(França) Não reclamamos nada, tomamos tudo


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O movimento que está à beira de nascer hoje há muito tempo que se fazia esperar. Não é preciso ser anarquista para se dar conta de que o governo não trabalha a favor dos interesses daquelas e daqueles que estão em baixo. Como é pouco surpreendente que muitos tenham aceitado isso como a norma, como uma triste mas imutável realidade. No entanto, alguma coisa desperta, alguma coisa que não existia já há anos: a saturação geral começa a expressar-se. Este enésimo ataque contra os direitos obtidos através duma grande luta pela nossa classe devia ser um ponto de não retorno nesta tomada de consciência: o que o Estado teve de ceder, pode tomar de volta. Os reformistas com os seus discursos cordatos não podem ignorar esta realidade. Só nos resta colocar no poder um novo pião do capitalismo. Todos os políticos, ainda que sejam da “verdadeira esquerda” provocam-nos nojo.

Nós julgamos que o movimento não se deve limitar à contestação desta lei, mas ser o pretexto de um sobressalto salutar contra os nossos exploradores.  Já não é suficiente desfilar calmamente nas ruas, A contestação real da ordem dominante não se fará respeitando a passadeira estreita da contestação organizada. O movimento dos reformados sofreu as consequências do seu grande respeito pelos mesmos que invadiam as nossas vidas. Milhões de pessoas mobilizaram-se pacificamente, e para quê? Apesar de importantes iniciativas, de grandes acções de bloqueio, o movimento social encalhou. Para aqueles que ainda duvidavam, isto mostra bem que o problema não é fazer-se ouvir, mas de os deixar assustados. Por isso, bloqueemos tudo, sim, mas incendiemos tudo também. Mostremos-lhes o que acontece quando os burgueses decidem brincar com as nossas vidas.

Tu, sindicalista, militante cordato ou não-violento, não rejeites o teu camarada que escolheu destruir os símbolos da nossa exploração comum. Os que “destroem” não são nem provocadores, nem polícias, nem fascistas. Não te deixes levar pelos teus representantes que procuram dividir-nos. Sob os gorros, há também sindicalizados, estudantes ou precários; não deixes o teu serviço de ordem fazer o jogo da polícia.

Basta de recuos, ripostemos.

Grupo Anarquista “Regard Noir”, filiado na Federação Anarquista

http://www.regardnoir.org/ne-reclamons-rien-prenons-tout/

 

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