Mês: Julho 2016

“Terramotourism”- as consequências negativas do turismo em Lisboa


Olá amigxs do Portal Anarquista, desde o colectivo Left Hand Rotation.

Cá enviamos o teaser do documentario “TERRAMOTOURISM” sobre as consequências da turistificaçao e chegada masiva de turistas na cidade de Lisboa

Tambem podem-se descarregar os cartazes da intervençao nas ruas de Lisboa “TERRAMOTOURISM: Instruções de emergência em caso de tranformação urbana produzida por sismo turístico” no link http://lefthandrotation.blogspot.pt/2014/03/terremotourism-instrucciones-de.html

Muito obrigado

Colectivo Left Hand Rotation
www.lefthandrotation.com

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Jornal “A Batalha” destaca ‘Encontro Libertário de Évora’ na sua última edição


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Enquanto se esperam algumas mudanças redactoriais de fundo já para o próximo número, saiu a mais recente edição do jornal anarquista “A Batalha” tendo como destaque de primeira página o Encontro Libertário de Évora, num relato pormenorizado que ocupa três outras páginas no interior do jornal, incluindo as centrais. Outros temas em destaque: um artigo de Gonçalves Correia, no jornal “A Questão Social”, que este ano comemora os 100 anos de publicação; referências, em termos de memória libertária, também à Escola Primária Normal de Benfica, que este ano também assinala 100 anos e um artigo sobre Emílio Costa. Na primeira página também um artigo sobre a necessidade de apoiar a ZAD de Notre-Dame des Landes.

(Turquia) Comunicado da DAF sobre o golpe de 15 de Julho


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 “O Estado é o golpe, a revolução é a liberdade”

No entanto, não há dúvida de que aqueles que reforçaram o seu poder em resultado deste golpe “de 5 horas” são o actual governo e o chefe de Estado.

O golpe, que tem sido uma realidade inevitável da presença do Estado neste território desde o golpe militar de 1980, reapareceu 36 anos depois, durante a noite de 15 de Julho. Muitos edifícios do Estado foram bloqueados por algumas horas durante a mobilização militar com base em Istambul e Ancara. O golpe começou com aviões de combate a sobrevoarem Ancara e o bloqueio das pontes em Istambul por soldados, e continuou com a tomada como refém do Chefe das Forças Armadas, e o som de tiros de tanques nas ruas. Muitos edifícios estatais foram alvejados por F16 e por helicópteros, incluindo o edifício do parlamento e a sede dos Serviços Secretos; houve troca de tiros em muitos lugares entre soldados e policias. Na sequência dos acontecimentos, a transmissão do canal estatal de televisão foi cortada e a declaração de golpe assinada pelo “Conselho Nacional de Paz” foi lido. Quando o “golpe das  5 horas” terminou, tinham morrido mais de cem soldados, mais de oitenta policias e mais de oitenta manifestantes anti-golpe. 2839 militares, entre eles muitas altas patentes, foram presos.

Durante este período de 36 anos, o golpe, enquanto ferramenta de opressão política, violência e repressão, tem sido usado, mais do que uma vez, como uma ameaça pelo exército. Sem dúvida que, para nós, os oprimidos, este golpe significa tortura, repressão e massacre dos povos neste território durante todo este tempo. É evidente que uma estrutura que baseia o seu poder nos massacres que faz, irá continuar a fazer massacres em nome do “projecto unidade indivisível do país”. O recente golpe é o resultado da luta entre grupos que lutam pelo poder no interior do Estado. Mas é possível que a existência não conhecida de grupos de poder fora do Estado leve este confronto para um nível mais amplo. No entanto, não há dúvida de que aqueles que reforçaram o seu poder em resultado deste golpe de 5 horas são o actual governo e o chefe de Estado.

A noite, que começou com um golpe militar, foi transformada numa espécie de “feriado da democracia”, enquanto o poder do Estado ganhava o controlo da situação. O partido do governo, o AKP, ganhou a fama de ter “repelido um golpe de Estado”, devido à sua vitória contra o golpe de Estado, somando isso à legitimidade devido ao facto de “ser eleito”. Ao longo da noite, todos os canais de TV fizeram transmissões ao serviço desta vitória e fazendo propaganda da ilusão da democracia personificada em Tayyip Erdoğan. Esta propaganda também foi feita de forma contínua pelos media conhecidos por serem da oposição. Nesta luta pelo poder do Estado, os media não só tomaram o partido deTayyip Erdoğan, como desempenharam também o papel de levarem as pessoas para as ruas.

Tal como os meios de comunicação, os partidos de oposição, com assento parlamentar,  não “pouparam” o seu apoio ao AKP desde o início deste processo; cairam na armadilha do poder de Estado de “evitar que outros façam política”. A sua posição foi a de “tomarem partido com a democracia contra o golpe”, como uma máscara da sua ignorância política. Isto indica claramente que, a curto prazo, eles não vão corporizar outras políticas para além das políticas estatais. Escolhendo aqueles que “vão morrer quando Tayyip Erdoğan disser para morrer, atirar quando ele disser para atirar”, enchendo as praças, como “apoiantes da democracia”,  com slogans de “queremos a pena de morte”, dirigidos a todos os que se lhe opuserem. Não é isto um sinal de estagnação política destes partidos da oposição?

Com este golpe e a vitória contra o golpe, o AKP tem agora o ambiente que necessita para transformar ideologicamente a  sociedade. Os  “50% que com dificuldades se mantiveram em casa,  que eram apresentados como uma ameaça por Tayyip Erdoğan durante os protestos de Gezi, estavam agora nas ruas. A cultura fascista que é uma parte importante da transformação ideológica que  ganha espaço a partir do sistema legal para a vida social, foi despertada por aqueles que o Estado mobilizou para as ruas. Não só isso,  estavam mascarados como se fossem pessoas que tentavam manter o sistema democrático … Não é difícil adivinhar como estas “mobilizações democráticas”  se irão confrontar com muitas pessoas, das mais diversas maneiras em diferentes lugares. Já tivemos noticias de linchamentos de alguns que não quiseram  pôr-se ao lado do reforço do poder do Estado.

Esta luta de grupos pelo controlo do Estado, que exerce o seu poder num clima de crescente injustiça económica e política, não é senão a perpetuação da autoridade dos opressores sobre os oprimidos, com o objectivo de destruir a liberdade dos oprimidos. Não há dúvida de que nem a ditadura visível ou invisível, nem os militares nem as estruturas civis, nem o golpe, nem as eleições dos cargos políticos, que são o inimigo do povo, têm alguma coisa a ver com a vontade popular. Nós, que acreditamos  que uma vida livre não pode ser criada por golpes de Estado ou por meio de eleições, reconhecermos a existência do Estado como um golpe contra a liberdade e a nossa revolta continuará até que se crie um mundo livre. O Estado é o golpe, a revolução  é a liberdade. O que todos nós precisamos não é de ter esperança em qualquer luta travada pelos de cima (pelas autoridades), mas saber que a esperança é a revolução pela liberdade.

Devrimci Anarşist Faaliyet (DAF) – Acção Revolucionária Anarquista (Turquia)

17 de Julho de 2016

aqui: https://www.facebook.com/anarsistfaaliyetorg/

Ontem como hoje, a CNT reivindica a luta pela Revolução Social


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Num acto público realizado esta terça-feira frente ao monumento “la Huella”*, em Bilbao, no País Basco, a CNT** recordou todas as mulheres e homens que enfrentaram a ditadura franquista “desde o primeiro dia até ao último”. “Elas e eles mostraram-nos que a Revolução Social, a partir dos de baixo e contra os de cima, era tão possível como necessária. Só fazia falta coragem, dignidade e compromisso”, destacou a central anarcosindicalista.

Nesse sentido, a CNT reivindicou a luta de todas e de todos os seus militantes “a favor de uma sociedade radicalmente livre e justa. Dito de outra maneira, de uma sociedade construída com os pilares do comunismo libertário”. “O vosso caminho continua a ser o nosso”, precisou.

Ainda assim, a organização anarcosindicalista recordou que os vários governos surgidos depois da morte do ditador Franco “foram garantes da impunidade para os criminosos franquistas”. “Também o foram os partidos que se diziam de esquerda e que na mal chamada transição optaram por trair os seus companheiros e companheiras, em troca de uma falsa paz social que não foi outra coisa senão esquecimento e impunidade”, sublinhou.

Por último, a CNT reafirmou o seu compromisso com a luta por outro modelo social. “Hoje, como ontem e amanhã, estamos nas ruas e nos locais de trabalho, defendendo os direitos da classe trabalhadora, sempre com uma meta e um objectivo muito claros: construir uma sociedade livre, sem escravos nem exploradores”, apontou.

* Monumento no Monte Artxanda, de homenagem aos gudari (combatente, guerrilheiro, em basco).

** Confederação Nacional do trabalho (CNT) – Central sindical anarcosindicalista presente há mais de 100 anos no território espanhol e um dos grandes protagonistas da Revolução Espanhola iniciada em 1936.

aqui: http://www.alasbarricadas.org/noticias/node/36715

“A las barricadas” em curdo para homenagear as revoluções espanhola e de Rojava


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Para assinalar o 80º aniversário da Revolução espanhola e também o 4º aniversário da Revolução em Rojava foi gravada recentemente uma versão em curdo do hino “Às barricadas” e hoje colocada na internet.

Esta versão curda foi gravada em Qamislo, Rojava, por elementos do Centro de Arte e Cultura Mohamed Sêxo. Os participantes na gravação do hino da CNT em curdo referem que “o que aconteceu em Barcelona a 19 de julho de 1936 repetiu-se 76 anos depois. A nossa revolução começou em Kobane e tivemos que colocar a nossa mais forte resistência na sua defesa. Inúmeros camaradas morreram para defenderem a cidade dos fascistas, tal como inúmeros camaradas deram a vida na Catalunha e em Espanha. O espírito da Barcelona revolucionária vive nas ruas das cidades e vilas de Rojava”.

A principal mudança nesta nova versão torna a letra explicitamente feminista associando-lhe o verso:

“Freedom, autonomy and women’s liberation
Must be defended as the most precious values

através de https://www.facebook.com/WorkersSolidarityMovement/

(memória libertária) E a 18 de Julho estalou a revolução em Espanha


cartaz revolução espanhola

Assinala-se por estes dias o 80º aniversário do levantamento popular contra o golpe de Estado que pretendia substituir, em Espanha, a República por um regime fascista. Face à sublevação das tropas, os trabalhadores, organizados, sobretudo na CNT anarco-sindicalista (mas também na socialista UGT), e com uma forte presença dos grupos anarquistas da FAI, opuseram-se ao golpe, assaltando os quartéis e os postos da polícia, detendo os militares sublevados e transferindo o poder para os sindicatos. Começou assim a Guerra Civil em Espanha, que depressa – também muito por acção dos anarquistas – se transformou numa autêntica Revolução Social. Embora numericamente numerosos, os libertários depressa ficaram encurralados: tinham de um lado as tropas fascistas, lideradas por Franco, e do outro a tenaz comunista, a soldo de Moscovo e de Stalin que a última coisa que queriam era uma vitória dos ideais libertários em Espanha. Logo em Maio de 1937, os comunistas viram as suas armas contra os anarquistas, em Barcelona (episódio descrito magistralmente por George Orwell no seu livro “Homenagem à Catalunha”), tentando destruir a influência libertária na região catalã. Apesar destes confrontos, que enfraqueceram a capacidade de resposta às tropas fascistas, nos campos e nas cidades mantém-se a força colectivizadora do operariado e dos camponeses espanhóis que durará até ao fim da guerra, em 1939. A repressão franquista sobre o movimento operário e anarquista é cruel e marca o fim da influência do movimento libertário, durante muitos anos dominante no sul da Europa. Um movimento que tem vindo a renascer nas últimas décadas, a recompôr as suas fileiras e a integrar novos desafios. Por isso, ao celebrarmos os 80 anos da revolução espanhola estamos a falar do futuro, da construção de um mundo novo que continua a habitar os nossos corações, como dizia – há 80 anos atrás –Buenaventura Durruti. Uma necessidade tão premente hoje como nessa altura. Ou talvez mais.

Para assinalar esta data traduzimos o artigo abaixo da autoria do historiador Julián Vadillo Muñoz e publicado no Diagonal Periódico (versão online)

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80º ANIVERSÁRIO DO GOLPE DE ESTADO CONTRA A REPÚBLICA

E a 18 de Julho estalou a revolução em Espanha

Julián Vadillo Muñoz, historiador

 “(…) a crença de que as causas que triunfam seriam as únicas a ter interesse para os historiadores conduz, como James Joll observou recentemente, ao desprezo por muitos aspectos do passado que são importantes e que têm interesse, e reduz a nossa visão do mundo”.

Esta é uma das frases com que Paul Avrich nos deleita na introdução do seu livro clássico “os Anarquistas Russos” publicado nos Estados Unidos em 1967 e editado em Espanha pela Alianza em 1974. E este exemplo que Avrich evidenciava para a história do anarquismo russo pode também ser aplicado relativamente ao que aconteceu em Espanha em Julho de 1936.

(mais…)

Feira Anarquista do Livro 2016


feira do livro

Lisboa, 24 e 25 de Setembro.

“Em todos os sítios onde os civilizados apareceram pela primeira vez, foram sempre considerados pelos indígenas como seres nocivos, fantasmas, espectros. Nunca como seres vivos!
Intuiçao insuperável, profética perspicácia, se ainda se pode dizer.”
E. Cioran

A tragédia talvez tenha começado com o advento da humanidade, mas nunca como agora a vida esteve tão encurralada e acorrentada. Os ventos já não mudam nada, as utopias sociais estão completamente mortas, os novos messias da democracia caem muito antes de poderem sequer indicar o caminho da salvação… e os dominados e dominadas? Esses resignam-se cada vez mais à sua condição de rebanho, o progresso tecnológico condiciona-os como nunca e nada nesta história nos faz esperar um final feliz. Sabemos que tudo isto vai acabar muito mal e, por isso, alguns e algumas já não temos nada a perder: decidimos agarrar a vida com os dentes e os punhos fechados, porque o sangue ainda nos queima as veias! E é assim que insistimos em mais uma Feira Anarquista do Livro, porque ainda nos interessa propagar a palavra dos/as rebeldes, dos criminosos e das criminosas, dos conspiradores e das conspiradoras, e porque insisitimos em manter vivas memórias e saberes dos quais nos tentam, a todo o custo, tornar órfãos, porque sabemos que desisitir já não é uma opção, encostaram-nos ao abismo e só nos resta resistir…

E depois de dois anos de Mostra de Edições Subversivas optámos por recuperar um nome já velho (com uma pequena mudança na ordem das palavras, sempre traiçoeiras), e não, não nos pusemos nostálgicos, mas nestes dias em que a anarquia volta a ser o crime que contém todos os crimes, com a repressão a golpear grupos e indivíduos em todo o globo (Espanha, República Checa, França, Grécia, Chile, etc.), decidimos que esta palavra não está vazia, carrega às suas costas séculos de uivos que gritam “Não!”

E como um fungo especialmente teimoso, aqui estamos e aqui continuaremos…

Se queres participar ou colaborar na Feira Anarquista do Livro, contacta-nos através do email: feiranarquistadolivro@riseup.net