Day: Abril 20, 2016

(filme) “Os Anarquistas” ainda sem estreia marcada em Portugal


Há dois dias o jornal catalão “La Directa” denunciou o facto de dois alegados agentes da segurança do estado espanhol terem tentado subornar um anarquista, integrante da organização Embat, ligado aos movimentos sociais e uma vítima da operação policial contra o movimento libertário e associativo de Barcelona, a operação Pandora. Os dois elementos da policia espanhola propuseram-lhe que “bufasse” os movimentos sociais a troco de dinheiro.

Ao longo da história do movimento anarquista, dada a sua combatividade, por inúmeras vezes o Estado e o capital tentaram infiltrar-se nas suas fileiras através das mais diversas artimanhas. Algumas vezes as suas armadilhas foram coroadas de êxito, outras não. Desta vez a denúncia pública surtiu efeito e o jogo sujo dos elementos da segurança do Estado foi denunciado.  Outras vezes não e os efeitos são sempre desastrosos para as organizações infiltradas, com prisões, denúncias e violência.

Este, de algum modo, é também o tema do filme “Os Anarquistas” que foi apresentado no ano passado no Festival de Cannes e que só passou em Portugal numa sessão do Festival do Cinema Francês e ainda não tem estreia comercial marcada. No filme, que se passa em Paris, em 1899, um militar de origem humilde é escolhido para se infiltrar num grupo de anarquistas, com a promessa de uma promoção caso a missão seja bem sucedida. Enquanto fornece relatórios aos seus superiores, ele começa a questionar a operação e desenvolve sentimentos pessoais de confiança e cumplicidade em relação ao grupo anarquista e a alguns dos seus elementos.

(memória libertária) Suplementos de “A Batalha” disponíveis na web


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Portão da Sede da CGT, do Jornal “A Batalha” e de outros organismos Sindicais, na Calçada do Combro em Lisboa (foto de Emidio Santana, na década de 70, aqui)

O jornal “A Batalha”, porta-voz da CGT anarco-sindicalista, foi o mais influente jornal operário português, publicando-se diariamente entre 1919 e 1927 e chegando a ser 0 terceiro quotidiano mais vendido. Constantemente perseguido e fechado, com os seus redactores presos e as instalações seladas por diversas vezes,  o jornal sobreviveu até à eclosão do golpe de Estado fascista de 28 de Maio de 1926. O seu último número como diário foi publicado no dia 26 de Maio de 1926, quando as suas instalações na Calçada do Combro, em Lisboa, foram totalmente destruídas e o jornal impedido de se publicar. No entanto, existem várias tentativas para que o jornal se continue a publicar de forma legal, ainda que se submetendo à Comissão de Censura. Uma dessas tentativas ocorre no final de 1930 com o aparecimento de uma edição semanal que vai durar algumas semanas e de que Emídio Santana é um dos redactores.

Depois desta tentativa e com a repressão violenta sobre o movimento operário e anarquista que se segue ao 18 de Janeiro de 1934, com centenas de prisões e deportações, “A Batalha” continua a sair, mas de forma clandestina, o que irá acontecer até aos finais dos anos 40. Só reaparecerá depois, de forma legal, após o 25 de Abril, em 21 de Setembro de 1974.

A colecção completa do jornal existente na Biblioteca Nacional está digitalizada mas ainda não está disponível na Internet, o que se lamenta, uma vez que torna difícil a sua consulta.

No entanto, a pouco e pouco, uma parte do acervo de “A Batalha” vai sendo disponibilizado. É o caso, agora, de diversos números quer do Suplemento Literário e Ilustrado de “A Batalha”, que se começa a publicar no dia 3 de Dezembro de 1923 (saindo à segunda-feira) e em que colaboram diversos escritores e jornalistas de renome, como Ferreira de Castro, quer da Batalha semanal (já visada pela Comissão de Censura e de que saem 13 números), que está nas bancas ao sábado, e cuja publicação, já depois do golpe militar e fascista de 28 de Maio de 1916, começa a 13 de Setembro de 1930, disponibilizadas agora no site da Casa Comum, ligada à Fundação Mário Soares.

A digitalização e estudo deste espólio tem sido feito com a colaboração do Seminário Livre de História das Ideias da FCSH/UNL.

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Suplemento Ilustrado

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A Batalha Semanal Nº1

A Batalha Semanal Nº2

A Batalha Semanal Nº3

A Batalha Semanal Nº4

A Batalha Semanal Nº5

A Batalha Semanal Nº6

A Batalha Semanal Nº7

A Batalha Semanal Nº8

A Batalha Semanal Nº9

A Batalha Semanal Nº10

A Batalha Semanal Nº11

A Batalha Semanal Nº12

A Batalha Semanal Nº13