Visita a “uma Lisboa operária: entre anarquistas e militares” juntou dezenas de interessados


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Numa tarde quase primaveril de sol, decorreu no sábado passado, como prevista, a visita guiada pela Lisboa operária e anarquista da 1ª parte do século XX, passando pelos bairros da Graça e de Alfama. Organizada no âmbito das visitas do Museu do Aljube (Museu da Resistência) foi orientada por João Freire e Maria Alexandra Lousada e teve como pontos principais a identificação das principais vilas operárias desta zona da cidade, onde viveram muitos dirigentes dos sindicatos da CGT e militantes libertários, de Manuel Joaquim de Sousa a Emidio Santana.

A visita permitiu também destacar alguns edifícios onde existiram sedes de sindicatos e associações populares, bem como escolas laicas que adoptaram o racionalismo da pedagogia libertária de Francisco Ferrer. No miradouro da Senhora do Monte, na Graça, evocou-se o 18 de Janeiro de 1934, uma vez que ali esteve colocada uma bomba anunciadora do início da revolta na cidade de Lisboa, mas que nunca chegou a deflagrar, uma vez que Custódio da Costa, que a devia accionar, recebeu indicações para não o fazer, já as autoridades estavam avisadas da eclosão do movimento e efectuado diversas prisões.

Neste conjunto de referências, houve um olhar particular sobre a Voz do Operário e a Caixa Económica Operária, bem como para importância das instalações fabris do exército situadas naquela zona, sobretudo junto ao Campo de Santa Clara (Feira da Ladra) e que empregavam milhares de operários. Também ali funcionou durante várias décadas o Tribunal Militar Especial que condenou centenas de anarquistas e de sindicalistas revolucionários da CGT ao degredo para África e para o Tarrafal.

Apesar da repressão ser muito acentuada e sempre presente, a vida associativa e sindical era muito viva e, onde agora se amontoam turistas, o dia-a-dia era marcado pela agitação dos bairros populares, com muita gente nova, salários quase sempre de miséria, mas uma vida colectiva muito intensa.

A 14 de Maio haverá outra visita, integrada neste ciclo, desta vez partindo do Aljube e fazendo um percurso pela Alfama, Baixa e Mouraria, dedicada mais aos intelectuais e artistas que, neste período, fizeram ouvir também a sua voz de protesto e de resistência.

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