Guia de 10 pontos para a resistência pós Brexit à vitória da direita racista no referendo para a saída da União Europeia


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1.O voto no Brexit (Saída) para o Reino Unido deixar a União Europeia demonstra que, mesmo quando é fraca, a democracia parlamentar é incompatível com a crescente desigualdade neoliberal. No Reino Unido, como em outros locais, uma pequena minoria da população tem ficado, nas últimas décadas, com uma parte cada vez maior da riqueza total. Sobretudo, devido à austeridade, quase todos têm visto o seu quinhão da riqueza que produzem a diminuir drasticamente.

2. A campanha pelo Remain (Manutenção) foi liderada pela classe política do establishment neoliberal e apoiada por corporações neoliberais tais como a Ryanair. Mas, porque a raiva contra a crescente desigualdade foi desviada com sucesso, transformando em bodes expiatórios pessoas já marginalizadas, em particular os migrantes, a campanha para a saída foi igualmente liderada por fanáticos elitistas ricos cuja variante do neoliberalismo olha mais para as ex-colónias e para os EUA, do que para a Europa.

3. Os mercados estão agora a punir o eleitorado com a fuga de capitais. Mas a natureza colonialista e racista da campanha pela saída significa que em vez do capitalismo ser responsabilizado voltarão a ser os migrantes os bodes expiatórios. O impacto da permanente desigualdade – sobre os trabalhadores brancos – será atribuído ao facto dos ataques a migrantes não serem tão cruéis e implacáveis como «era necessário».

4. A alternativa pela qual devemos lutar não é fazer mais um referendo, mas a abolição de uma ordem mundial construída sobre a desigualdade e a ditadura do mercado.

5. No futuro imediato, a defesa dos migrantes, incluindo aqueles que ainda estão para chegar, é fundamental para nos opormos à viragem à direita pós-Brexit.

6. Se a esquerda oscilar na direcção de uma simples atitude economicista pós-Brexit então a natureza colonialista e racista desta votação será solidificada. Devemos discutir sobre os motivos que levam a uma cada vez mais dificil solidariedade de classe a nível mundial e não sobre o caminho traiçoeiro dos interesses estritos dos trabalhadores brancos que só pode servir o nacionalismo reaccionário inglês, baseado no racismo e no colonialismo.

7. As repercussões do voto na saída não se limitarão apenas às fronteiras do Reino Unido, mas será um impulso enorme para os movimentos colonialistas e racistas em toda a UE. Os líderes desses movimentos, como Marine Le Pen, já se regozijaram com o voto pela saída.

8. É vital compreender que esta situação não pode ser combatida com chavões liberais, porque é uma consequência da crescente desigualdade criada pelo liberalismo económico. A médio prazo, teremos que escolher ou uma transformação para uma democracia directa radical que crie igualdade económica ou um regresso às políticas autoritárias de controlo, necessárias para impor profundas divisões na riqueza.

9. As coisas parecem sombrias, mas elas já eram sombrias quando sabíamos que tínhamos que enfrentar as alterações climáticas ou a automatização sob o capitalismo. A ascensão do racismo de extrema-direita e colonialista não é um fenómeno natural, mas uma consequência de um sistema em que a crise é um produto fundamental do seu próprio funcionamento.

10. É preciso retirar o mundo da supremacia da elite branca patriarcal e capitalista que domina o planeta e que dominou ambos os lados do referendo da UE. A transformação de que precisamos, se não quisermos enfrentar uma escalada da pobreza, guerra e destruição climáticas, é uma transformação total que elimine o estado e o capitalismo para criar o comunismo libertário.

Workers Solidarity Movement (Irlanda)

3 comments

  1. Desculpe falar isso companheiro, mas para nós aqui no Brasil e acho que para o resto do terceiro mundo, uma UE enfraquecida e divida sem capacidade para coordenar uma ação conjunta contra nossas econômicas e políticas me parece um horizonte político bem mais agradável. É claro, os motivos são ruins, mas penso que na inevitabilidade da separação a questão é como ajudar os companheiros da Inglaterra em combater os seus fascistas em nível nacional e fora do panorama europeu

  2. Parece-me que a saída dum estado membro da UE pode ser tanto um sinal positivo para a esquerda como para a tal direita colonialista, agora a permanência acho que apenas beneficiaria a direita como conseguimos constatar nos frequentes ataques direitos ou através de políticas, a nível racista ou outro, em diversos países da UE provando que estando integrados nela não significa que a discriminação grandiosa não exista.
    Permanecer na UE é ter um futuro neo liberal garantido que defende políticas a favor do capital contra o bem-estar. Ou se sai através de referendos ou então é a própria UE que retira quando um dos seus decide ter uma política de esquerda (não duvido que possam existir outras), isto é indo contra o grande capital.
    Acho que não devemos nos assustar se o fenómeno é positivo para a direita. Sem dúvida que temos de olhar pela atual situação do RU e se concluirmos que a esquerda neste país é insignificante ao contrário da direita, então futuro fascista ou neo-liberal? De qualquer das maneiras a confiar nesta última hipótese acho sempre positivo a saída pois por muito que o RU fique fascista abala sempre o mundo capitalista inteiro, as instituições como a UE e desperta outros países a fazerem o mesmo sendo que alguns, como a França, têm uma esquerda poderosa para agir perante o fascismo. E volto a relembrar: eu acho que a saída da UE é o caminho para um mundo melhor.

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