(análise) Brexit: uma saída da União Europeia pelos piores motivos


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O líder da extrema-direita inglesa, Nigel Farage, um dos principais apoiantes e defensores da saída do Reino Unido da UE, não esconde a sua satisfação pelos resultados do referendo
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Sobre o resultado do referendo que, por uma unha negra, aprovou a saída do Reino Unido da União Europeia, os comentários, mesmo no campo libertário, são diversos. Há quem considere que esta foi uma vitória da extrema-direita mais conservadora e ultramontana, seja da Grã-Bretanha, seja do resto da Europa; outros, criticando a construção europeia, de cima para baixo e cada vez mais dos Estados e menos dos Povos, acham que esta saída pode acelerar alterações profundas na construção da Europa que vão levar ao seu fim.
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Os anarquistas, em principio, são federalistas, propõem-se o fim das fronteiras e estão contra o nacionalismo e o espírito patrioteiro. Uma Europa alargada, federal, sem fronteiras, de livre circulação, é um sonho que vem de trás (já Bakunin escreveu sobre isso). É claro que esta Europa que está a ser construída, com base nos estados e no poder dos mais fortes, centralizada, não é a Europa que pretendemos. Mas a saída do Reino Unido vai no sentido oposto ao que a maioria dos libertários defende, ou seja, vai no sentido da xenofobia, do retorno às fronteiras estatais e nacionais, do reforço dos estados centralizados e de economias onde os mais fortes são sempre os mais protegidos.
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A aliança entre a extrema-direita e a ala mais radical dos conservadores (a que se aliaram alguns teóricos da extrema-esquerda, que não perdem um momento para lembrarem o quão irrelevantes se tornaram) verificada agora no Reino Unido é o exemplo daquilo que não queremos: o retrocesso no projecto de uma Europa aberta, de livre circulação, federal e cada vez mais igualitária. Uma Europa que não é a aquela que existe, de facto, nos organismos e na actual construção da União Europeia. Mas que ainda existe menos nos projectos isolacionistas, patrioteiros e proteccionistas, de medo ao emigrante e às diferenças, como os que levaram ao resultado do referendo britânico.
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Se a União Europeia, como está, não é flor que se cheire, a saída, pelos motivos a que a extrema-direita britânica a defendeu (com os seus aliados de extrema-esquerda), é um verdadeiro lamaçal, ainda mais mal cheiroso.
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Luís Bernardes (via email)
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One comment

  1. Que trailer incrível!!! O roteiro do filme já me interessou por se tratar de algo real, parecendo quase algo como um documentário dos bastidores do que está acontecendo atualmente. Eu me interesso muito pelo assunto e, pelo trailer, parece ser um dos melhores filmes de drama . Considero que consegue o seu objetivo de nos informar e inclusive nos faz pensar sobre o tema. Eu acho que tem tudo para nos fazer refletir sobre o assunto. Tem boa direção, bons atores e uma boa história. Só resta aguardar a estreia.

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