(EZNL) Sobre a situação no México


EZLN

DESDE A TEMPESTADE

Comunicado conjunto do Congresso Nacional Indígena e do EZLN sobre o cobarde ataque policial contra a Coordenadora Nacional de Trabalhadores da Educação e a comunidade indígena de Nochixtlán, Oaxaca.

Ao Povo do México

Aos povos do Mundo:

Frente ao cobarde ataque repressivo que sofreram os professores, professoras e a comunidade em Nochixtlán, Oaxaca – com que o Estado Mexicano nos recorda que esta é uma guerra contra todos e contra todas –os povos, nações e tribos que integramos o Congresso Nacional Indígena e o Exército Zapatista de Libertação Nacional, dizemos ao magistério digno que não está só, que sabemos que a razão e a verdade estão do seu lado, que a dignidade colectiva com que fala a sua resistência é inquebrável e essa é a principal arma dos que somos de baixo.

Repudiamos a escalada repressiva com que pretendem impor em todo o país a reforma neoliberal capitalista, a que chamam “educativa”, principalmente nos estados de Oaxaca, Chiapas, Guerrero e Michoacán.  Com ameaças, perseguições, golpes, encarceramentos injustos e agora assassinatos quer-se vergar a dignidade do magistério em rebeldia.

Apelamos aos nossos povos e à sociedade civil em geral para que estejam com o magistério que resiste em cada momento, a reconhecermo-nos nele, pois a violência para os despojar de garantias laborais básicas com o propósito de tornar a educação privada é um reflexo da violência com que nos estão a espoliar aos povos originários, seja aos camponeses, seja aos urbanos.

Os que se regozijam por estar no poder decidiram que a educação, a saúde, os territórios indígenas e camponeses, e inclusive a paz e a segurança, são uma mercadoria para quem possa pagá-la, que os direitos não são direitos mas sim produtos e serviços que se tiram, se espoliam, se destroem, se negoceiam segundo dita o grande capital. E pretendem impor esta aberração de uma forma sangrenta; assassinando e fazendo desaparecer @s noss@s companheir@s, enviando às prisões de alta segurança @s noss@s porta-vozes, fazendo da tortura descarada o “marketing” governamental e, com a ajuda dos meios de comunicação pagos, equiparando a delinquência ao mais valioso da sociedade mexicana , ou seja, a quem luta, não se rende, não se vende e não claudica.

Exigimos o fim da repressão contra os professores em luta e a libertação imediata e incondicional de TODOS os presos políticos.

Convidamos todos os povos do campo e das cidades a estarem atentos e solidários com a luta dos professores, a organizarmo-nos de forma autónoma para estarmos informados e alerta ante esta tormenta que cai sobre todas e todos, sabendo que uma tormenta, para além de tempestade e caos, também faz fértil a terra e é de onde nasce sempre um mundo novo.

Desde as montanhas, campos, vales, caminhos e bairros dos povos, nações e tribos originários do México.

Nunca mais um México Sem Nós!

Congresso Nacional Indígena

Exército Zapatista de Libertação Nacional

México, em 20 de Junho de 2016

aqui: http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2016/06/20/desde-la-tempestad/

Sobre a “tormenta” de que fala o comunicado do EZLN, uma “velhinha” canção anarquista (o hino da CNT espanhola) “A las barricadas”.

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