Mês: Junho 2016

(Cacilhas) Homenagem a Júlio Carrapato este sábado no CCL


julio

Juntamo-nos este sábado, dia 2 de julho, pelas 17, 30h, no Centro de Cultura Libertária, em Cacilhas, para conversar, conviver e recordar coisas que Júlio Carrapato fez, que escreveu, que editou, que traduziu – como reflexo imediato da sua vida e como contributo teórico e prático aos seus companheiros e à anarquia.

*

Texto de Júlio Carrapato,  de Janeiro de 2003, sobre a sua experiência no pós 25 de Abril e o movimento anarquista em Portugal:

Viviam-se momentos de euforia pelo derrube da mais antiga ditadura fascista da Europa Ocidental. Em Paris, companheiros franceses da Federação e refugiados espanhóis deram-me o contacto e eu conheci-os só meses depois do 25 de Abril de 1974, após regressar de um exílio «dourado» – como soe adjectivar-se, quando se confunde exílio com idílio – por terras de França e do Brasil. Estou a reportar-me, obviamente, aos homens e mulheres que conheci na sede da Rua Angelina Vidal, em Lisboa, metendo ombros à «empreitada» de relançamento de A Batalha; a quantos conheci em Almada, no Centro de Cultura Libertária, editando a Voz Anarquista, ou aos que encontrei no Porto, Coimbra, Évora ou no Algarve, ao sabor da deriva revolucionária, animados por outros projectos. Eram eles Adriano Botelho, Emídio Santana, José Correia Pires, Reis Sequeira, José de Brito, Barreto Atalaião, Sebastião de Almeida, Artur Modesto, Jorge Quaresma, Francisco Quintal, Luísa Adão, José Bernardo, Abílio Gonçalves, Acácio Tomás de Aquino, José Francisco, Joaquim Pedro, Custódio da Costa, Elias Matias, José Paulo Lola, António Machado e alguns mais. Maioritariamente na casa dos 60 ou 70 anos; alguns como Adriano Botelho, já tinham contudo afoitamente transposto a barreira dos 80. Constituíam o que poderíamos chamar a «velha guarda» confederal e libertária, caso não fossemos avessos a qualquer linguagem com ressaibos de militarismo. Maioritariamente operários qualificados, mas pouco confortavelmente aposentados; alguns autodidactas brilhantes, frutos maduros daquele «saber de experiência feito» e de muitas leituras – sem dúvida mais inteligentes e cultos do que os patrões que os tinham feito suar, o que aliás sempre foi uma constante nos confrontos do arguto anarco-sindicalismo com a boçalidade economicista da «classe empresarial», além de serem senhores de um sentido de autonomia, de uma capacidade de organização e de um instinto de liberdade notáveis. Gente daquela cepa contrariava a atoarda propalada pelo «socialismo científico» e pela burguesia segundo a qual o anarquismo não passa de um «primitivismo». Não nasceu para servir nem para ser servida, vê na Revolução Social um longo processo libertador de tabus, preconceitos e superstições e não uma redutora e cínica ditadura «transitória» e, olhando para as próprias capacidades, sabe que não é uma tarefa superior às próprias forças a posse e gestão directas do mundo pelos próprios trabalhadores, organizados local, regional e internacionalmente. Tinha envelhecido como as boas safras dos bons vinhos e, apesar de «pensionista» das masmorras de Salazar, acumulando penas de prisão que nalguns casos podiam ir até aos 10, 15 ou 20 anos, evitava apresentar currículo, quando incidentalmente ela mesma vinha à baila. Todos os que a formavam – tanto os que tinham envelhecido lucidamente quanto os que tinham uma velhice mais confusa – sabiam que os verdadeiros amantes da liberdade e igualdade efectivas são hostis a chefias e hierarquias, bem como ao culto religioso e politiqueiro de mártires e heróis, porque, quando se está perante a encenação do poder, se «do Capitólio à Rocha Tarpeira não vai mais que um passo», também da dita rocha ao Capitólio não vai mais que outro, quando os antigos proscritos deitam mão às rédeas do mando e não o aniquilam pura e simplesmente…

(mais…)

Anúncios

‘Elogio fúnebre’ lido no funeral de Júlio Carrapato


anarquismo
Foto de arquivo
 .
Breves palavras de homenagem ao anarquista Júlio Carrapato, escritas por Carlos Pimpão e proferidas no dia 24/06/2016, data do seu funeral, no cemitério “velho” da cidade de FARO, Algarve.
 .
   Conheci o Júlio em pleno “Verão quente” de 1975 em Évora. Eu, jovem licenciado em engenharia agronómica com 26 anos, ao serviço do Centro Regional de Reforma Agrária de Évora, do Ministério da Agricultura, Florestas e Pecuária e ele professor na recém-criada Universidade de Évora, licenciado em Ciências Políticas e Sociologia, na Universidade de Paris, França, então com 28 anos. Desenvolveu-se uma empatia imediata entre ambos, pois tínhamos preocupações intelectuais e revolucionárias com o movimento social que se formou após o 25 de Abril de 1974. Essas preocupações, forjaram uma amizade que durou até aos dias de hoje.
 
   O Dr. Júlio Filipe Neto de Almeida Carrapato, professor, escritor e autor, editor e livreiro morreu a 21/06/2016. O seu pensamento está presente e é partilhado por todos os que o conheceram. O seu ideal de uma sociedade livre, constituída por homens e mulheres também livres, é um legado para todos os que pensam, sentem e emocionam, que têm vontade e paixão, tudo propriedades da fisiologia humana, que só a VIDA possui, não se confundindo esta com a filosofia ou com a ciência. É esta ordem superior de organização social sem poder, que se chama Anarquia, o estádio histórico último do desenvolvimento social que se seguirá à Democracia classista tida pelos políticos como fim da História, [já deu o que tinha a dar que não é aperfeiçoável e ninguém quer a mítica e imutável “sociedade perfeita”, só a anarquia e um anarquismo prático, já que a perfeição não existe!], como dizia o Júlio Carrapato.
 
   Lembro-me que nos anos 80/90, numa troca de opiniões, o espanhol Raphael Martinez no Centro de Cultura Libertária de Almada, me ter dito que o Júlio Carrapato era o “Bakunine do séc. XX”, tal foi o seu contributo para a teoria e prática anarquista contemporânea na Europa.
 
   Separando o trigo do joio, não havendo lugar aos “neolibertários” que querem casar o Libertarismo com o Liberalismo, reclamando-se heterodoxos e flexíveis por oposição com os acratas autênticos, que são apodados por aqueles de “ortodoxos”, o que a fina flor da família democrática da heterodoxia quer, é liquidar, isolar e arrumar o anarquismo, que quanto ao Júlio, é uma heresia que a sociedade autoritária e capitalista mal suporta e tolera! Continua a ser “um cadáver recalcitrante” como diz Mercier Vega.
 
   O Dr. Júlio Carrapato foi um teórico e prático da acracia, que na sua escrita abundante e nas relações interpessoais que manteve, foi exuberante de gentileza e finura de “cavalheiro” que mereceu o respeito de todos e pela parte que me cabe, só me resta elevá-lo a um expoente máximo do Anarquismo português, ibérico e francês, do séc. XX e XXI, nunca esquecendo a sua inteligência, coragem e cultura, que tanto me influenciaram para formar a concepção voluntarista de anarquismo.
 
   − Só a VIDA pode criar VIDA! (Miguel Bakunine)
   − O Mundo “comunista” não é comunista e o Mundo “livre” não é livre! (Maurice Briton)
   − A liberdade só pode ser criada pela própria liberdade! (M. Bakunine)
   − Caminhamos para a liberdade, com o método da revolução, e para a revolução, com o método da liberdade! (E. Malatesta)
 
Adeus, amigo e companheiro!
 .
Carlos Pimpão

Guia de 10 pontos para a resistência pós Brexit à vitória da direita racista no referendo para a saída da União Europeia


foto

1.O voto no Brexit (Saída) para o Reino Unido deixar a União Europeia demonstra que, mesmo quando é fraca, a democracia parlamentar é incompatível com a crescente desigualdade neoliberal. No Reino Unido, como em outros locais, uma pequena minoria da população tem ficado, nas últimas décadas, com uma parte cada vez maior da riqueza total. Sobretudo, devido à austeridade, quase todos têm visto o seu quinhão da riqueza que produzem a diminuir drasticamente.

2. A campanha pelo Remain (Manutenção) foi liderada pela classe política do establishment neoliberal e apoiada por corporações neoliberais tais como a Ryanair. Mas, porque a raiva contra a crescente desigualdade foi desviada com sucesso, transformando em bodes expiatórios pessoas já marginalizadas, em particular os migrantes, a campanha para a saída foi igualmente liderada por fanáticos elitistas ricos cuja variante do neoliberalismo olha mais para as ex-colónias e para os EUA, do que para a Europa.

3. Os mercados estão agora a punir o eleitorado com a fuga de capitais. Mas a natureza colonialista e racista da campanha pela saída significa que em vez do capitalismo ser responsabilizado voltarão a ser os migrantes os bodes expiatórios. O impacto da permanente desigualdade – sobre os trabalhadores brancos – será atribuído ao facto dos ataques a migrantes não serem tão cruéis e implacáveis como «era necessário».

4. A alternativa pela qual devemos lutar não é fazer mais um referendo, mas a abolição de uma ordem mundial construída sobre a desigualdade e a ditadura do mercado.

5. No futuro imediato, a defesa dos migrantes, incluindo aqueles que ainda estão para chegar, é fundamental para nos opormos à viragem à direita pós-Brexit.

6. Se a esquerda oscilar na direcção de uma simples atitude economicista pós-Brexit então a natureza colonialista e racista desta votação será solidificada. Devemos discutir sobre os motivos que levam a uma cada vez mais dificil solidariedade de classe a nível mundial e não sobre o caminho traiçoeiro dos interesses estritos dos trabalhadores brancos que só pode servir o nacionalismo reaccionário inglês, baseado no racismo e no colonialismo.

7. As repercussões do voto na saída não se limitarão apenas às fronteiras do Reino Unido, mas será um impulso enorme para os movimentos colonialistas e racistas em toda a UE. Os líderes desses movimentos, como Marine Le Pen, já se regozijaram com o voto pela saída.

8. É vital compreender que esta situação não pode ser combatida com chavões liberais, porque é uma consequência da crescente desigualdade criada pelo liberalismo económico. A médio prazo, teremos que escolher ou uma transformação para uma democracia directa radical que crie igualdade económica ou um regresso às políticas autoritárias de controlo, necessárias para impor profundas divisões na riqueza.

9. As coisas parecem sombrias, mas elas já eram sombrias quando sabíamos que tínhamos que enfrentar as alterações climáticas ou a automatização sob o capitalismo. A ascensão do racismo de extrema-direita e colonialista não é um fenómeno natural, mas uma consequência de um sistema em que a crise é um produto fundamental do seu próprio funcionamento.

10. É preciso retirar o mundo da supremacia da elite branca patriarcal e capitalista que domina o planeta e que dominou ambos os lados do referendo da UE. A transformação de que precisamos, se não quisermos enfrentar uma escalada da pobreza, guerra e destruição climáticas, é uma transformação total que elimine o estado e o capitalismo para criar o comunismo libertário.

Workers Solidarity Movement (Irlanda)

(análise) Brexit: uma saída da União Europeia pelos piores motivos


nigel
O líder da extrema-direita inglesa, Nigel Farage, um dos principais apoiantes e defensores da saída do Reino Unido da UE, não esconde a sua satisfação pelos resultados do referendo
 .
Sobre o resultado do referendo que, por uma unha negra, aprovou a saída do Reino Unido da União Europeia, os comentários, mesmo no campo libertário, são diversos. Há quem considere que esta foi uma vitória da extrema-direita mais conservadora e ultramontana, seja da Grã-Bretanha, seja do resto da Europa; outros, criticando a construção europeia, de cima para baixo e cada vez mais dos Estados e menos dos Povos, acham que esta saída pode acelerar alterações profundas na construção da Europa que vão levar ao seu fim.
.
Os anarquistas, em principio, são federalistas, propõem-se o fim das fronteiras e estão contra o nacionalismo e o espírito patrioteiro. Uma Europa alargada, federal, sem fronteiras, de livre circulação, é um sonho que vem de trás (já Bakunin escreveu sobre isso). É claro que esta Europa que está a ser construída, com base nos estados e no poder dos mais fortes, centralizada, não é a Europa que pretendemos. Mas a saída do Reino Unido vai no sentido oposto ao que a maioria dos libertários defende, ou seja, vai no sentido da xenofobia, do retorno às fronteiras estatais e nacionais, do reforço dos estados centralizados e de economias onde os mais fortes são sempre os mais protegidos.
.
A aliança entre a extrema-direita e a ala mais radical dos conservadores (a que se aliaram alguns teóricos da extrema-esquerda, que não perdem um momento para lembrarem o quão irrelevantes se tornaram) verificada agora no Reino Unido é o exemplo daquilo que não queremos: o retrocesso no projecto de uma Europa aberta, de livre circulação, federal e cada vez mais igualitária. Uma Europa que não é a aquela que existe, de facto, nos organismos e na actual construção da União Europeia. Mas que ainda existe menos nos projectos isolacionistas, patrioteiros e proteccionistas, de medo ao emigrante e às diferenças, como os que levaram ao resultado do referendo britânico.
.
Se a União Europeia, como está, não é flor que se cheire, a saída, pelos motivos a que a extrema-direita britânica a defendeu (com os seus aliados de extrema-esquerda), é um verdadeiro lamaçal, ainda mais mal cheiroso.
 .
Luís Bernardes (via email)
 .

“Sejamos optimistas, deixemos o pessimismo para melhores tempos!” (texto de Júlio Carrapato sobre Gabriel Morato)


acção directa

.

O funeral de Júlio Carrapato realiza-se esta sexta-feira, pelas 14h, para o cemitério de Faro. Em jeito de última homenagem, de entre as largas dezenas de textos que podíamos ter escolhido, seleccionámos este artigo, publicado em Outubro de 2005 na revista “Algarve Mais” evocativo da morte, poucas semanas antes, de um outro anarquista de referência no meio libertário português, de que foi amigo próximo e companheiro, em França e em Portugal, nomeadamente no grupo fundador da revista anarquista “Acção Directa”. Neste artigo, Júlio Carrapato revela de forma bem clara a amizade entre os dois libertários, uma amizade baseada na solidariedade e no respeito mútuo entre companheiros, e também fornece alguns elementos para uma melhor compreensão dos relacionamentos políticos e pessoais na época a que o texto se refere – anos 70, antes e depois do 25 de Abril.

*

“Sejamos optimistas, deixemos o pessimismo para melhores tempos!”

.
À MEMÓRIA DE JOÃO GABRIEL DE OLIVEIRA MORATO PEREIRA (1940-2005)
.
Morreu o João Gabriel Morato Pereira, o nosso Gabriel, como lhe chamávamos nos vários círculos do movimento libertário português, movimento cuja sobrevivência ele garantiu com mais um punhado de resistentes como Rui Vaz de Carvalho ou Antonio Mota, e que tanto lhe ficou a dever em vários momentos decisivos do pós-25 de Abril de 1974. Ele próprio, porém, a despeito de uma perseverança, de uma pertinácia e de uma firmeza à prova de bala, não resistiu a mais uma cirurgia ao coração (válvula mitral) e uma embolia cerebral, desgraçadamente sobrevinda durante o famigerado período pós-operatório, deitou-o por terra, fulminou-o, no dia 19 de Julho de 2005, à beira dos 65 anos, já que nascera em 28/07/1940. Por mais um capricho da vida, no próprio dia em que eu festejava os meus provectos 58 anos, morria-me um dos meus maiores e mais constantes amigos, deixava de bater aquele coração grande e generoso e de pulsar aquela inteligência clara. Lúcido até o fim, sempre animado por aquela lucidez apaixonada e revolucionária que nada tem a ver com a frieza ou a rigidez cadavérica, precisamente porque é a antítese da morte, era a prova viva de que a razão e emoção não se opõem, e menos ainda se excluem,conforme no-lo ensinam os modernos neurologistas, estudiosos da actividade cerebral e dos processos físicos e psíquicos, porque também se pensa com o corpo. Era, em suma, um homem sensível, porque inteligente, e inteligente porque sensível, e a sua morte revoltante deixou-nos a todos imensamente mais pobres, constituindo mais uma prova da inexistência de Deus, como diria Sébastien Faure. E de nada serve que os materialistas toscos e os “socialistas” arregimentadores, homogeneizadores e massificadores, aparentemente por outro lado, nos venham cá dizer com gélidas inflexões que “ninguém é insubstituível”. Nós anarquistas, que lutamos por uma sociedade de indivíduos (homens e mulheres) livres e iguais, mas únicos e variados, sabemos , pelo contrário, que jamais alguém é substituído,quanto mais o Gabriel! Pode-se, é claro, se for o caso, “ganhar” com a“troca”, mas o conceito de substituição é em si mesmo absurdo e obsceno…

(mais…)

(EZNL) Sobre a situação no México


EZLN

DESDE A TEMPESTADE

Comunicado conjunto do Congresso Nacional Indígena e do EZLN sobre o cobarde ataque policial contra a Coordenadora Nacional de Trabalhadores da Educação e a comunidade indígena de Nochixtlán, Oaxaca.

Ao Povo do México

Aos povos do Mundo:

Frente ao cobarde ataque repressivo que sofreram os professores, professoras e a comunidade em Nochixtlán, Oaxaca – com que o Estado Mexicano nos recorda que esta é uma guerra contra todos e contra todas –os povos, nações e tribos que integramos o Congresso Nacional Indígena e o Exército Zapatista de Libertação Nacional, dizemos ao magistério digno que não está só, que sabemos que a razão e a verdade estão do seu lado, que a dignidade colectiva com que fala a sua resistência é inquebrável e essa é a principal arma dos que somos de baixo.

Repudiamos a escalada repressiva com que pretendem impor em todo o país a reforma neoliberal capitalista, a que chamam “educativa”, principalmente nos estados de Oaxaca, Chiapas, Guerrero e Michoacán.  Com ameaças, perseguições, golpes, encarceramentos injustos e agora assassinatos quer-se vergar a dignidade do magistério em rebeldia.

Apelamos aos nossos povos e à sociedade civil em geral para que estejam com o magistério que resiste em cada momento, a reconhecermo-nos nele, pois a violência para os despojar de garantias laborais básicas com o propósito de tornar a educação privada é um reflexo da violência com que nos estão a espoliar aos povos originários, seja aos camponeses, seja aos urbanos.

Os que se regozijam por estar no poder decidiram que a educação, a saúde, os territórios indígenas e camponeses, e inclusive a paz e a segurança, são uma mercadoria para quem possa pagá-la, que os direitos não são direitos mas sim produtos e serviços que se tiram, se espoliam, se destroem, se negoceiam segundo dita o grande capital. E pretendem impor esta aberração de uma forma sangrenta; assassinando e fazendo desaparecer @s noss@s companheir@s, enviando às prisões de alta segurança @s noss@s porta-vozes, fazendo da tortura descarada o “marketing” governamental e, com a ajuda dos meios de comunicação pagos, equiparando a delinquência ao mais valioso da sociedade mexicana , ou seja, a quem luta, não se rende, não se vende e não claudica.

Exigimos o fim da repressão contra os professores em luta e a libertação imediata e incondicional de TODOS os presos políticos.

Convidamos todos os povos do campo e das cidades a estarem atentos e solidários com a luta dos professores, a organizarmo-nos de forma autónoma para estarmos informados e alerta ante esta tormenta que cai sobre todas e todos, sabendo que uma tormenta, para além de tempestade e caos, também faz fértil a terra e é de onde nasce sempre um mundo novo.

Desde as montanhas, campos, vales, caminhos e bairros dos povos, nações e tribos originários do México.

Nunca mais um México Sem Nós!

Congresso Nacional Indígena

Exército Zapatista de Libertação Nacional

México, em 20 de Junho de 2016

aqui: http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2016/06/20/desde-la-tempestad/

Sobre a “tormenta” de que fala o comunicado do EZLN, uma “velhinha” canção anarquista (o hino da CNT espanhola) “A las barricadas”.