(CNT) Eleições no Estado Espanhol: “ganhe quem ganhe são sempre os trabalhadores que perdem”


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No próximo domingo os eleitores do Estado Espanhol vão outra vez às urnas para escolherem um novo Parlamento. As últimas eleições, há seis meses, resultaram na vitória do PP, mas sem condições para formar um governo de maioria absoluta. As projecções actuais dão o mesmo cenário, apenas com a possibilidade do Podemos poder superar a votação do PSOE, o que não alterará muito o quadro de formação de um futuro governo, que será sensivelmente idêntico ao de há seis meses atrás. Na luta, no dia a dia, onde se forjam as dinâmicas de mudança – e não nos Parlamentos ou sedes de Governo – aí estão e estarão os anarquistas ajudando a construir um mundo mais justo e plural. Daí o apelo da central anarcosindicalista CNT à abstenção activa contra o “ilusionismo eleitoral”.

Umas novas? eleições

Não é preciso ser adivinho para saber quem vai perder as próximas eleições. Vamos perdê-las as trabalhadoras e os trabalhadores. Eleição após eleição, governo atrás governo, é sempre o mesmo: perdemos direitos, pagamos os cortes, perdemos condições de trabalho, vivemos de forma mais precária… Já são vezes de mais em que se repete a mesma farsa para podermos esperar que algo possa melhorar caso ganhe este ou aquele partido. E não nos referimos apenas ao regime pós 1978 no Estado Espanhol , mas em toda a Europa não encontramos outro panorama.

O ilusionismo eleitoral é, desde que existe, uma armadilha para a classe trabalhadora. Qualquer melhoria, qualquer avanço, foi, como disse aquele insigne franquista transubstanciado em democrata de toda a vida, “tornar normal nas leis o que é normal na rua”. Ou seja, são as lutas quotidianas que transformam a sociedade de um modo que favoreça as classes populares e não os governos ou parlamentos. O Governo serve para o que serve, para defender a propriedade, a ordem estabelecida e favorecer os negócios das empresas nacionais e multinacionais. As liberdades, direitos, avanços, são sempre um reflexo das lutas.

Na CNT sabemos bem o efeito que têm tido todas as reformas e contra-reformas que nos foram impostas os partidos políticos pela mão das empresas capitalistas. Temo avançado de forma solitária na defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras. Às vezes com outros sindicatos, mas sim, a dependerem de interesses eleitorais. Os partidos só aparecem para sair na foto e pedir votos. Sem dúvida que há pessoas que, duma forma bem intencionada, pretendem defender a partidos dos partidos políticos os interesses da classe trabalhadora. Tanto como nos sindicatos que são correia de transmissão destes partidos. Mas, uma e outra vez, estes mesmos partidos atraiçoaram o sindicalismo, e o que é pior, excepto o Anarcosindicalismo, o resto do sindicalismo colou-se aos interesses dos partidos políticos.

A CNT não vota nas eleições nem pede o voto para ninguém, a CNT propugna o abstencionismo activo. Organizar-se no dia a, a partir do nosso lugar de trabalho – se o tens – até ao modo como consumimos é o motor da mudança social. Só se muda a sociedade se houver mudanças reais, os governos apenas mantêm a ordem existente. É na unidade da classe trabalhadora, na organização da classe trabalhadora, no dia a dia e no apoio mútuo, que se geram as dinâmicas de mudança.

Ninguém sabe quem ganhará as eleições, mas na CNT sabemos o resultado: nós faremos frente ao governo. Desde o primeiro dia. Nós lutaremos em cada fábrica em que estejamos, na rua, na fila do INEM, nas faculdades e escolas, nos mercados … no dia a dia.

Porque já retrocedemos muito. Porque já sabemos que todo o aparelho político está ao serviço das multinacionais e das classes dominantes. Porque o capitalismo já perdeu todos os freios que alguma vez possa ter tido… Por tudo isto não acreditamos na farsa eleitoral. Não há caminho eleitoral quando todas as instituições são hierárquicas e no cimo da pirâmide apenas estão as empresas.

Faças o que fizeres no dia 26 de Junho sabes que na CNT sempre vamos defender os interesses da classe trabalhadora. Que a CNT sempre vai estar aqui. A democracia e a autogestão constroem-se no dia a dia, não se espera que cheguem do céu através das estruturas actuais e da lei. A primeira prioridade não é cristalizar o momento de agitação social em que vivemos em maiorias eleitorais, apressadas e sem programa nem consenso político, mas sim aprender a gerir na prática construindo as nossas próprias estruturas e alternativas em todos os aspectos da vida. Não é fácil, não é rápido, mas não nos confrontamos com problemas fáceis de resolver, nem existem soluções rápidas. Na negociação sobre as nossas vidas não estamos na mesa ao lado do patrão, nem ao lado do dirigente político, mas sentados do lado oposto a eles.

Pela abstenção activa, pelo comunismo libertário, organiza-te e luta!

CNT (aqui)

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