Depois da CNT, é agora a vez da União Sindical Italiana querer “refundar a AIT”


usi4

A actual Associação Internacional de Trabalhadores foi fundada em 1922 em Berlim, pretendo reagrupar as associações sindicais de base anarco-sindicalista e sindicalista revolucionária sob o modelo da I Internacional destruída pelas manobras divisionistas de Karl Marx e dos marxistas de então. A CGT portuguesa  aderiu à AIT desde o primeiro momento, apesar das pressões e da defesa em vários Congressos, por parte do recém-nascido Partido Comunista, em integrá-la na Internacional Sindical Vermelha, enfeudada ao regime soviético. Com o fim da revolução e da guerra civil espanholas e o declínio do anarco-sindicalismo a nível mundial, a AIT manteve-se como uma entidade de resistência e de propaganda do anarco-sindicalismo e não já como uma associação de centrais sindicais, envolvida directamente na luta e na vida dos locais de trabalho. Com o renascer do movimento libertário e anarco-sindicalista, assente em novos movimentos que agrupam, de novo, dezenas de milhar de trabalhadores, o papel da AIT tem sido muito criticado e há vozes diversas a pedirem para que a velha central do anarco-sindicalismo internacional  seja “refundada”. Uma dessas vozes partiu inicialmente da CNT espanhola. Agora é a vez da União Sindical Italiana (USI), em Congresso Extraordinário, vir reivindicar um “Congresso refundador” da AIT, que se deverá realizar em Dezembro, em Berlim, com o apoio da central sindical alemã, a FAU – aliás, CNT, USI e FAU são, actualmente, três das maiores centrais sindicais anarco-sindicalistas, a que há que juntar a CGT (Espanha), SAC (Suécia) e FORA (Argentina).  O secretariado da AIT, entretanto já respondeu. Considera injustas as críticas e refere que a refundação da AIT só pode ser feita num Congresso da AIT, marcado para esse efeito (ler aqui). Neste dossier publicamos a seguir uma das moções sobre este assunto, aprovada no Congresso da USI, realizado nos dias 9 e 10 de Abril, em Parma.

*

transferir

O Congresso Extraordinário da USI-AIT realizou-se numa atmosfera de unidade, participação e solidariedade, nos dias 9 e 10 de Abril de 2016, em Parma. Na ordem do dia estiveram as questões relativas ao processo de involução autoritária da AIT (a Associação, que desde 1922 reúne os sindicatos revolucionários do mundo) que está a acontecer há alguns anos, a necessidade de refundar a AIT sob bases libertárias e com projectos sindicais/sociais reais e de abrangência internacionalista, hoje mais do que nunca indispensável para construir uma frente mundial anarco-sindicalista. Congratulando-se com os sinais da CNT espanhola no seu recente congresso, também a  USI-AIT se posiciona mo caminho da reactivação da Internacional trazendo a sua contribuição expressa para este debate em duas moções aprovadas no Congresso de Parma (uma de análise/projeto, a outra sobre questões mais técnicas). A que agora publicamos é a primeira das duas propostas em questão.

Agenda de trabalho do Congresso da USI-AIT:

– Análise avaliação actualizada da AIT – a decisão de e como continuar a experiência da actual AIT;

– Que perspectiva anarco-sindicalista deve ser seguida no plano internacional e com quem;

– Identificação de algumas linhas de orientação dos novos estatutos;

Moção aprovada.

Há cerca de vinte anos que a AIT está a apresentar uma involução profunda. Gradualmente tem-se fechado em si própria, tornando-se incapaz de se transformar num ponto de referência real para todos os verdadeiros sindicalistas que expressamos a necessidade e a vontade duma coordenação dos organismos sindicais globais na luta frontal com todas as formas de capitalismo e neoliberalismo.

A atenção principal expressa pelas agendas dos diversos Congressos (da AIT) tem-se centrado sobre a alegada necessidade de levantar um muro entre a AIT e os seus inimigos, que não são – como se poderia pensar – o capitalismo globalizado, o neoliberalismo e os Estados, mas os sindicatos que não são filiados nesta AIT.

Têm sido alterados os regulamentos internos (incluindo alguns pontos estatutários fundamentais) tornando-os mais e mais rigorosos, visando mais a preservação do equilíbrio interno do que o crescimento real da Internacional.

Por estas razões, o congresso extraordinário da USI (Parma, abril  9-10 2016), considerando que, na actualidade, a Internacional se desviou dos princípios anarco-sindicalistas e sindicalistas revolucionários tal como foram definidos pelo congresso constitutivo de Berlim, em 1922, afirma que é necessário e urgente criar um processo que leve à reactivação e à refundação de uma Internacional anarco-sindicalista internacional e/ou sindicalista revolucionária, que seja o motor de um processo de luta e conquistas sociais internacionais dos trabalhadores, suspendendo de imediata o pagamento das quotizações. (…)

Finalmente, aderir à proposta feita pela CNT- Espanha para um caminho de refundação da AIT. Espera-se também que a conferência pré-congresso convoque o Congresso de refundação da AIT para o próximo mês de dezembro em Berlim.

http://www.usi-ait.org/index.php/notizie/1129-le-mozioni-del-congresso-straordinario-dellusi-ait

BNP_N61_CX23014BNP_N61_CX23015

Advertisements

One comment

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s