(texto) Há uma ânsia que nos percorre diariamente…


Estivadores

Dia 16 há uma “manifestação contra a precariedade” com convocatória iniciada pelo Sindicato dos Estivadores e suportada por diversos grupos. Neste momento pensamos terem sido ditos todos os argumentos lógicos e racionais; ainda assim, sentimos faltar algo.

Há uma ânsia que trazemos que não assenta na economia, nem na justiça, nem na democracia, e dificilmente encontra palavras para ser expressa. Uma ânsia que nos percorre diariamente, em cada momento que queremos responder aos ataques que sofremos (policiais, económicos, políticos, judiciais, mediáticos…) e não sabemos como, ou sentimos que estamos sozinhos.

Encontramos, por vezes, demasiado poucas vezes, o momento de a expressar, de extravazar, de a pôr em acto. Raramente esse momento é partilhado, de mais que um, de mais que nós e os nossos mais próximos. Enchem-nos o coração de cada vez que existem, que se materializam – mas também não escondemos que nos alegra quando esses momentos são feitos colectivamente por centenas ou milhares de pessoas; há outras possibilidades que se abrem.

A 14 de Novembro de 2012 vivemos um momento assim; por algumas horas algumas zonas de Lisboa estiveram bloqueadas, com barricadas que atrasavam o avanço da PSP e iluminavam uma noite que, de outra forma, teria sido uma mera e entediante reprodução de todas as outras noites. Mas essa foi diferente – todos o sentimos.

Por outro lado, as noites – e dias – que há meses se vivem em Paris e noutras cidades francesas dilatam-nos as pupilas e aceleram-nos o coração, sempre com uma ponta de inveja – de ser tão longe. É sempre demasiado longe. Vemos tudo, gostamos, partilhamos… Mas a partilha é sempre demasiado virtual, demasiado mediada.

Dia 16 há uma “manifestação contra a precariedade”… mas move-nos outra coisa… a alienação em que sobrevivemos, o tédio quotidiano, a exploração que sofremos (e que é tão maior que a “precariedade”), os papéis e funções que nos impõem, o isolamento a que estamos sujeitos. Há uma ânsia que nos percorre… a “nós” e a tantos que desconhecemos, que estarão lá esperando que aquele não seja mais um desfile. Há uma ânsia que quer expressar-se, viver-se, partilhar-se… um misto de raiva, frustração, entusiasmo… dia 16 tentemos pô-la em acto e juntos criarmos um momento que nos alegre, que nasça dessa ânsia e expresse o que cada um deste “nós” sente.

(texto para divulgação enviado por email)

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