(Lisboa) Bloco Libertário manifestou-se na Avenida da Liberdade


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[Descrição das imagens: AIT-SP, CEL_Lisboa, e Jacobichas com as faixas “Paz entre povos, guerra ao capital!”, “Contra a exploração capitalista, pela igualdade social. Unidos e auto-organizados, nós damos-lhes a ‘crise'”, e “Fora dos armários e dos mercados, lutando na rua”]

O bloco libertário desceu a avenida da Liberdade apesar de mais uma vez os carros dos “organizadores”, que continuam a arrogar-se donos e senhores do desfile do 25 de Abril e, pior, da própria via pública, terem tentado – à má fila e sem sucesso – impedir a entrada dos vários colectivos que integravam este bloco. Os compassos de espera estabelecidos foram tão marcados e lentos – para criar as devidas distâncias?! – que quando se chegou aos Restauradores já não havia discursos no palco “oficial”, nem se ouvia já o hino de Portugal (ainda bem!) (aqui)

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[manifesto]

Rumo às portas que Abril abriu

Ao contrário do que podemos ouvir por algumas ruas, não precisamos de um novo 25 de Abril. Sendo que este correspondeu à passagem de uma ditadura para uma democracia representativa que a cada instância se demonstra ineficaz para garantir a liberdade dos portugueses, seria impensável apoiarmos tal slogan, ou ainda o “25 de Abril sempre”; para sempre neste impasse não desejamos ficar.

Daqui escrevem alguns daqueles e daquelas que já nasceram com muito do que aquele golpe podia dar: liberdade de expressão, privilegiada se monopolizarmos os média; de associação, mesmo tendo nós de subjugar-nos ao monopólio estatal; um estado de bem-estar social que nos capacitou para escrevermos este texto e que nos manteve saudáveis o suficiente para sermos servos da classe dominante, mas que começa a travar com as emboscadas neoliberais, etc.

Como já deveríamos todos e todas saber, não só de sistemas políticos vive o ser humano. Não vale a pena falarmos de cumprir a Constituição quando o capitalismo lhe coloca proibições estruturais aos seus valores, ou talvez até por em certos pontos estar desatualizada à experiência que já desenvolvemos. Significa isto conformar-mo-nos ao reformista que se multiplica com os seus “A democracia é o melhor entre os piores sistemas”, “Mal menor”, “No meio está a virtude”? Claro que não! Celebram esta data com o mesmo pensamento que a fez chegar tão tarde, “é melhor assim do que como era antes”. O fado que nos cantam sobre esta ser a única opção, não está só caducado, é um fado medroso. É um fado do medo à ditadura política quando prevalece a ditadura dos mercados, que em tudo limita a vida política! É um fado ao profissionalismo que nos dispersa, que nos afasta das nossas comunidades e dos nossos problemas.

“Se os jovens quiserem mudar qualquer coisa, os velhos soltarão um grito de alarme contra os inovadores. Aquele selvagem preferiria deixar-se matar a transgredir o costume do seu país, porque desde a infância lhe disseram que a menor infracção aos costumes estabelecidos lhe traria desgraça, causaria a ruína de toda a tribo. E ainda hoje, quantos políticos, economistas, e pretensos revolucionários agem sob a mesma impressão, agarrando-se a um passado que se vai embora! Quantos não têm outra preocupação senão procurar precedentes! Quantos fogosos inovadores não passam de simples copistas das revoluções anteriores!”

– Piotr Kropotkin em “A Lei e a Autoridade”

Se as portas se abriram, não fiquemos por aqui. Organizemo-nos para o combate da opressão que ainda prevalece; tirando as correntes que nos prendem, nada temos a perder.

Colectivo Estudantil Libertário de Lisboa

 

aqui: https://www.facebook.com/colestlib

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