(Paris) Relato a quente sobre a manif de 17 de Maio contra a Lei do Trabalho


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Antes de começar eu queria lançar um grande BIG UP a toda a gente, a todas aquelas e aqueles que mais uma vez se juntaram ao desfile autónomo na frente da manifestação. Porque isso hoje podia não ter acontecido, uma vez que o dispositivo repressivo era esmagador, o pior que se viu desde o início do movimento. E apesar disso éramos mais do que numerosos na frente, determinados/as e solidários. Bravo, obrigado, youpi.

Para esta manifestação do 17 de Maio, o Estado, as burocracias sindicais e os média do sistema passaram de forma clara a mensagem para que não se passasse nada: proibição de se manifestarem a vários camaradas, um percurso da manif muito curto e alterado ao último momento, controlos da polícia por todo o lado na zona de onde partiu a manif (e num perímetro muito grande), avisos de eventuais “encontros informais” entre “responsáveis” da CGT e do “movimento autónomo” para que a manif decorra de forma calma, e a cereja em cima do bolo, um dispositivo CRS + serviço de ordem intersindical ainda mais imponente do que na última semana…

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A manif partiu bastante antes da hora prevista – 14 h (com a ideia fixa de nos impedirem de irmos à frente) desde a Praça da Escola Militar. Com dezenas e dezenas de CRS à frente, seguidos por dezenas e dezenas de esbirros armados dos serviços de ordem (SO) da CGT- FO que enquadravam o quadrado oficial da frente com os representantes da CGT, FO, Solidaires, UNEF e FSU. E logo atrás os cortejos dos sindicatos, e à esquerda, dezenas, depois centenas, depois milhares de pessoas que constituem pouco a pouco o famoso cortejo autónomo da frente.

No início, o ambiente é calmo e tenso. Toda a gente parece horrorizada pelo dispositivo CRS+SO (e há razão!), mas à medida que se avança, o nosso cortejo aumenta e começa a ter voz. Para além dos slogans habituais (“Paris, de pé, levanta-te”, “Toda a gente detesta a polícia”, “Abaixo o Estado, os chuis e os patrões”, e outros como “Nós somos todos destruidores”, alguns foram dirigidos aos SO (“SO, colaborador”), nomeadamente por parte de outros sindicalistas, entre os quais alguns com bandeiras da CGT.

Na alameda de Montparnasse, uma espécie de enorme black block constituiu-se pouco a pouco quase por magia. Apesar dos controlos da policia, muitas pessoas conseguiram vir equipadas, com mascaras, e bandeirolas reforçadas e tudo. Muito bom! Tiveram lugar algumas pequenas acções (painéis de pub como alvo e ou destruídos, bolas de tinta lançadas sobre os chuis) e a um dado momento o cortejo teve a boa ideia de parar para que toda a gente se reagrupasse (antes disso, uma parte dos manifestantes estava ao lado do SO, à frente). Deixa-se assim os CRS e o SO se distanciar um pouco (mas, bem, eles também param depressa, como parece bizarro que acreditássemos que eles se queriam manifestar ao nosso lado…)

Pouco depois de termos partido em bloco atrás das nossa bandeirolas, teve lugar um primeiro confronto com um cordão de CRS situado numa rua à nossa esquerda. Petardos, fogo de artificio e alguns projécteis são lançados sobre os chuis, que respondem com gás lacrimogéneo. Avança-se e tivemos atenção para que a manif não fosse cortada em duas.

Mais longe, no cruzamento das alamedas Montparnasse/Raspail, os chuis são alvo de uma chuva de projecteis, há pelo menos um Molotov que parte,  e o cruzamento é rapidamente inundado por granadas lacrimogéneas (decididamente!) Durante esses momentos, continuou a destruição de painéis de publicidade. (…)

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O SO da CGT-FO tenta interpor-se e põem-se nitidamente a lançar projécteis sobre nós! Como na semana passada, não se coloca a questão de saber de que lado estão. Com as suas braçadeiras, os seus capacetes, os seus bastões, muitas pessoas confundiram-nos com os da Brigada Anti-Criminal… Foram gritados slogans contra o SO (“Chuis, SO, mesmo combate”). Quando se torna visível que a cólera está generalizada, os chuis vêm em seu socorro e atiram várias salvas de gás lacrimogéneo.

Pouco depois dos confrontos fixam-se do outro lado da Praça Denfert, na avenida do General Leclerc. Apedrejamentos e gases lacrimogéneos repetidos, após o que, depois de tudo ter acalmado por um momento, os chuis repetem a dose de gás lacrimogéneo para dispersar toda a gente.

Julgo que uma boa parte das pessoas partiu nessa altura. Outros voltaram para a manif (os 55.000 manifestantes – segundo a CGT – ainda não tinham chegado todos) e de novo face à hostilidade do SO (desta vez da FO) o ambiente crispou-se outra vez: “Toda a gente detesta o SO”. Quando o SO decide, por fim, arrepiar caminho, são copiosamente vaiados, mais uma vez por todo o tipo de manifestantes.

É por volta das 17 horas, parece que está no fim, e eu parto com alguns amigos.

Mais tarde oiço que por volta das 17,30h cerca de 200 pessoas foram manifestar-se de forma selvagem na alameda Montparnasse. Não sei mais nada. Nessa altura. Marine Le Pen sem surpresa escolheu o seu campo e atacou hoje nos media os “black blocs” e os “estrangeiros”…

Amanhã, depois de amanhã, na entreajuda e na determinação!

Traduzido, com alterações, daqui: https://paris-luttes.info/recit-a-chaud-de-la-manif-du-17-5762?lang=fr

mais fotos aqui: http://www.taranisnews.com/post/144520425043/paris-des-flammes-du-gaz-et-du-sang-paris

 

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