Em memória dos 145 anos da Comuna de Paris


comuna

Hoje, 18 de Março, completam-se 145 anos do início da Comuna de Paris.

A Comuna de Paris de 1871 foi um acontecimento revolucionário que sacudiu os meios políticos da época. A sua importância no contexto histórico de então, tanto pelo que conseguiu alcançar, como pelas suas derrotas, teve uma enorme importância para o movimento revolucionário, sobretudo porque o povo conseguiu tomar o controlo de uma grande cidade moderna, de uma capital europeia, coisa nunca vista anteriormente. A organização a partir da base, a inexistência de um grupo dirigente, o papel desempenhado pelos trabalhadores, as medidas adoptadas, a força revolucionária despertada pelo povo em armas… e a forma sanguinária que a repressão adoptou para contrariar tudo isto, fazem com que todos os acontecimentos em torno da Comuna tenham um valor inestimável para quem julga que é possível e urgente mudar o mundo e transformar a vida.

A repressão foi terrível e a Comuna durou escassas semanas. De 21 a 28 de Maio de 1871, as forças da repressão inundaram Paris de sangue, com o esmagamento da Comuna e a execução em massa dos seus membros, durante aquela que ficou conhecida como “Semana Sangrenta”, aqui recordada pelo Coro da Achada, na versão portuguesa de “La semaine sanglante”,  de Jean-Baptiste Clément e Pierre Dupont (1871):

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P’ra além do bufo e do militar
Já só se vêem nos caminhos
Velhos e tristes a chorar
Pobres viúvas e meninos
Até Paris cheira a miséria
Mesmo os sortudos assustados
A moda também vai à guerra
Há passeios ensanguentados

Sim, mas… a terra treme
Os dias maus vão acabar
O contra-ataque não se teme
Se toda a gente se juntar

Perseguem, prendem e fusilam
Qualquer pessoa ao acaso
A mãe ao lado da sua filha
Nos braços do velho o rapaz.
Em vez da bandeira vermelha
O que se agita é o terror
Do escroque que se ajoelha
Aos pés do rei, do imperador

Sim, mas… a terra treme
Os dias maus vão acabar
O contra-ataque não se teme
Se toda a gente se juntar

Já os agentes da polícia
Estão nos passeios outra vez
Acham (o) serviço uma delícia
Com as pistolas que tu vês
Sem pão, sem armas, sem trabalho
A gente vai ser governada
Por um vigário ou um paspalho
Por bufos e por cães de guarda

Sim, mas… a terra treme
Os dias maus vão acabar
O contra-ataque não se teme
Se toda a gente se juntar

O povo atrelado à miséria
Será que vai ser sempre assim?
Até quando os senhores da guerra
Vão ficar com todo o pilim?
Vai até quando a santa elite
Tratar-nos assim como gado?
Pra quando o fim deste regime
da injustiça e do trabalho?

Sim, mas… a terra treme
Os dias maus vão acabar
O contra-ataque não se teme
Se toda a gente se juntar

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