Mês: Abril 2016

O conceito de «escola sem muros»


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O conceito de «escola sem muros» parte de uma tomada de consciência, de que nós estamos todos (con-)centrados numa ideia de «escola», vista como uma espécie de fábrica de «futuros trabalhadores e cidadãos», coisa que correspondeu à era taylorista e fordista do século XX.

Porém, a escola como aparelho ideológico do Estado (sem dúvida permanece assim, mesmo em escolas privadas ou cooperativas) é uma realidade que esmaga o indivíduo, que o marca a ferrete como sendo «escolarizado» (ou não), «detentor de diplomas» (ou não), ou seja como explorável, como «útil-utensílio» na forma última de alienação no trabalho e pelo trabalho. A questão do trabalho mercadoria, não poderia ficar assim «limitada» ao que se passa no local de trabalho: Como Marx viu e muito bem, a alienação do trabalhador implica que este esteja completamente destituído de poder, escravo à mercê de uma máquina impiedosa que se destina a «fabricar» lucro somente.

O homem é portanto reduzido a uma «variável ajustável» às conveniências da «empresa», do capital. O capital é que rege o nosso ser e devir de nos todos, produtores/consumidores que somos.

 Apenas teremos uma hipótese de nos emanciparmos: a de nos apossarmos de nosso ser, nossa inteligência, vontade, querer e «coração», para construir (ou reconstruir) um mundo onde o humano esteja no centro. O mundo social é um mundo sempre construído por nós, mas o nosso «input» é variável.

Podemos ter um input de «formigas» ou seja, de meros AGENTES ANÓNIMOS, intercambiáveis, exploráveis, recicláveis ou deitados fora, como lixo! Ou sermos PROTAGONISTAS, da nossa própria vida, da nossa construção interior, da nossa educação, dos laços diversos que constituem a teia única de cada ser no seio da sociedade.

Podemos fazer isso, sem necessidade de grandes teatros e proclamações, de grandes manifestos e marchas, que são encenações do capital, ou seja, formas dele nos ludibriar e nos convencer de que somos nós próprios a fazer algo: autoconvencidos de que exercemos vontade própria, de que estamos a mexer com algo, de que estamos a ser «agentes ativos» de mudança. Porém, estamos a ser auto intoxicados com o nosso ego imaginário, com o fantasma ideológico plantado dentro dos nossos cérebros e nosso ser VERDADEIRO, AUTÊNTICO, está escravizado, silenciado.

A estratégia do capital é muito subtil e eficaz, senão seria de todo impossível fazer com que a imensa maioria se submetesse «voluntariamente» aos desejos de uma ínfima minoria.

A nossa tomada de consciência significa reconhecer e compreender os mecanismos próprios da sujeição, sedução, conformidade, frustração, negação, dissociação

Esta tarefa faz parte integrante do projeto e tem de contar necessariamente com as contribuições de muitas pessoas e ser objeto de discussões coletivas… É pois necessário suscitar o desejo e o espaço, virtual ou presencial dessa prática.

Manuel Baptista (por email)

(Lisboa) Reunião Aberta de Preparação do 15 de Maio Global


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#Nuitdebout
Lisboa, Jardim do Principe Real, sábado, dia 30 de Abril, 17H. 
(Ponto de encontro: Debaixo da árvore grande no Jardim do Príncipe Real)
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No 15 de Maio de 2011, após novo protesto contra políticos, banqueiros e contra as medidas de austeridade radicais submetidas à Espanha, um pequeno grupo de pessoas decidiram que uma manifestação não era suficiente e consequentemente não iriam regressar a casa, continuando assim o debate na praça Puerta del Sol.
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A razão era simples e clara, a nossa democracia tinha caído nas mãos de banqueiros e os nossos políticos foram corrompidos: Eles já não nos representavam. Era a altura de devolver o poder às pessoas, dando significado à palavra democracia.
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Apesar da repressão violenta da polícia e silêncio dos mídia, este vento de esperança rapidamente se contagiou pela Europa. Começando em Madrid, dispersou para Lisboa, Atenas e Turquia entre outros. Chegou a Nova Iorque e foi do México ao Brasil. Por último, chegou a Hong Kong. Todas as praças foram ocupadas por sonhadores que aspiravam construir uma nova forma de democracia direta e participativa. Seguindo o modelo da Primavera Árabe, começaram a ser organizadas assembleias populares para criar o início de um movimento internacional, horizontal e não-partidário de toda a humanidade. No 15 de Outubro de 2011, por convite à apresentação de Occupy Wall Street, um grito pela democracia real ressoou em mais de 1.000 cidades.
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Cinco anos depois, este movimento renasce das cinzas em França, com o #NuitDebout. Desde o 31 de Março, os franceses ocupam a Praça da República para ouvir a sua própria voz. A nossa luta vai além da reforma do trabalho: é todo um sistema que temos para repensar e criar juntos até o fim. Somamos já vários sábados em que nos juntamos no Rossio (Lisboa) pelas 18h, discutindo o trabalho, a economia que nos esmaga as vidas, as liberdades que nos são roubadas em nome da segurança, outras formas de pensar, decidir e construir coisas comuns. Somos trabalhadores, estudantes, migrantes, desempregados, precários, refugiados e manifestantes. Passamos a noite de pé porque o capitalismo nos dá insónias. Pretendemos ser o pesadelo dos que têm andado a dormir demasiado descansados.
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Este movimento desde o primeiro momento funciona numa linha horizontal com regime de assembleia, onde as discussões geradas não são apenas para discutir o “contra” mas para de forma colectiva aprender, criar e propor um modo alternativo que não seja gerador de desigualdades. Sem preconceitos, sem partidos, sem agendas.
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O #NuitDebout representa um novo impulso na luta global contra a ditadura das finanças, exploração das pessoas e destruição do meio ambiente. Esta luta não só decorre na Europa, no Canadá ou nos Estados Unidos, mas em todo o mundo onde as pessoas simples, como nós, encontram esperança.
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Por tudo isto a Assembleia Popular na Place de La Republique em Paris, apela a todos os povos da Europa e do mundo, para ocupar lugares públicos e organizar nas próximas semanas uma nova temporada de luta pela democracia.
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O 15 de Maio de 2016 deverá marcar o advento de uma consciência global e é por isso que nós, o movimento #NoiteDePe em Lisboa, queremos convidar todos a reunir de forma aberta e apartidária já neste sábado dia 30 nos Jardins do Príncipe Real com o objectivo de entre todos, pensar na melhor maneira de preparar este 15 de Maio Global.
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Se fazes parte de um movimento ou projecto que tem como objectivos o aumento de poder político das pessoas, a divulgação de informação critica, a defesa da natureza, a preservação do conhecimento livre, ou que aches que se enquadra com este movimento… Aparece no próximo sábado no Príncipe Real e dá a conhecer o teu projecto. Precisamos de ti. Ajuda-nos.
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Nós somos o 99%, nós todos juntos podemos mudar o mundo!
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(Texto adaptado Assembleias NuitDebout)
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(Murray Bookchin) Autogestão e Tecnologias Alternativas


MurrayBookchinWEB

Murray Bookchin

A autogestão, nos seus mais variados e ricos significados, esteve, desde sempre, estreitamente associada ao desenvolvimento das técnicas, ainda que esta associação nem sempre tenha merecido a atenção que seria de desejar. No entanto, ao pôr em relação estes dois aspectos, não quero, de modo nenhum, comprometer-me numa relação simplificadora, isto é, uma relação que reduza a complexidade dos problemas técnicos a um determinismo tecnológico. Os homens são seres quase inteiramente sociais. Eles desenvolvem um conjunto de valores, de instituições e de relações culturais que permitem, ou não, o desenvolvimento de técnicas. É preciso, creio, insistir de novo no fato de certas invenções técnicas fundamentais ao desenvolvimento do capitalismo, como por exemplo a máquina a vapor, serem já conhecidas dos gregos há mais de dois mil anos. Com efeito, o fato de uma tal fonte de energia não ter sido, na altura, senão usada como simples brinquedo, testemunha largamente a importância que tiveram os valores éticos e culturais da antiguidade sobre a evolução das técnicas em geral e, em particular, sobre todas as épocas não submetidas a uma lógica de mercado.

(mais…)

(Lisboa) AIT/SP convoca 1º de Maio combativo para a Praça do Rossio


1º de Maio

Rossio, 1 de Maio, 15,30H

Primeiro de Maio: Dia Internacional dos Trabalhadores

Este é o dia em que se comemoram as lutas de todos os trabalhadores de todo o mundo. No entanto, que temos nós para comemorar? O prevalecente desemprego? A exploração salarial? A facilidade dos despedimentos? O trabalho precário? Uma esquerda parlamentar que se preocupa sobretudo com a obtenção de mais votos?

As confederações sindicais, organizadas segundo um sindicalismo burocrático e reformista, revelam ser incapazes de conduzir com sucesso a luta dos trabalhadores contra a classe dominante que lucra com a nossa miséria. Há muito que abandonaram este objectivo e apoiam a narrativa de que a exploração das nossas vidas para enriquecer os bolsos de uma minoria está cá para ficar.

São necessárias novamente as formas de luta que no passado conquistaram as 8 horas de trabalho, como a acção directa, o boicote, a greve, e a sabotagem. É necessário o sindicalismo revolucionário, organizado pelos trabalhadores de forma assembleária, que não se rende à vontade dos patrões, e que não pára até atingir o seu objectivo final: a emancipação dos trabalhadores. Temos de tomar o controlo dos nossos locais de trabalho, dos nossos bairros, das nossas ruas, das nossas vidas!

Contra a “festa” da miséria! Unidos e auto-organizados nós damos-lhes a crise!

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Núcleo de Lisboa da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT-SP)

aqui: https://www.facebook.com/events/1728849943997691/

(Lisboa) Bloco Libertário manifestou-se na Avenida da Liberdade


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[Descrição das imagens: AIT-SP, CEL_Lisboa, e Jacobichas com as faixas “Paz entre povos, guerra ao capital!”, “Contra a exploração capitalista, pela igualdade social. Unidos e auto-organizados, nós damos-lhes a ‘crise'”, e “Fora dos armários e dos mercados, lutando na rua”]

O bloco libertário desceu a avenida da Liberdade apesar de mais uma vez os carros dos “organizadores”, que continuam a arrogar-se donos e senhores do desfile do 25 de Abril e, pior, da própria via pública, terem tentado – à má fila e sem sucesso – impedir a entrada dos vários colectivos que integravam este bloco. Os compassos de espera estabelecidos foram tão marcados e lentos – para criar as devidas distâncias?! – que quando se chegou aos Restauradores já não havia discursos no palco “oficial”, nem se ouvia já o hino de Portugal (ainda bem!) (aqui)

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[manifesto]

Rumo às portas que Abril abriu

Ao contrário do que podemos ouvir por algumas ruas, não precisamos de um novo 25 de Abril. Sendo que este correspondeu à passagem de uma ditadura para uma democracia representativa que a cada instância se demonstra ineficaz para garantir a liberdade dos portugueses, seria impensável apoiarmos tal slogan, ou ainda o “25 de Abril sempre”; para sempre neste impasse não desejamos ficar.

Daqui escrevem alguns daqueles e daquelas que já nasceram com muito do que aquele golpe podia dar: liberdade de expressão, privilegiada se monopolizarmos os média; de associação, mesmo tendo nós de subjugar-nos ao monopólio estatal; um estado de bem-estar social que nos capacitou para escrevermos este texto e que nos manteve saudáveis o suficiente para sermos servos da classe dominante, mas que começa a travar com as emboscadas neoliberais, etc.

Como já deveríamos todos e todas saber, não só de sistemas políticos vive o ser humano. Não vale a pena falarmos de cumprir a Constituição quando o capitalismo lhe coloca proibições estruturais aos seus valores, ou talvez até por em certos pontos estar desatualizada à experiência que já desenvolvemos. Significa isto conformar-mo-nos ao reformista que se multiplica com os seus “A democracia é o melhor entre os piores sistemas”, “Mal menor”, “No meio está a virtude”? Claro que não! Celebram esta data com o mesmo pensamento que a fez chegar tão tarde, “é melhor assim do que como era antes”. O fado que nos cantam sobre esta ser a única opção, não está só caducado, é um fado medroso. É um fado do medo à ditadura política quando prevalece a ditadura dos mercados, que em tudo limita a vida política! É um fado ao profissionalismo que nos dispersa, que nos afasta das nossas comunidades e dos nossos problemas.

“Se os jovens quiserem mudar qualquer coisa, os velhos soltarão um grito de alarme contra os inovadores. Aquele selvagem preferiria deixar-se matar a transgredir o costume do seu país, porque desde a infância lhe disseram que a menor infracção aos costumes estabelecidos lhe traria desgraça, causaria a ruína de toda a tribo. E ainda hoje, quantos políticos, economistas, e pretensos revolucionários agem sob a mesma impressão, agarrando-se a um passado que se vai embora! Quantos não têm outra preocupação senão procurar precedentes! Quantos fogosos inovadores não passam de simples copistas das revoluções anteriores!”

– Piotr Kropotkin em “A Lei e a Autoridade”

Se as portas se abriram, não fiquemos por aqui. Organizemo-nos para o combate da opressão que ainda prevalece; tirando as correntes que nos prendem, nada temos a perder.

Colectivo Estudantil Libertário de Lisboa

 

aqui: https://www.facebook.com/colestlib

(Lisboa) Bloco Libertário na marcha do 25 de Abril


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Lisboa, 25 de Abril, às 15 H – Marquês de Pombal, junto ao edifício do Diário de Notícias

Mais do que comemorar o aniversário do golpe militar que pôs fim a 48 anos de fascismo, é necessário encetarem-se novas lutas, a nível nacional e internacional, que dêem resposta a este mundo capitalista que não só destrói as nossas vidas como até coloca em perigo a sustentabilidade ambiental do nosso planeta.

Hoje como antes da madrugada de 25 de abril de 1974, os governos de todos os países estão ao serviço dos seus próprios interesses e da máquina capitalista da qual dependem.

A melhor maneira de honrar esta data é seguir o exemplo daqueles que, em desobediência das ordens para ficarem em casa no dia do golpe, saíram às ruas, e nos dias seguintes organizaram-se para assumirem o controlo das suas próprias vidas, ocupando terras e empresas, expulsando patrões e latifundiários, praticando a autogestão, criando movimentos populares de base, comissões de trabalhadores e de moradores.

Só a luta autónoma, auto-organizada, direta e persistente terá efeito contra aqueles que nos oprimem e exploram todos os dias, em particular aos mais desprotegidos e despossuídos.

No meio do folclore da cega celebração, façamos do nosso bloco, um bloco reinvidicativo e sem meias palavras, anti-capitalista e libertário.

Junta-te e trás um amigo também! (mais os cartazes, os flyers, as faixas, e as bandeiras!)

(este sábado) Associação ambientalista GAIA comemora 20 anos


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Dia 23 de Abril, o GAIA celebrará 20 anos de lutas, vivências e histórias.

A partir das 10 da manhã, na Rua da Regueira, 40 – Alfama, Lisboa

O GAIA, Grupo de Acção e Intervenção Ambiental nasceu há 20 anos, em 1996, como um núcleo universitário dedicado exclusivamente a assuntos ambientais.

Ao longo de 20 anos o GAIA evoluiu, tornou-se uma Organização Não Governamental de Ambiente, passou por muitas vivências, diversas metodologias de acção, vários processos criativos de reflexão crítica, e pelo grupo passaram centenas de pessoas inspiradoras e inspiradas.

Continua a ser uma associação ecologista de características únicas no panorama português, mantendo-se apartidária e não hierárquica, e recorrendo a acções directas como forma de criar consciência sobre as raízes e dimensões dos desafios ambientais actuais.

O GAIA aborda as problemáticas ambientais contemporâneas a partir da crítica ao modelo sócio-económico capitalista e industrial e às várias formas de dominação, numa perspectiva de justiça social e ambiental.

Paralelamente, procuramos impulsionar alternativas positivas para um mundo ecologicamente mais resiliente e socialmente justo, fomentando também o cooperativismo e a auto-gestão, através de práticas de apoio mútuo e a partilha de informação e saber-fazer populares.

Vem conhecer-nos melhor e festejar connosco no dia 23 de Abril durante todo o dia no nosso espaço em Alfama.

20 ANOS: continuamos a acreditar, a viver, a cuidar e a lutar… com os pés enraizados na terra e as antenas no ar!

PROGRAMA 23 de ABRIL:
Todo o dia :
– Loja Grátis
– Oficina de bicicletas
– Banca informativa e de sementes (troca as tuas sementes!)

10H Oficina de bombinhas de sementes para miúdos e graúdos
>10H Preparação do almoço, ajuda bem-vinda!
12H Passeio de bicicleta, ponto partida no GAIA
13H Almoço vegan, bio, sem OGM
14H30 Oficina de Acção Directa
15H Jogos sobre sementes e alimentos para miúdos
16H Oficina Activa a Semente Livre dentro de ti
>18H Música!
20H Jantar vegan, bio, sem OGM
21H Sessão nostalgia “GAIA o que me contas”

aqui: http://pt.indymedia.org/conteudo/agenda/32156