoje exactamente 110 anos. O pensador, o filósofo, o pedagogo, enfim, o homem multifacetado, desenvolveu ao longo de várias décadas uma actividade intensa em nome da liberdade e do ser na sua plenitude. Não confundia educação com ensino, nem dignidade com resignação. Segundo António Cândido Franco (director da revista libertária “A Ideia” e autor da monumental biografia sobre Agostinho editada há um ano), que ainda há um par de semanas falou na BOESG, em Lisboa, sobre Agostinho da Silva, foi precisamente a faceta libertária – embora sem nunca a reivindicar – o que mais marca este homem da cultura, da educação, da filosofia, mas também da interacção política.

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Jornais reaccionários espanhóis tentam criminalizar marionetista espanhol por ser anarquista


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Depois de terem perdido a batalha da criminalização dos dois marionetistas espanhóis junto da opinião pública e de se ter gerado um grande movimento de solidariedade à sua volta, os órgãos de manipulação do sistema, reaccionários e de compadrio permanente com as forças policiais e judiciais, em grande parte ainda oriundas do franquismo, tentam agora criar uma nuvem de suspeição entre um destes marionetistas e a ETA.

“Revela” o monárquico ABC, mas também em prosa quase idêntica (citando fontes policiais…) o reaccionário La Razón, que Raúl Garcia é anarquista, pertence à Cruz Negra Anarquista (uma associação que visita e apoia presos nas cadeias de todo o mundo) e que terá, nesse âmbito, visitado presos da ETA. Mais “informa” o pseudojornal que nas buscas à sua casa foi encontrado um pequeno folheto, de algumas páginas, editado pelos GAC, que teriam estado envolvidos (nada foi provado) na explosão de dois pequenos artefactos em Madrid e Zaragoza (Raúl Garcia reside em Córdova, onde está filiado na CNT).

Acusações de merda, claro está.

Numa democracia, nada nem ninguém pode proibir que alguém seja anarquista, como não é proibido que se visitem presos ou que se pertença a organizações de solidariedade (neste caso, por exemplo, a Igreja Católica teria um vasto rol de acusações) ou por ter em casa um folheto editado por quem quer que seja.

Mas esta é a velha Espanha rançosa, podre e franquista, que usa a ETA como os pais usavam o “velho do saco” para assustar as criancinhas. Esquecem que estes tempos já são outros e que a sua estratégia de criminalização de quem pensa de forma diferente do sistema caduco em que se movem já não surte os efeitos de antigamente, quando com o caso Scala (também aqui), em finais dos anos 70, quase conseguiram destruir o movimento libertário espanhol e a própria CNT.

L.B.