Day: Abril 28, 2016

O conceito de «escola sem muros»


escola

O conceito de «escola sem muros» parte de uma tomada de consciência, de que nós estamos todos (con-)centrados numa ideia de «escola», vista como uma espécie de fábrica de «futuros trabalhadores e cidadãos», coisa que correspondeu à era taylorista e fordista do século XX.

Porém, a escola como aparelho ideológico do Estado (sem dúvida permanece assim, mesmo em escolas privadas ou cooperativas) é uma realidade que esmaga o indivíduo, que o marca a ferrete como sendo «escolarizado» (ou não), «detentor de diplomas» (ou não), ou seja como explorável, como «útil-utensílio» na forma última de alienação no trabalho e pelo trabalho. A questão do trabalho mercadoria, não poderia ficar assim «limitada» ao que se passa no local de trabalho: Como Marx viu e muito bem, a alienação do trabalhador implica que este esteja completamente destituído de poder, escravo à mercê de uma máquina impiedosa que se destina a «fabricar» lucro somente.

O homem é portanto reduzido a uma «variável ajustável» às conveniências da «empresa», do capital. O capital é que rege o nosso ser e devir de nós todos, produtores/consumidores que somos.

 Apenas teremos uma hipótese de nos emanciparmos: a de nos apossarmos de nosso ser, nossa inteligência, vontade, querer e «coração», para construir (ou reconstruir) um mundo onde o humano esteja no centro. O mundo social é um mundo sempre construído por nós, mas o nosso «input» é variável.

Podemos ter um input de «formigas» ou seja, de meros AGENTES ANÓNIMOS, intercambiáveis, exploráveis, recicláveis ou deitados fora, como lixo! Ou sermos PROTAGONISTAS, da nossa própria vida, da nossa construção interior, da nossa educação, dos laços diversos que constituem a teia única de cada ser no seio da sociedade.

Podemos fazer isso, sem necessidade de grandes teatros e proclamações, de grandes manifestos e marchas, que são encenações do capital, ou seja, formas dele nos ludibriar e nos convencer de que somos nós próprios a fazer algo: autoconvencidos de que exercemos vontade própria, de que estamos a mexer com algo, de que estamos a ser «agentes ativos» de mudança. Porém, estamos a ser auto intoxicados com o nosso ego imaginário, com o fantasma ideológico plantado dentro dos nossos cérebros e nosso ser VERDADEIRO, AUTÊNTICO, está escravizado, silenciado.

A estratégia do capital é muito subtil e eficaz, senão seria de todo impossível fazer com que a imensa maioria se submetesse «voluntariamente» aos desejos de uma ínfima minoria.

A nossa tomada de consciência significa reconhecer e compreender os mecanismos próprios da sujeição, sedução, conformidade, frustração, negação, dissociação

Esta tarefa faz parte integrante do projeto e tem de contar necessariamente com as contribuições de muitas pessoas e ser objeto de discussões coletivas… É pois necessário suscitar o desejo e o espaço, virtual ou presencial dessa prática.

Manuel Baptista (por email)

(Lisboa) Reunião Aberta de Preparação do 15 de Maio Global


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#Nuitdebout
Lisboa, Jardim do Principe Real, sábado, dia 30 de Abril, 17H. 
(Ponto de encontro: Debaixo da árvore grande no Jardim do Príncipe Real)
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No 15 de Maio de 2011, após novo protesto contra políticos, banqueiros e contra as medidas de austeridade radicais submetidas à Espanha, um pequeno grupo de pessoas decidiram que uma manifestação não era suficiente e consequentemente não iriam regressar a casa, continuando assim o debate na praça Puerta del Sol.
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A razão era simples e clara, a nossa democracia tinha caído nas mãos de banqueiros e os nossos políticos foram corrompidos: Eles já não nos representavam. Era a altura de devolver o poder às pessoas, dando significado à palavra democracia.
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Apesar da repressão violenta da polícia e silêncio dos mídia, este vento de esperança rapidamente se contagiou pela Europa. Começando em Madrid, dispersou para Lisboa, Atenas e Turquia entre outros. Chegou a Nova Iorque e foi do México ao Brasil. Por último, chegou a Hong Kong. Todas as praças foram ocupadas por sonhadores que aspiravam construir uma nova forma de democracia direta e participativa. Seguindo o modelo da Primavera Árabe, começaram a ser organizadas assembleias populares para criar o início de um movimento internacional, horizontal e não-partidário de toda a humanidade. No 15 de Outubro de 2011, por convite à apresentação de Occupy Wall Street, um grito pela democracia real ressoou em mais de 1.000 cidades.
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Cinco anos depois, este movimento renasce das cinzas em França, com o #NuitDebout. Desde o 31 de Março, os franceses ocupam a Praça da República para ouvir a sua própria voz. A nossa luta vai além da reforma do trabalho: é todo um sistema que temos para repensar e criar juntos até o fim. Somamos já vários sábados em que nos juntamos no Rossio (Lisboa) pelas 18h, discutindo o trabalho, a economia que nos esmaga as vidas, as liberdades que nos são roubadas em nome da segurança, outras formas de pensar, decidir e construir coisas comuns. Somos trabalhadores, estudantes, migrantes, desempregados, precários, refugiados e manifestantes. Passamos a noite de pé porque o capitalismo nos dá insónias. Pretendemos ser o pesadelo dos que têm andado a dormir demasiado descansados.
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Este movimento desde o primeiro momento funciona numa linha horizontal com regime de assembleia, onde as discussões geradas não são apenas para discutir o “contra” mas para de forma colectiva aprender, criar e propor um modo alternativo que não seja gerador de desigualdades. Sem preconceitos, sem partidos, sem agendas.
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O #NuitDebout representa um novo impulso na luta global contra a ditadura das finanças, exploração das pessoas e destruição do meio ambiente. Esta luta não só decorre na Europa, no Canadá ou nos Estados Unidos, mas em todo o mundo onde as pessoas simples, como nós, encontram esperança.
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Por tudo isto a Assembleia Popular na Place de La Republique em Paris, apela a todos os povos da Europa e do mundo, para ocupar lugares públicos e organizar nas próximas semanas uma nova temporada de luta pela democracia.
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O 15 de Maio de 2016 deverá marcar o advento de uma consciência global e é por isso que nós, o movimento #NoiteDePe em Lisboa, queremos convidar todos a reunir de forma aberta e apartidária já neste sábado dia 30 nos Jardins do Príncipe Real com o objectivo de entre todos, pensar na melhor maneira de preparar este 15 de Maio Global.
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Se fazes parte de um movimento ou projecto que tem como objectivos o aumento de poder político das pessoas, a divulgação de informação critica, a defesa da natureza, a preservação do conhecimento livre, ou que aches que se enquadra com este movimento… Aparece no próximo sábado no Príncipe Real e dá a conhecer o teu projecto. Precisamos de ti. Ajuda-nos.
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Nós somos o 99%, nós todos juntos podemos mudar o mundo!
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(Texto adaptado Assembleias NuitDebout)
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