O compositor Juan de Diego homenageia Durruti e a Barcelona de 1936 com ritmos de jazz


 

O trompetista Juan de Diego (Bilbao, 1968) não é, segundo as suas próprias palavras, “um compositor de modas”. Acostumado a reinventar-se em casa novo disco, o seu quarto trabalho, de uma sonoridade contundente, pode considerar-se a sonoridade da Barcelona de 1936, da revolução antropomorfizada em Buenaventura Durruti. “Uda labur hori (aquele curto verão)” (Errabal 2016) é um disco inusual no panorama jazzístico.

 “Parecia que nunca esteve em Barcelona. Recordas que a Via Laietana levou o seu nome, a massa de gente que, no seu funeral ali se reuniu…Hoje não tem nem sequer uma praça” assinala o trompetista Juan de Diego recordando a figura de Buenaventura Durruti, o anarquista leonês que assoma nos acordes do seu último disco.

Amigo de contar histórias com a sua trompete, Juan encontrou um mundo novo cheio delas quando o seu amigo Guillem lhe ofereceu “O curto verão da anarquia” de Hans Magnus Enzensberger. “É um livro que deixa transtornado. Já tinha lido livros sobre a Guerra Civil… quando te cai um livro entre as mãos, vês um filme, tens uma ideia, vai para a frente. Comecei a escrever um tema muito curto “Aquele curto verão” é breve, mas logo a seguir, chegou às minhas mãos outro livro (‘Cos i revolució. L’espiritisme català o les paradoxes de la modernitat’, de Gerard Horta) com um tema fascinante: o espiritismo que era cultivado pelos anarquistas catalães nos finais do século XIX e princípios do XX; coisas incríveis como um congresso mundial de espiritismo aqui em Montjuic… E assim escrevi o segundo tema da “Suite”, “Espíritos Obreros”. O terceiro é “Pulverizar”: o capitalismo não se conserta, não se pode adoçar, há que pulverizá-lo, destruí-lo, há que mudar tudo, dos pés à cabeça”, afirma, explicando a origem dos três temas do disco que integram a “Anarcosuite”

(…) Três dos temas, a “Anarcosuite”, têm uma relação directa com Durruti, com o verão barcelonês de 1936. “De resto, alguns têm que ver, outros não. São temas que ia compondo antes, durante e depois da “Suite”. Depois agrupas tudo, juntas-te com os músicos – que nem sequer é fácil, Joe vive em Berlim -, mas fica todo esse trabalho prévio de que falava antes. Telefonei a Joe, por volta de Fevereiro de 2015, e experimentámos todo este reportório que tinha escrito no Jamboree e em Junho voltou para a gravação.(…)

Alvaro Hilario

Aqui: http://alasbarricadas.org/noticias/node/36358

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