Dia: Março 14, 2016

(Lisboa) Acção de protesto na Gulbenkian contra a indústria da energia


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‪#‎AltPT‬

8 pessoas foram esta segunda-feira identificadas num protesto relâmpago realizado durante um encontro na ‪#‎Gulbenkian‬ de empresas ligadas à exploração energética. Entre as temáticas estavam os biocombustíveis. A Gulbenkian é dona da ‪#‎Partex‬, empresa interessada em levar a cabo exploração de petróleo em Portugal usando tecnologias não convencionais.

Para além das 8 identificações ilegais por “manifestação não autorizada” (crime imaginário que a PSP usa para identificar manifestantes), a Gulbenkian também levou a cabo o sequestro de toda a gente no auditório por 20 minutos  até a polícia chegar, o que segundo consta também é ilegal.

COMUNICADO DOS AUTORES DA ACÇÃO DIRECTA LEVADA A CABO NA GULBENKIAN:

“No dia 14 de Março, na Fundação Calouste Gulbenkian, 15 pessoas invadiram uma sessão em protesto contra a exploração de petróleo, gás natural e toda a indústria energética.

Nesta sessão, estavam representantes da Entidade Nacional para o Mercado dos Combustíveis (ENMC), da BP, da GALP, da APETRO (Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas), da PRIO e da Torrejana para falarem de biocombustíveis. Note-se que algumas destas empresas têm concessões de exploração no Alentejo e no Algarve, e que a ENMC é a entidade responsável pela gestão da atribuição de todos os contratos de concessão e exploração de petróleo e gás natural em Portugal. Para além disso, a Fundação Gulbenkian é detentora de 100% do grupo Partex Oil & Gas, e participa em duas concessões de exploração de petróleo na costa.

Todas estas empresas ao mesmo tempo que destruíram, e que continuam a destruir territórios inteiros, vêm agora falar sobre biocombustíveis, numa clara indicação de que a vida no seu todo é um recurso a ser explorado – simplesmente vão saltando de negócio em negócio!

Os biocombustíveis são a mais famosa falsa solução para as alterações climáticas. Na teoria, significa zero emissões de carbono, sem qualquer modificação do nosso estilo de vida.Na prática, representa a devastação de florestas inteiras para a implementação de monoculturas, a expulsão de comunidades das suas terras, a substituição de produção de comida por produção de combustível, maior destruição ambiental que o carvão e o petróleo, ao mesmo tempo que facilita a atribuição de subsídios às grandes corporações.

Por todos estes motivos, interrompeu-se a sessão sobre “biocombustíveis em Portugal”, tendo sido mostrada uma faixa onde se podia ler “nem fósseis nem biocombustíveis, contra a indústria energética”, distribuíram-se panfletos e leu-se um texto de denúncia.

Funcionários da Gulbenkian mostraram-se muito motivados no cerco às pessoas envolvidas nesta acção, facilitando a tarefa dos seguranças e dos polícias.

Contra o modelo industrial de exploração de recursos, abaixo as corporações!”

Fotos e informações retiradas daqui: https://www.facebook.com/guilhotina.info/?fref=photo

Visita a “uma Lisboa operária: entre anarquistas e militares” juntou dezenas de interessados


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Numa tarde quase primaveril de sol, decorreu no sábado passado, como prevista, a visita guiada pela Lisboa operária e anarquista da 1ª parte do século XX, passando pelos bairros da Graça e de Alfama. Organizada no âmbito das visitas do Museu do Aljube (Museu da Resistência) foi orientada por João Freire e Maria Alexandra Lousada e teve como pontos principais a identificação das principais vilas operárias desta zona da cidade, onde viveram muitos dirigentes dos sindicatos da CGT e militantes libertários, de Manuel Joaquim de Sousa a Emidio Santana.

A visita permitiu também destacar alguns edifícios onde existiram sedes de sindicatos e associações populares, bem como escolas laicas que adoptaram o racionalismo da pedagogia libertária de Francisco Ferrer. No miradouro da Senhora do Monte, na Graça, evocou-se o 18 de Janeiro de 1934, uma vez que ali esteve colocada uma bomba anunciadora do início da revolta na cidade de Lisboa, mas que nunca chegou a deflagrar, uma vez que Custódio da Costa, que a devia accionar, recebeu indicações para não o fazer, já as autoridades estavam avisadas da eclosão do movimento e efectuado diversas prisões.

Neste conjunto de referências, houve um olhar particular sobre a Voz do Operário e a Caixa Económica Operária, bem como para importância das instalações fabris do exército situadas naquela zona, sobretudo junto ao Campo de Santa Clara (Feira da Ladra) e que empregavam milhares de operários. Também ali funcionou durante várias décadas o Tribunal Militar Especial que condenou centenas de anarquistas e de sindicalistas revolucionários da CGT ao degredo para África e para o Tarrafal.

Apesar da repressão ser muito acentuada e sempre presente, a vida associativa e sindical era muito viva e, onde agora se amontoam turistas, o dia-a-dia era marcado pela agitação dos bairros populares, com muita gente nova, salários quase sempre de miséria, mas uma vida colectiva muito intensa.

A 14 de Maio haverá outra visita, integrada neste ciclo, desta vez partindo do Aljube e fazendo um percurso pela Alfama, Baixa e Mouraria, dedicada mais aos intelectuais e artistas que, neste período, fizeram ouvir também a sua voz de protesto e de resistência.

(FAI) Jornal “Tierra y Libertad” 332 já na web


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Já está disponível na web o número 332 (Março de 2016) do jornal “Tierra y Libertad”, órgão da Federação Anarquista Ibérica (FAI), com diversos artigos: 8 de Março, Ajuda Mútua contra a barbarie capitalista: Contra a caridade, beneficência e assistência social; Reflexões sobre a economia mundial; Da escola à família: a democracia participativa; A Via da resistência popular, entre outros temas. (em castelhano).

Aqui: http://www.nodo50.org/tierraylibertad/